Posts com Tag ‘Pablo Larraín’

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Neruda (2016 – CHL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Rapidamente o cineasta chileno Pablo Larraín se tornou um dos sul-americanos mais queridinhos da crítica internacional. A consagração veio com o sucesso de No e O Clube, e que o levaram agora a Hollywood para a biografia de ninguém menos de Jackie Kennedy. Exceção a O Clube, todos os demais trabalhos de Larraín tem na ditadura militar chilena o foco, ou pano de fundo, porém há neles distinta estrutura narrativa, a ponto de não ser ainda possível captar as características cinematográficas principais de seu cinema, que não os temas grandiosos as quais trabalha.

E nada mais grandioso do que retratar o nome mais internacional de todo seu país, o poeta Pablo Neruda. Mas, para aqueles que esperavam uma cinebiografia, estão muito enganados, com toques de noir, e até de perseguição à la western, Larraín tratar de um período específico, o momento em que o Senador Neruda passa a ser acusado de suas convicções políticas e perseguido.

O filme parte de fatos históricos, mas cria um universo poético próprio, com personagens fictícios e diálogos construídos através da montagem de diferentes encontros entre os personagens, num misto de dinamismo e charme. A dificuldades de seu resultado final é fugir da pose de grandioso, de poesia narrada de forma didática, são tantas as construções de linguagem cinematográfica (planos-sequencias, close-up’s, delírios poéticos) que o todo surge como aquela árvore que crescem de forma desordenada, e a raiz invade a calçada.

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El Club (2015 – CHL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Após sua trilogia de histórias na ditadura Pinochet (Tony Manero, Post Mortem e No), o diretor chileno Pablo Larraín mira suas críticas à Igreja Católica. Num pequeno vilarejo praiano, alguns padres e uma freira vivem algo parecido a cárcere privado, semi-aberto, administrado pela própria entidade católica. São religiosos acusados de crimes hediondos: de pedofilia a tráfico de bebês. Aquelas sujeiras que escondemos para debaixo do tapete.Vidas renegadas à penitência, a maneira do Vaticano de proteger sua imagem e se esquivar dos escândalos.

Os dias passam entre refeições, orações, cânticos e a grande atração da casa: o cão vencedor de corridas da cidade. Sim, padres que deveriam estar presos, mas vivem de apostas em corrida de cães. O filme tem sua guinada com a chegada de um novo padre ao “clube”, e um perturbado jovem que à porta da casa provoca com lembranças dos abusos sexuais que este padre teria feito a ele quando criança.

A fotografia obscura, meio nebulosa, lembrando filmes russos (como os de Sokurov), ajudam a complementar o espírito tenebroso da vida, e dos passados obscuros. Chega um novo padre para investigar acontecimentos e os comportamentos, Larraín divide a narrativa em entrevistas e discursos de alto apelo sexual. Expõe em palavras os abusos, provoca o silêncio com que o Vaticano tenta lidar com os “exluídos”. A trama leva os personagens a uma panela de pressão, mas como em seus filmes anteriores, o clímax é subaproveitado. Ainda assim, a conclusão é corrosiva, humana e tão absurda quanto a maneira com que lidamos com a solução de nossas questões.

No (2012 – CHL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Pablo Larraín volta a utilizar aquele aspecto de imagem suja, forjando o vídeo, anos 80. Dessa vez o artifício é utilizado devido ao grande acervo de imagens de arquivo. Estamos ao fim da ditadura de Pinochet, o país vive o plesbiscito que questiona a manutenção ou não de seu governo.

O tema político é levemente desviado para as campanhas de TV do Sim e do Não. Larraín narra com furor, com gana, e, obviamente que o aspecto histórico conta a seu favor. Ainda assim, seu filme não chega a brilhar, falta inflamar, começando pelo protagonista (Gael Garcia Bernal) ora contido, ora engajado (muito mais por suas convicções marqueteiras), tão velado quanto a repressão do militarismo do governo.

 

Tony Manero (2008 – CHL) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Pablo Larraín dá a imagem o aspecto de anos 80, aquela coisa suja, meio marginal, que dialoga muito com o personagem cinquentão e pé-rapado, cuja vida orbita em torno do fanatismo pelo dançarino de Embalos de Sábado à Noite, e a possibilidade de ganhar um concurso de imitação de Tony Manero na TV. O Chile vive a era de ditadura de Pinochet, militares pelas ruas.

Nosso Tony Manero latino (Alfredo Castro) se mostra mesquinho, individualista, agressivo, um verdadeiro marginal (aos moldes Madame Satã) que rouba e mata sem remorso. Larraín mistura a situação política a do personagem em questão. O filme sofre de pouca inspiração e uma estranha adoração, de todos, pelo sujeito tão patético. A fórmula visual de longos planos fechados e/ou planos-sequencias é o ponto de oxigenação entre o fétido e a violência.

Post Mortem

Publicado: junho 28, 2011 em Cinema
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Post Mortem (2010 – CHL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Sabe aqueles filmes que surgem de um único motivo, a necessidade de causar impacto com um acontecimento único, e dali é necessário surgir uma história, de alguém supostamente comum, para estar presente no momento fatídico? O cineasta Pablo Larraín narra o golpe de 1973, de alguma forma insere a morte de Salvador Allende na vida de um homem simples, mas tão simples, tão simples, que deixa de ser simples de vida tão modorrenta.

O quase elemento nulo é apaixonado pela vizinha, que dança em cabarés, vive de transcrever autópsias (mas incapaz de escrever à máquina de escrever). O tipo é uma variação de um personagem latino, que tem se repetido comumente nos filmes recentes. De vida singela, retraído, timidez elevada, monotonia ligada no talo, mas, se enquanto alguns filmes querem discutir a vida do homem médio, aqui um mero coadjuvante de luxo para a tal cena de “impacto”, que de impacto não tem nenhum (além é claro da importância historica inegável).