Posts com Tag ‘Parker Posey’

homemirracionalIrrational Man (2015 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A concepção da trama do professor de filosofia (Joaquin Phoenix) angustiado e alcoolatra, que causa fascínio imenso em sua aluna (Emma Stone) durante conversas pelo campus ensolarado ou à beira do mar, traz repetição da filmografia de Woody Allen, mas não é problema algum. A causa se complica quando, efetivamente, entra em operação a terceira adaptação de Allen de Crime e Castigo.

O didatismo dominante está presente em todas as falas, na narrativa em off, por todos os lados. Allen não deixa uma sombra sem explicação, de forma além de explícita. Chega ao irritante, algumas cenas até mesmo patéticas. Que há tempos que a vida não é um filme de Woody Allen, nós sabemos, mas tratar o público com tamanha incapacidade de compreender o que está acontecendo, sem se repetir, explicar tudo, já vai se tornando um desserviço ao cinema.

E não adianta florear com bonitos planos de por do sol, caminhadas por belor parques arborizados, e o jazz característico, a racionalidade humana e a discussão da moralidade requer argumentos mais elaborados do que simplificar, de maneira tão ingênua, a obra de Dostoiévsky.

graceofmonaco-xlargeGrace of Monaco (2014 – FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Grace Kelly (Nicole Kidman) dividida entre o próximo filme de Hithcock, Marnie, e a repercussão da opinião pública de uma princesa de Monaco atuando em Hollywood. Eis o dilema em que o diretor de filmes tão insosos, Olivier Dahan, se meteu para contar parte da biografia de Grace Kelly.

Há ainda a questão política, o príncipe Rainer III (Tim Roth) numa feroz guerra comercial com a França, riscos de retaliação militar, momentos tensos. Dahan transforma Grace Kelly num instrumento de “genialidade” da política internacional. Da futilidade da vida de princesa, e do casamento desgastado, em uma líder exemplar.

É triste como o filme não consegue sair das armadilhas que o tema lhe impõe. Mistura o conto de fadas da vida da princesa, com seus dramas pessoais, de forma a nascer um grande livro de autoajuda de como se reerguer das trevas e domar seus problemas. Nicole Kidman não consegue deixar de ser Nicole Kidman, Rainer acaba renegado ao papel de marido da princesa, o filme gira em torno de sua áurea, mesmo nas questões militares. Dahan e outro desserviço ao cinema mundial.

 

mensagemparavoceYou’ve Got Mail (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Como umas coisas tão grudentas, como comédias românticas desse tipo, podem te emocionar tanto? Fazer com que você torça para os que os personagens fiquem juntos, e toda a baboseira sentimental que o mais rasteiro gênero do cinema produz. Adaptação da peça teatral de Miklos Laszlo, dirigida por Nora Ephron, que novamente comanda os atores queridinhos da América: Meg Ryan e Tom Hanks. Se o filme estiver passando na tv, invariavelmente, e de forma inexplicável, vou estar assistindo até o final.

Dos primórdios dos relacionamentos via internet (dos chats de bate-papo) a uma guerra comercial entre uma singela livraria de bairro, contra uma poderosa Bookstore. O roteiro une, virtualmente, dois corações solitários, desanimados em seus relacionamentos, porém em lados opostos na vida “real”, praticamente se odeiam. Com deliciosos passeios pela Nova York, dos nova-yorquinos, Joe Fox (Tom Hanks) descobre que sua “paixão-virtual” é sua inimiga profissional (Meg Ryan), e inicia um matuto jogo de conquista. Ryan no auge de sua meiguice, e o filme criando situações capazes de provar aos dois o blasé e cliché “feitos um para o outro”. Seja a trilha sonora, os encontros em supermercados, praças, na feira, a química do casal e o humor doce são o charme para que esse filme se torne o mais horrendo, e delicioso, guilty pleasure desse cinéfilo. Tenho certeza que “Você também vai amar Nova York no Outono”.