Posts com Tag ‘Olivier Gourmet’

osegredodacamaraescuraLa Secret de la Chambre Noire / Daguerrotype (2016 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Entre o romântico e o fantástico, com toques de suspense hithcockiano, o diretor japonês Kiyoshi Kurosawa vai à França filmar a intrigante história do fotógrafo (Olivier Gourmet), de moda, que larga o sucesso para trabalhar numa antiga técnica de fotografia. Antigamente, acreditava-se que os daguerreótipos poderiam tornar eterna a alma da pessoa presença na foto.

O personagem central é o assistente do fotografo (Tahar Rahim) que não compreenda as razões as quais o viúvo vive recluso no casarão, num misto de obsessão e incompreensão contínua. A trama guarda casais apaixonados, especulação imobiliária que agita os ânimos mais ambiciosos. Kurosawa peca um pouco no ritmo narrativo, dá foco demais na lenga-lenga do interesse pela compra da casa, quando o melhor do mistério está na relação entre casais e nos aspectos sobrenaturais, e em toda delicadeza com que o cineasta conduz as relações amorosas ou sociais. Um trabalho bonito, porém imperfeito.

apromessaLa Promesse (1996 – BEL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Tendo sua estreia mundial em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne colocavam, definitivamente, seus nomes como um dos grandes do cinema na atualidade. A definição clara por temas ligados à critica ao socialismo e globalização (no melhor estilo Ken Loach), e à imigração ilegal, e o estilo narrativo mais próximo daquele que marcou a forte presença autoral do trabalho dos Dardenne, A Promessa é o filme que marca a transição da fase de documentários, e primeiros trabalhos de ficção – que já demonstravam sinais desses pontos – ao cinema característico e consagrado que a Palma de Ouro para Rosetta confirmou.

No cerne da história, um rapazote magricelo, de 14 anos (Jérémie Rénier e com um quê de Jean-Pierre Léaud) e seu pai (Olivier Gourmet) vivendo do transporte e exploração dos imigrantes ilegais. Visto hoje, não carrega o mesmo senso de urgência da época, afinal, chegamos a outro estágio da discussão europeia de imigração. Por outro lado, nunca deixará de ser chocante o tipo de exploração e desprezo humano. Pessoas tratadas como mercadorias, e surge nesse rapaz um mínimo de humanidade (não herdada do pai), que leva o filme a caminhos diferentes do que a simples reprodução das condições precárias e demais tipos de abuso de pessoas mais que necessitadas.

Os Dardenne filmam de maneira seca, já começando os sinais da obsessão em filmar pela nuca dos personagens, de planos-fechados. A clara demonstração da insatisfação contra o capitalismo insano e a falta de humanidade em “oportunidades”. Uma promessa, o peso da culpa, e um garoto assumindo responsabilidades ligadas a sua visão de justiça. A sua volta, uma enormidade de comportamentos sobre a intolerância e esse grau de julgamento de inferioridade para com os imigrantes, que fogem de absurdos e condições precárias para receber tratamentos que mais se assemelham a um filme de horror.

apontedasartesLe Pont des Arts (2004 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Eugène Green vai apurando seu estilo a cada filme. São novas camadas de complexas relações entre dramas humanos e referências artísticas, onde cada vez menos importante se torna o rumo dos personagens, e mais importante a maneira como Green conduz público e personagens, como absorve e divide referências. A Ponte das Artesm em Paris, é focalizada por diversos pontos, e também o local de uma tragédia que divide a trama. Entre eles a música, clássica, lírica, uma cantora humilhada (Natacha Régnier) por seu maestro (Denis Podalydès), e um universitário (Adrien Michaux) que se paixona por sua voz.

Lamento Della Ninfa, de Monteverdi, se torna o estopim. Desilusões matrimoniais e profissionais unem e separarm estes dois jovens ligados pelo amor à arte. Green permanece com a rigidez, com planos e contra-planos, e os diálogos repletos de citações filosóficas. Há diretores que poderiam ser citados para exemplificar, mas Green merece ser um desses casos únicos, que misturam filosofia com música lírica, e ainda espaço para absorver relações matrimoniais, desgastes pessoais. Seu filme é sobre o amor, sobre o amor à arte, mas, também sobre poder e seu abuso, sobre fragilidades, e, sobretudo sobre Paris e sua beleza edificante.