Posts com Tag ‘Paul Dano’

 

Wildlife (2018 – EUA) 

Registrar a denconstrução de um matrimônio através dos olhos do filho adolescente não é um formato novo no cinema. Adaptando o livro de Ricard Ford, o ator Paul Dano estreia na direção marcando cacoetes de uma cinema autoral, que tenta ser intimista, mas padece de um ritmo narrativo que possa tornar essa história no mínimo interessante.

A trama se passa nos anos 60, um pai orgulhoso que não encontra um trabalho fixo, a mãe destrambelhada quando o marido se afasta um pouco de casa. Acompanhamod tudo através do garoto tão bondoso, de longe o mais maduro da casa. Nem chegamos a compreender exatamente o garoto, o foco fica todo sob a fragilidade da mãe (Carey Mulligan). É muito pouco repetir-se em cenas de constrangimento do garoto e sua necessidade de assumir um papel em casa, que não deveria ser seu. Em meio disso tudo, algumas cenas das paisagens selvagens de Montana e o clima de bucólico, de um mundo a ser descoberto. O mesmo de sempre, sem algo novo, não parece o material e ritmo certo para um estreante.


Festival: Sundance 2018

Mostra: U.S. Dramatic Competition

Okja (2017 – COR/EUA) 

O cinema de Bong Joon-Ho se mistura entre muito humor, doses de critica social, proximidade com a fantasia e uma narrativa que adora o frenético. A arte de contar histórias é um dos pontos fortes do cineasta coreano, ainda que seus filmes guardem a mania de tornar personagens infantiloides ao extremo. Dentro dessas características, seu novo filme, que já chega com toda a polêmica entre Cannes x Netflix, é um exemplar perfeito de sua filmografia.

Inicialmente Okja flerta com o lúdico, os super-porco como xodó de uma garotinha, até que os vilões da indústria de alimentos querem tirar o porco da garota, sempre visando lucros. Sim, a maneira como Bong trata sua critica social (justa) é didática, explicita, e ate ingênua. Acertar o tom do filme seria o crucial, e Bong não o faz. Okja é  histérico e caricato, e guarda esse prazer pelo caótico, entre tanto ativismo e proteção animal, capitalismo sustentável, e a fofura do amor de uma criança que pode mover montanhas. Bem mais interessante como proposta, do que o resultado caricato que o filme entrega.

youthYouth (2015 – ITA/FRA/SUI/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os últimos filmes de Paolo Sorrentino tem clara predileção pela terceira idade. O escritor de A Grande Beleza (que lhe rendeu o Oscar de Filme Estrangeiro), o roqueiro de Aqui é o Meu Lugar, até mesmo o político de Il Divo, estão todos passando pela crise da velhice. A diferença crucial entre estes filmes é a abordagem do cineasta italiano, que a cada vez flerta com o abstrato, o subjetivo. Isso, sem falar em quão pedantes eles se tornam.

Um hotel luxuoso abriga uma série de celebridades, em férias, que tentam se afastar dos holofotes da mídia. Atores e cineastas, músicos, jogadores de futebol, até a Miss Universo se hospeda ali. Os personagens que serão desenvolvidos orbitam a vida do regente Fred Ballinger (Michael Caine). Entre diálogos repletos de “experiências de vida” e imagens superlativas que provocam o contraste entre velhice e juventude, Sorrentino tenta estabelecer a melancolia da idade avançada, enquanto os jovens sofrem por outros tipos de mazelas e arrogâncias.

São tantas imagens plasticamente bonitas, tantas alucinações metafóricas, aliadas os discursos sobre passado ou bom-senso, é tanto que Sorrentino busca poetizar seus fotogramas, que a arrogância de discurso de seu cinema vai chegando a proporções em que ignorá-lo seja o melhor caminho. Parte do público poderá encontrar identificação, mas de modo geral Sorrentino coloca seus filmes num pedestal inalcançável como se assisti-los fosse uma experiência transcendental de clareza da vida.

loveandmercyLove & Mercy (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A cinebiografia de Brian Wilson (vocalista dos reis do surfin music, os Beach Boys) tenta fugir o padrão. Dirigida por Bill Pohlad e narrada em dois tempos, anos 80 (John Cusack) e nos 60 (Paul Dano), sempre pesa para os momentos dramáticos do cantor, sem que o tom seja pesado demais (movimento contínuo do bate e assopra). Na fase jovem, o foco maior está na fase de loucura do cantor, quando a banda já tinha sucesso e ele parte para aventuras em LSD que refletem diretamente em suas canções.

