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A Criada

Publicado: outubro 25, 2016 em Cinema, Mostra SP
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acriadaAh-ga-ssi / The Handmaiden (2016 – COR) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A primeira metade indicava o melhor filme de Park Chan-wook desde Oldboy. Seu thriller de época erótico, cheio de estilo, não só faz alguma referência ao maior sucesso do cineasta, como impõe seu estilo às histórias de intrigas e romances interessados em fortuna que tão bem conhecemos no cinema. Porém, com essa velocidade na imagem, com o sexo mais explícito do que provocativo.

Com o passar da história, e as diversas reviravoltas, a sensação de roteiro tão bem arquitetado diminui, lentamente, o prazer em ver aquele inesperado triângulo amoroso golpista entre a criada (Tae-ri Kim), Lady Hideko (Kim Min-hee) e o professor de artes (Na Jung-woo) da burguesa.

Entre romance e falsa inocência, o que temos são inúmeras oportunidades para exibir cenas “quentes” de sexo entre mulheres que funcionavam melhor enquanto provocativo e não explicito. Ainda assim, deva ser o melhor de Chan-wook desde Odlboy, e se não fosse sua mão pesada, e o exagero de surpresas do roteiro, tinha potencial para ser um dos bons filmes do ano.

stokerStoker (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A estreia do coreano Park Chan-wook em Hollywood não traz grande brilho a uma carreira que explodiu, para, logo a seguir, cair num buraco negro sem fim. Os fãs surgidos com Oldboy vão se esvaziando a cada novo filme, demérito exclusivo do próprio cineasta que não acerta mais na fórmula, e esse aqui não deve ajudar muito.

Chan-Wook vem cheio de firulas na direção e na fotografia, que colaboram (até positivamente) com a atmosfera de suspense/terror, mas não resolvem o roteiro sofrível. Aliás, essa indefinição pelo gênero é mortal, a não opção pelo terror deixa o enredo ilusório, com conexões frouxas ao explicar comportamentos que se conectariam por relação de sangue. Os personagens apresentam-se estereotipados nas próprias carreiras dos atores, Nicole Kidman perdida, Mia Wasikowska esquisitinha, Matthew Goode galã caricato, nem nisso Chan-wook conseguiu, ao menos, inovar.

Grandes encontros, histórias divertidas, maratonas intermináveis, corridas malucas, novos amigos, dias inesquecíveis.  Acredito que os relatos dos posts resumiram bem o que foi essa Mostra. Por isso, sem mais delongas, vou fechar o balanço com os meus grandes destaques do festival entre os 15 filmes vistos.

O Filme

casavazia

Casa Vazia, de Kim Ki-Duk

Uma das metáforas mais lindas para o amor e uma forma de aceitar as consequencias para vivê-lo em sua plenitude. Porque amar pode ser até mais importante do que existir.

 

Os Melhores:

Oldboy, de Park Chan-wook

A Ferida, de Nicolas Klotz

Ouro Carmin, de Jafar Panahi

Contra a Parede, de Fatih Akin

Sede, de Tawfik Abu Wael

Outra característica interessante da Mostra é a vinda aos cinemas de grupos étnicos e gringos que estejam em São Paulo. Enquanto esperava até a sala ser liberada, um norte-americano (aparentemente) olhava atentamente aos cartazes das paredes, depois da sessão um grupo de coreanos discutia algo em sua língua natal, isso num cinema de shopping da zona sul. Essa pluralidade de culturas, de idiomas, só poderia ser encontrado num evento desse porte.

Dessa vez um cara sentou ao meu lado e puxou papo, sempre é gostoso ouvir sobre os outros e outros filmes, sobre as histórias para conseguir ingressos, do frio que passou na sessão no MASP, além de comentar os mais interessantes. Melhor ainda encontrar alguém que talvez voce nunca mais encontre e não é desses bitolados, que trabalha como gente normal e aproveita o tempo livre para fazer o que gosta: ir ao cinema. Achei ótimo ter trocado esses cinco minutos de prosa já que do outro lado estava ouvindo três adolescentes falando da vida em comentários do tipo: “O quê!! Fale com Ela não tem traços gays, então não é Almodovar.”, ou “Esse novo filme dele (Má Educação) foi feito para Hollywood, para ele ficar mais famoso nos EUA”.

Porém, o que de mais interessante a cena guardava seria a reação do público, nos momentos finais todo mundo queria soltar um comentário, e na cena crucial foi possível ouvir um surpreendente coro: “É foda”. Além de um movimento levemente para frente, como quem quer chegar mais perto da tela para saber mais rapidamente como tudo vai acabar.

Old Boy (OldBoy, 2003 – COR) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Oh Dae-su (Choi Min-sik) passou anos sequestrado sofrendo as mais variadas torturas, nunca soube os motivos de atos tão barbáries contra si, e em nenhum momento obteve pistas de quem estaria por trás do sequestro. Sem nenhuma informação de sua filha, o único contato que mantinha com o mundo era feito pela TV.

Foi via noticiário que, não só acompanhou momentos históricos como a morte da princesa Diana, o encontro dos líderes das duas Coréias e a queda das Torres Gêmeas, como também o assassinato de sua esposa e as contundentes provas que o tornavam principal suspeito do crime. Encarcerado, vida completamente destruída dentro e fora do cativeiro, o desejo de vingança torna-se essencial combustível para que se mantenha vivo por todo esse tempo.

oldboy2

Capítulo do meio da Trilogia da Vingança do diretor Park Chan-Wook, o filme mostra força em se tornar cult com seu roteiro minuciosamente idealizado e o estilo cool e despojado com que o cineasta cria imagens. A luta com martelo, o cara preso pela gravata, o polvo, e os fabulosos vinte minutos finais cheios de reviravoltas e uma trama que se prova inimaginável e alucinante fazem com que o público atônito se segure nas poltronas.

Filme vibrante, carregado desse desejo vingativo e cenas que se misturam entre a violência e leve humor sarcástico. Muito mais do que um prato a ser deliciado pelas beiradas, Park Chan-Wook dá dinamismo cria uma obra-prima de poder avassalador, pincelado por cenas líricas e de uma inteligência extinta.