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The Stranger (1946 – EUA) 

Pouco celebrado atualmente, este filme noir de Orson Welles veio logo após o fim da II Guerra Mundial. No roteiro, um detetive da comissão de Crimes de Guerra (Edward G. Robinson) investiga Nazistas que fugiram e tentam se camuflar na sociedade americana, após o desaparecimento de um suspeito recém-chegado aos EUA, acaba na cola de um professor universitário (o próprio Welles) prestes a se casar (Loretta Young) numa cidade de Connecticut.

Ainda que seja um trabalho de brilho restrito, até convencional em alguns pontos (narrativa, credibilidade do personagem central, o discurso Nazista didático), o segredo da trama é como Welles a torna sufocante, principalmente quando o detetive encurrala a noiva, em busca das confirmações de sua suspeita. Além, é claro, da beleza do noir, o branco e preto, e as sombras, sempre auxiliando no clima de suspense do filme.

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• Too Much Johnson: encontraram, a essa altura do campeonato, um filme perdido de Orson Welles, de 1938, dá para acreditar que em breve vamos conferir um filme inédito de Welles? [Cinema Uol]

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• Emile Hirsch: entrevista com o ator de Na Natureza Selvagem e Speed Racer, agora lançando um dos filmes indie americanos mais falados da temporada, Prince Avalanche [Slant Magazine]

• Rio, Eu Te Amo: e o projeto, com cheiro de bomba, vai mesmo sair. Carlos Saldanha será um dos diretores, e Rodrigo Santoro já foi escalado. [Cinema Uol]

• CBGB: filme sobre a casa de show de Nova York, se preparem para ver Iggy pop, Ramones e Talking Heads. [Rolling Stones]

 Citizen Kane (1941 – EUA) 

A audácia antes de tudo chama a atenção. Audácia de um jovem, Orson Welles, apenas em seu segundo trabalho como diretor de cinema (também assina o roteiro com Herman J. Mankiewicz), e peitando um dos mais poderosos, o ás das comunicações, dono de um poderio incalculável e uma voraz vontade de dizimar seus inimigos, este era William Randolph Hearst.

Passado esse impacto inicial, outras lembranças surgem automáticas na mente: enquadramentos. A câmera rasteira (contra-plongée), focalizando Charles Foster Kane (Welles) de baixo para cima, dando-lhe dimensões físicas maiores, trazendo a impressão de poder, de olhar tudo de cima, de estar dando ordens o tempo todo. Uso repetido e cada vez mais intenso do simples posicionamento de câmera para resumir um personagem. Do alto, Orson Welles interpreta seu protagonista e dá ainda mais nuances enlouquentes da relações pessoais e do posicionamento superior.

E fica a pergunta, quanto é possível dissociar o personagem Kane do cineasta-ator Welles? Kane é quase um misto de Hearst e Welles, quanto mais se aprofunda no personagem, mais encontramos essas duas figuras reluzentes. A soberba de ambos, a competência em suas atividades, os devaneios sem limites. Welles se afeiçoou tanto a Kane que colocou muito de si. É um filme sobre a ganância de um homem, capaz de inventar uma guerra para vender jornal, mas é também um filme sobre vaidade, sobre auto-idolatria.

Cidadão Kane tornou-se um mito cinematográfico, e sua qualidade é apenas um dos motivos que o deixaram imortal, as disputas políticas para o lançamento do filme auxiliaram muito na construção dessa lenda. Impressionante o dinamismo alcançado, o filme é freneticamente narrado, palmas para a edição e o formato encontrado para narrar a história com flashbacks, noticiários e outras artimanhas.

E no fundo, bem no fundo, o filme não passa de um retrato da incapacidade do dinheiro em comprar felicidade. Uma demonstração que essa tal felicidade é encontrada em pequenas coisas, em momentos prazerosos, em detalhes da infância. O filme inicia-se com a morte de Kane, e corre todo sobre a tentativa de se descobrir o significado da última palavra proferida pelo magnata: “Rosebud”. Kane teria descoberto em seu leito de morte o verdadeiro motor da felicidade em sua vida? O jornalista Jerry Thompson (William Alland) tenta descobrir sobre Rosebud e nós aprendemos sobre um homem lendário, sobre os primórdios que formaram os pilares do jornalismo norte-americano. Além do legado deixado por Welles na maneira de filmar, nas invenções usadas e copiadas até hoje.

The Tragedy of Othello: The Moor of Venice (1952 – EUA/ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um grande funeral, antes dos créditos iniciais, dá sinais da tragédia anunciada. Orson Welles dirige e interpreta esta adaptação da obra de William Shakespeare. O dramaturgo britânico discute a ingenuidade provocada pelo o amor, a insegurança desperta pela traição, a cegueira do cíumes, e a ânsia de poder.

Othello (Orson Welles) casa às escondidas com sua amada Desdêmona (Suzanne Cloutier), ele é general do exército de Veneza, mas por ser mouro é renegado pelo pai de sua esposa. Após a vitoriosa guerra no Chipre contra os Turcos, Othello entra num jogo articulado por Iago (Micheál MacLiammóir) – seu porta-bandeiras e preterido a um cargo de tenente – insinuando suposta infidelidade de sua esposa, com Cássio (Michael Laurence), outro oficial do exército.

Iago cria uma rede de acontecimentos para ludibriar Otelo, com provas irrefutáveis do suposto adultério que o ciúme deixa este homem cego e completamente vulnerável aos meandros proporcionados por Iago. A felicidade do casamento desmorona, contaminada pelas artimanhas de um exímio manipulador. O mais impressionante da trama é como o ciúmes corrosivo desestabiliza um general tão imponente.

Orson Welles se pintou de negro para interpretar Othello, Iago é o grande personagem dessa trama, responsável por todo o direcionamento da história, manipulando a todos em prol de suas metas. Welles filma de maneira bem tradicional, com enquadramentos privilegiando os close’s-up e narrativa direta caprichando nos cenários faraônicos, repletos de imensas salas e de uma trilha sonora contundente. Boa maneira de mascarar as dificuldades que consumiram três anos até a confecção do filme e são evidentes no resultado final.