Nos dias de hoje, Brian Wilson sofre de esquizofrência, ouve vozes, e tem a vida dominada por seu médico (Paul Giamatti), até o flerte com Melinda (Elizabeth Banks) é friamente observado pelo médico. Os Beach Boys são postos de lado frente os dramas de Wilson (relacionamento com o pai, desentrosamento com a banda, e o sofrimento atual), assim como fases felizes de sua vida. Ainda assim, é um biografai honesta, feita sob encomenda para o final feliz.

12anosdeescravidao12 Years a Slave (EUA – 2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Entristece um pouco pensar que Steve McQueen, um dos cineastas mais intrigantes da recente safra de novos diretores, vá ganhar o Oscar com o filme mais “convencional” de sua curta carreira. Este é apenas o terceiro longa. Favorito absoluto na corrida deste ano ao “careca dourado”, porém por mais consistente e fabuloso que seja seu filme, ficou de lado aquela perturbação de seus trabalhos anteriores em prol de uma história justa.

Porque, afinal, este é um daqueles filmes que precisavam ser filmados, uma daqueles histórias que precisavam ser contadas, e toda aquela ladainha blasé. Trata-se da biografia de um homem (cuja trajetória representa a de inúmeros outros à época). Um negro livre (Chiwetel Ejiofor), sequestrado e escravizado, durante 12 anos. Tempo suficiente para McQueen transpassar às telas toda a indignação com a escravidão.

12anosdeescravidao_2Injustiças, açoites e humilhações, qualquer sabe o que esperar dessa história. Capatazes impiedosos, fazendeiros sádicos (Michael Fassbender), todo e qualquer tipo de abuso nas relações raciais. A narrativa de McQueen é densa, sóbria, consistente. Aliada o tradicional ao seco, mesmo os momentos mais dramáticos tem ausência do melodrama, retrato estéril do estilo do cineasta. Por exemplo, na grande cena do filme, as chibatas no tronco, são de uma agressividade impar, o corte do corpo, o jorrar do sangue, impressiona mais o exercício cirúrgico do que a novela de um homem sofrendo todas as dores do mundo.

osuspeitosPrisioners (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Denis Villeneuve tem uma carreira extensa como diretor, mas seu nome se destacou mesmo com Politécnica (sobre um atirador numa escola canadense, antes de Columbine). Seu filme seguinte (Incêndios) ganhou adeptos do público que se envolve com a “história” e raiva nos que se incomodam com as coincidências do destino. O sucesso foi o bastante para que ele conseguisse angariar um elenco de peso (Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Viola Davis, Melissa Leo, Paul Dano e Terrence Howard).

Trata-se de mais uma história sobre “quem é o bandido?”. Alguns suspeitos, pais desesperados pelo desaparecimento das filhas, e um policia apanhando para conseguir desvendar o mistério. Porém, diferente de outros filmes do gênero que se destacaram, Villeneuve apenas conta uma história, do seu jeito pop com quê de autor (que de autor, passa longe). São planos banais, atuações e diálogos também básicos, e a manipulação de fatos e personagens ao bel-prazer do roteiro. Espanta que tantas pessoas ainda se surpreendam com tais artifícios.

Ruby Sparks (2012 – EUA)

Passou meio em branco o segundo filme dirigido pelo casal, Jonathan Dayton e Valerie Faris, depois do sucesso estrondoso de Pequena Miss Sunshine. E não encontrar a melhor forma de conduzir a fase mais densa (e por isso menos fofa), além de se apegar demasiadamente à cartilha da comédia romântica (paixão, briga, reencontro), podem ser as razões para que o filme tenha passado despercebido.

Se bem que, ele não perde em nada para a maioria dos similares do gênero. Divertidinho, romântico, a namorada perfeita (Zoe Kazan que assina o roteiro) que surge da páginas do livro que Calvin (Paul Dano) está escrevendo, acaba numa síndrome de Efeito Borboleta onde percebemos que por mais que se idealize alguém, em algum momento as coisas podem sair fora daquilo que se considera “mundo perfeito”.