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Oscar 2013

Publicado: fevereiro 26, 2013 em Oscar
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Viajando em boa parte do mes de fevereiro, fui obrigado a abrir mão de cobrir a repercussão do Festival de Berlim 2013 (que pelo visto não foi animador), e também de acompanhar a reta final das campanhas pelo Oscar. Por isso, sendo o último da fila, faço aqui meus comentários sobre a premiação, e, dessa forma, podemos começar 2013 por completo.

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E Oscar é igual carnaval, o próximo começa assim que termina o anterior. Já surgem as primeiras especulações sobre possíveis candidados. Sendo que os filmes nem finalizados foram, entre eles está a nova adaptação de O Grande Gatsby. O que quero dizer é a importancia das estratégias dos estudos e das campanhas de marketing (quase lavagem cerebral) na cabeça dos votantes. Esta última edição começou a pegar fogo no Festival de Veneza, e logo a seguir, com o Festival de Toronto.

Em Veneza, O Mestre foi aclamado, amado, dado como o grande filme do ano, e, dessa forma, o vencedor do Oscar. A inexplicável decisão do juri tirou o Leão de Ouro do filme para lhe dar outros dois prêmios. Mas, o fato é que, os americanos não entraram na do filme de Paul Thomas Anderson, perdendo tanta força que só conseguiu 3 indicações nas atuações.

A seguir estreiava no Festival de San Sebastian, Argo, e o filme de Ben Affleck foi recebido de maneira morna, tratado como um thriller competente (e é exatamente o que o filme é, nada além disso). Não se falava no filme porque com O Mestre caindo os holofotes se dividiam entre Kathryn Bigelow e seu A Hora Mais Escura – sobre a morte de Bin Laden. O musical de Tom Hooper, Os Miseráveis (que  ao estreiar foi tão detonado que afundou rapidamente), e Lincoln, de Steven Spielberg, que já surgia como provável vencedor.

Lincoln foi recebido com boa bilheteria, A Hora Mais Escura nem tanto. Mesmo a veneração dos americanos por Lincoln não conseguiram emplacá-lo totalmente rumo a consagração. Por fora surgia um desses filmes menores, O Lado Bom da Vida, de David O Russel que já conseguira algum destaque com o Vencedor. Outros nomes surgiam para completar a lista, mas, no fundo, os filmes naufragavam por suas fragilidades.

Oscar 2013 - Ang Lee (melhor diretor)

Já havia sinais de que não seria um Oscar de grandes filmes, mas Lincoln parecia absoluto, imbátivel, aquele filme com cara de Oscar. Os outros estudios no corpo a corpo do maketing, e eis que Argo ganha um premio aqui, outro ali, Lincoln vai sendo esquecido, perdendo terreno, surge o Globo de Ouro e as indicações ao Oscar. Ben Affleck não entra na lista de melhor diretor, Lincoln tem 10 indicações, e a fabulosa qualidade técnica de A Vida de Pi, de Ang Lee, também o colocam entre os que mais foram indicados (nesse ponto, A Hora Mais Escura já se tornará carta fora do baralho).

Analisando os indicados, se podia perceber que não havia um filme unanime, tanto que o estrangeiro Amour, de Michael Haneke, emplacara 5 indicações (incluindo filme e diretor). Que a fabricação de Indomável Sonhadora como filme sensação surtira efeito (após seus premios em Sundance e Cannes), tendo conseguido até ser indicado como diretor. E que, os Irmãos Weinstein são bons de marketing, afinal foram 8 indicações para a comedinha romantica O Lado Bom da Vida. Ainda tinha Tarantino, mas se ele nunca consegue grandes premios, não pareciaque as polemicas de Django o fariam virar o jogo dessa vez.

Daniel Day-Lewis, Jennifer Lawrence, Anne Hathaway, Christoph Waltz

Na noite do Oscar, ninguem tinha duvidas quanto a Argo, na reta final ele ganhara todos os premios, e descartando a possibilidade de Amour, os demais filmes nem pareciam melhor que ele (relembrando que é um thriller competente, só isso, imagine os demais). Assim como a vitória certa de Daniel Day-Lewis e Anne Hathaway, a polarização entre Jessica Chastain e Jennifer Lawrence para atriz (Chastain tem feito por merecer nos últimos anos, mas no fundo, nenhuma das duas mereciam). Diretor e ator coadjuvante se colocavam como as grandes questões abertas da noite, e realmente surpreenderam. A lista de diretores não parecia ter grande vencedor, todos apostavam em Spielberg, herança da expectativa que se tinha com Lincoln, mas deu Ang Lee (que ganha seu segundo oscar de direção, e nunca melhor filme, enfim, preferiram alguém que conduziu a parte técnica, e sem atores, fez um filme mais que chato.

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E, dessa forma, se foi mais um Oscar, cheio de premios previsíveis, nem sempre optando pelo merecimento em detrimento às campanhas. E, como umas das piores festas dos últimos tempos, seja pelo apresentador fraco, seja pelo inexplicável resgaste do musical  Chicago, a incoerencia das canções (algumas cantadas, outras não), e pelos clips preguiçosos e sem inspiraçao (maior exemplo o desperdício na homenagem de 50 anos do James Bond). Hollywood sofre são mega estrelas, ainda vive das que marcaram os anos 80 e 90, e isso reflete nessas tentativas loucas de mudar a noite de premiação, e assim, atrair maior ibope.