Posts com Tag ‘Oscar Martínez’

El Ciudadano Ilustre (2016 – ARG) 

Presente na Competição da última edição do Festival de Veneza, saindo com o prêmio de Melhor Ator (para Oscar Martínez), o novo filme argentino da dupla Mariano Cohn e Gastón Duprat foi sucesso de bilheteria em seu país e o escolhido a representa-los no Oscar. Uma divertida provocação ao estilo de vida pacato dos rincões do país, mais precisamente do tipo de sociedade hipócrita, egocêntrica e enferrujada – pelo menos na visão dos diretores.

Partimos do momento que inicia o hiato criativo do escritor Daniel Mantovani (Martínez), assim que recebe o prêmio Nobel de Literatura, e seu discurso questiona a posição do artista (ou o fim de sua arte) após tal reconhecimento de “especialistas”. Sua vida burguesa, de intelectual insatisfeito exatamente com o que conquistou, é colocada à prova quando recebe o convite para ser homenageado em sua cidade natal, de onde partiu há mais de quarenta anos.

A comédia explora os personagens interioranos, o ritmo de vida em câmera lenta de quem apenas sobrevive tranquilamente, numa cidade que parou no tempo e nem se preocupa com isso. Reencontrar amigos de infância, lidar com políticos e lideranças regionais, são alguns dos empecilhos que em pouco dias se tornam uma grande bola de neve. É verdade que o filme exagera em muitos pontos na necessidade de instaurar momentos inusitados par ao riso, mas há um retrato bem fiel e critico dessa sociedade parada do tempo, que ainda vive como há décadas passadas entre seu moralismo e incapacidade de sair fora da zona de conforto. Pelas imperfeições do filme e de seus personagens que descobrimos uma Argentina mais profunda, retrato até do tipo de política nacional retrograda que dominou tanto tempo o país.

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paulinaLa Patota (2015 – ARG/BRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Ainda que já com alguns trabalhos no currículo, o diretor Santiago Mitre era mais conhecido por roteiros de três filmes de Pablo Trapero. Provalvemente, após sua premiação na Semana da Crítica em Cannes, seu nome possa levantar voo-solo maiores. E é facilmente perceptível a semelhança deste filme com os trabalhos de roteirista de Mitre. Via uma protagonista (Dolores Fonzi) de decisões sempre questionáveis, e louca por discutir com o pai, juiz (Oscar Martínez), o roteiro parte em busca de uma luta entre Paulina e o próprio público.

Na primeira sequencia, pai e filha discutem, ela pretende largar tudo por um projeto social, em região pobre e rural. As tantas discussões a seguir provam que Paulina tem essa necessidade de se autoafirmar frente ao pai, tomando decisões até pouco racionais, mas que sejam próprias (desde que contrárias às dele). Essa disputa familiar é o ponto mais interessante do filme. Para chegar às discussões, Mitre vai da violência sexual à tortura policial. Antes disso, tenta criar clima e justificar a ação do grupo (a tal patota) que caua os atos violentos do filme. Esse sadismo em manter a relação pai-filha tão questionadora, capaz de manter a personagem distanciando da justiça, por uma justiça própria quem nem ela crê, reduzem o resultado a um mero brinquedo provocador.

relatosselvagensRelatos Salvajes (2014 – ARG) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Imensa maioria do público brasileiro quer mesmo saber do novo filme com Ricardo Darín, mas, além dele há muito mais na volta do diretor Damián Szifron. Uma comédia debochada, por oras tola (Tempo de Valentes e El Fondo Del Mar, suas comédias anteriores já pecavam pelo ingênuo), regada a sangue e violência. O tema é vingança, seis pequenas histórias que dialogam pelo tema, além carregado tom humorístico. Szifron busca situações do cotidiano, exemplo disso é a história em que Darín é o protagonista, e enlouquece pela burocracia e os desmandos do serviço de multas de trânsito de Buenos Aires.

Brigas de trânsito, provocações, ressentimentos do passado que explodem como um barril de pólvora. Szifron eleva as situações à máxima potência, extrai do público gargalhadas ao expor nossos comportamentos caricatos. É a nossa selvageria levada à última consequência, apenas com uma roupagem agradável para uma sessão de cinema (em grupo melhor ainda, as risadas contagiam), e nem nos damos conta do quanto de nós está representado naqueles personagens. A hilária festa de casamento que se torna um pesadelo, Szifrón extravasa pelo sádico, pelo humor negro, um diálogo fácil com o público, personagens vivem seus “dias de fúrias”. O diretor argentino joga fácil para a torcida.