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Invisível

Publicado: novembro 9, 2017 em Cinema
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Invisible (2017 – ARG) 

O novo filme do diretor Pablo Giorgelli mantém muito da narrativa pacata e da fotografia opaca de seu filme anterior (o road movie Las Acácias). Só que, dessa vez, o protagonismo é de uma garota de dezessete anos, que mora no bairro da Boca, em Buenos Aires, e sua vida entra em colapso quando vários problemas a circundam. A mãe, a escola, o caso com o chefe casado, e a gravidez indesejada. Novamente temos a necessidade do amadurecer depressa, mas também um interessante estudo de famílias frágeis, da falta da presença familiar.

O invisível do título pode se relacionar a um desejo da protagonismo, mas há tantas pontos importantes e que estão invisíveis a essa garota, que a necessidade de decisões definitivas que o medo e a angústia são sua única certeza. Giorgelli está mais direto dessa vez, deixa de lado a graça da comédia dramática, para tentar expor essa adolescente vivendo momentos decisivos da vida.


Festival: Veneza

Mostra: Orizzonti

Prêmios:

Las Acácias (2011 – ARG) 

Um road movie onde as paisagens de beira de estrada dão lugar para a cabine do caminhão, as horas passam e a câmera não sai dali, se divide entre o caminhoneiro Rubén (Germán de Silva) e a mulher que está de carona, Jacinta (Hebe Duarte) com sua filha recém-nascida Anahí (Nayra Calle Mamani). Silencio, o cúmulo do sem-jeito, desconhecidos dividindo o mesmo espaço. Pablo Giorgelli é mais desses diretores de um cinema argentino privilegiando o minimalista, a ausência de ação, a utilização dos tempos mortos e um ritmo quase documental de passagem do tempo.

Dentro desse formato, Giorgelli vai muito além de seus companheiros de estilo, seu filme tem carisma, a relação entre os personagens cresce, e torna-se cativante a cada quilometro rodado. Aspereza dá lugar à doçura, só que sem exageros, sem mudanças bruscas de personalidade. Tudo bem que a artimanha de um bebe fofo é um facilitador nato (golpe baixo), ainda assim há espaço para essas minúcias capazes de nos oferecer uma despedida tão singela e emocionante que só obtém o impacto com tudo que fora construído anteriormente.