Posts com Tag ‘Oprah Winfrey’

SELMASelma (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Martin Luther King, a citação de seu nome traz à mente o ícone da luta contra segregação racial, é de se esperar um filme que faça jus à lenda criada (principalmente depois de seu fim trágico). O recorte aqui é curto, na trajetória de King (David Oyelowo), parte da entrega do prêmio Nobel da Paz, vai até os fatos decisivos para uma das mais importantes vitórias que ele, e seu grupo, obtiveram: a luta pelo direito dos negros votarem. Envolvidos estão o presidente, governantes e xerifes, e a população que, pouco-a-pouco, não pode permanecer indiferente a quase guerra civil que se instala.

Encontros com governantes, reuniões de militantes, ações ativistas, detalhes da vida particular. Mos que de  forma elegante, Ava Duvernay demonstra tamanha irregularidade nos diferentes aspectos da vida de King, que o resultado é esse libelo da luta, mas que tenta tranformá-lo numa figura tão cristalina e encorpada que o mito beira o galã. A trilha sonora no momento certo, a câmera lenta nas cenas de violência durante os protestos, as discussões com quê heroico/afetado (mocinhos e vilões bem claros) nos bastidores da política. E, obviamente, os grandes discursos de King, frente a milhares, personificando ainda mais a figura do mártir.

A direção de Ava Duvernay é acadêmica, clássica, parece realmente voltada para as premiações da corrida do Oscar, caso contrário poderia ser um telefilme (bem mais barato e com resultados semelhantes). Neste ponto, o filme carrega um pouco de azar por ser lançado exatamente um ano após a vitória de 12 Anos de Escravidão, outro filme sobre a questão racial, as injustiças e etc, porque havia os elementos básicos para o triunfo das premiações da indústria. Acabou de lado, tal qual sua própria irregularidade de não escapar da necessidade dos discursos pomposos, a cada cena, da proximidade envergonhada com a vida particular de King, com a necessidade de chocar, via violência, mas sempre via timidez. Seu melhor está nas poucas cenas de violência seca, quando a polícia ataca idosos, sem piedade, tamanha a cegueira pela segregação racial.

Film Review The ButlerLee Daniels’ The Butler (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Com a história de vida de Lee Daniels, todos seus rótulos, e suas amizades no meio artístico, estará garantida a longa vida de sua carreira, infelizmente. Suas causas são justas, os grandes temas facilmente causam comoção, mas Lee Daniels, como um contador de histórias que se coloca, é uma decepção retumbante. Seu problema é o de não conseguir contar bem suas histórias, utilizando as artimanhas mais baratas (sentimentalismo, trilha sonora, tudo que estiver a seu alcance) para inflar sentimento no público.

Com esses truques baratos que ele traz ao cinema a história de Cecil Gaines (Forest Withaker), fazendo dela um grande resumo da luta contra o preconceito racial nos EUA. Como disse anteriormente, sua causa é mais que interessante, a ideia de resgatar os “negros de casa” para dentro da Casa Branca, e sob a perspectiva dos que fingem não estarem presentes demonstrar aspectos de cada presidente, é bastante consistente. A vida de Cecil, aliada ao conflito com um de seus filhos, é o próprio resumo da história de Martin Luther King e tantos outros.

Mas, quando Lee Daniels, chama seu nome até no título do filme, e demonstra todo seu ego inflado, ai fica nítido o quanto do diretor está presente na narração, no modo de contar tal história. A vida do mordomo cruza os acontecimentos mais marcantes da história dos EUA, um país fervendo com a Guerra do Vietña e a luta dos negros por direitos iguais, enquanto mostra alguns aspectos desses fatos, Daniels desperdiça o tempo sem caracterizar os presidentes, abusando sempre no tom solene que tanto almeja a comoção. Lee Daniels é daqueles cujos filmes todos devíamos passar longe.

acorpurpuraThe Color Purple (1985 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Daquela época em quer Steven Spielberg ainda não havia ganho o Oscar, este filme entrou para a história como um dos maiores perdedores do prêmio. Afinal, foram 11 indicações e nenhuma estatueta. Particlarmente, não sou dos que se comovem como melodramas, mas este, de alguma forma, toca de um jeito diferente, por mais que não tenha envelhecido sob o gosto da maioria. Sensível e humano, resgata a história de uma comunidade negra no sul dos EUA. Início do século XX, Celie (Whoopi Goldberg) e sua irmã Nettie (Akosua Busia) moram com o pai, que abusa sexualmente de Celie, ao ponto de engravidá-la duas vezes, os bebes vendidos.

O Sr Albert (Danny Glover) se encanta por Nettie, pede sua mão em casamento, porém, por ser mais jovem, o pai não permite que ela se case antes de Celie. Albert é viúvo, precisa de alguém para cuidar da casa, e de seus filhos, e aceita a garota. Celie passa a viver como uma escrava, apenas a servir o marido, e por isso não tem nenhum tipo de sentimento por ele. Seu pai tenta abusar de Nettie que foge para a casa da irmã, o marido Albert aceita recebê-la. Depois de um tempo Albert tenta abusar de Nettie, e como não consegue expulsa a moça de sua casa. O amor das suas irmãs é o único que Celie já sentiu na vida e separar-se dela é como tirar-lhe um pedaço. Albert é apaixonado há anos por Shug Avery (Margarert Avery), uma cantora de cabaret. E sempre que ela está na cidade, ele corre para vê-la. A cantora fica doente e Albert leva-a para sua casa, onde cria  grande amizade com Celie.

A amizade das duas levanta a auto-estima de Celie, entre tanta violência e histórico de abusos machistas, surge naquela mulher sinais da existência de um ser humano, ainda que carregada de rancor e desconsolo. A essência principal dessa história é o amor, e suas diversas formas de manifestação, por mais complicado ou distante que se possa estar, a chama nunca morre. Spielberg dá foco em detalhes preciosos, gestos e sorrisos, dando assim outro tom ao filme, desviando a dureza de vida daqueles personagens. Whoopi Goldberg está fabulosa, principalmente na memorável cena da separação das irmãs. Mas, a cena mais marcante é q Shug canta Miss Celie’s Blues pela primeira vez.