Love & Mercy

loveandmercyLove & Mercy (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A cinebiografia de Brian Wilson (vocalista dos reis do surfin music, os Beach Boys) tenta fugir o padrão. Dirigida por Bill Pohlad e narrada em dois tempos, anos 80 (John Cusack) e nos 60 (Paul Dano), sempre pesa para os momentos dramáticos do cantor, sem que o tom seja pesado demais (movimento contínuo do bate e assopra). Na fase jovem, o foco maior está na fase de loucura do cantor, quando a banda já tinha sucesso e ele parte para aventuras em LSD que refletem diretamente em suas canções.

Nos dias de hoje, Brian Wilson sofre de esquizofrência, ouve vozes, e tem a vida dominada por seu médico (Paul Giamatti), até o flerte com Melinda (Elizabeth Banks) é friamente observado pelo médico. Os Beach Boys são postos de lado frente os dramas de Wilson (relacionamento com o pai, desentrosamento com a banda, e o sofrimento atual), assim como fases felizes de sua vida. Ainda assim, é um biografai honesta, feita sob encomenda para o final feliz.

O Espetacular Homem-Aranha 2

espetacular-homem-aranha2The Amazing Spider-Man 2 (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Sam Raimi foi errar a mão no terceiro filme, e foi o bastante para o estúdio decidir recomeçar a franquia do zero. Marc Webb só precisou de dois filmes para estragar tudo, essa rapidez deve ser uma façanha. Exagero é a tônica desse segundo capítulo, a começar peloa duração e a quantidade de vilões com super-poderes, não há espaço o bastante para os três e ainda contar a história da vida particular de Peter Parker (Andrew Garfield).

O homem-aranha vive o dilema da promessa, feita ao pai da moça que ama, de que iria se afastar dela, Gwen (Emma Stone). Enquanto isso reencontra o velho amigo Harry Osborn (Dane DeHaan), e ainda enfrenta Electro (Jamie Foxx) e Rino (Paul Giamatti). O peso da culpa versus o amor flamejante é a parte mais promissora da história, por mais que as visões do “sogro” sejam bem didáticas. Parker ganha dinheiro com fotos do Homem-Aranha, mas isso só ganha menção, enquanto a crise do relacionamento se intensifica, alguns vilões surgem para animar Nova York e a vida do aracnídeo protetor da cidade. Essa grandiosidade (chega a lembrar o Batman de Nolan) não combina com esse jeito moleque e atrapalhado de Parker, o humor também não chega aos pés do Homem de Ferro, e o filme fica perdido nessa adolescência tardia.

O Congresso Futurista

ocongressofuturistaLe Congrès / The Congress (2013 – ISR/BEL/FRA/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O cineasta israelense Ari Folman continua aproveitando de formatos pouco explorados, a seu favor. Da mistura de animação com falso documentário, no ótimo Valsa de Bashir, agora em sua livre adaptação do livro de Stanislaw Lem, num misto de live-action com animação adulta, e uma corrosiva crítica a Hollywood e ao culto do estrelato.

Robin Wright é uma das produtoras do filme, e ela expõe sua própria vida e carreira em favor de sua personagem. Interpreta a si própria, uma atriz de mais de quarenta anos, que foi promessa de talento e se escondeu atrás de seus fracassos. Surge a proposta de abandonar a carreira, em troca uma fortuna, ela seria escaneada e o estúdio aproveitaria sua imagem para o tipo de filmes que quisesse. Vinte anos mais tarde um Congresso, pílulas que transformam todos em animações e levados a um lugar onírico (onde Michael Jackson é garçom, por exemplo).

A crítica duríssima de Folman, na fase live-action, com Robin Wright representando mais que si mesma, e sim a imensa maioria da classe artítistca que fracassa em suas escolhas, ou na necessidade de gerar sua imagem, acaba dissipada por um universo de fantasia excêntrica regada a alucinações coletivas. O ácido parece emanar das animações, e desestabilizar a proposta ácida e corajosamente corrosiva que Folman e Wright se dispunham a compactuar..

JFK, A História Não Contada

parklandParkland (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E lá se vão 50 anos da morte do presidente dos EUA, John F. Kennedy. Momento propício para jogar para o público mais uma revisão dos fatos que marcaram o assassinato, em pleno desfile a carro aberto, pelas ruas de Dallas. Contudo, o filme dirigido por Peter Landesman não poderia ser mais insignificante, em cima do muro escondido atrás de diálogos frágeis e melodramáticos.

Falsamente dando visão privilegiada ao hospital onde Kennedy foi socorrido (Parkland do título), a narrativa focaliza médicos (Zac Ephron) e enfermeiras (Marcia Gay Harden), o alfaite (Paul Giamatti) que filmou o disparo, ou agentes do FBI (Billy Bob Thorton) transtornados com o incidente, Lendesman tenta dar voz aos coadjuvantes. Além de um núcleo dramático para os familiares do homem apontado como o assassino. Mas, sem nada de novo, e longe de trabalhar com as conspirações que JFK (Oliver Stone) lançou, resta pouco, além da sensação de um telefilme pobre, didático e desnecessário.

Walt nos Bastidores de Mary Poppins

walnosbastidoresdemarypoppins2Saving Mr. Banks (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Os making-off’s dos DVDs trouxeram à tona a possibilidade de saciar parte da curiosidade, saber mais sobre os bastidores, desvendar mistérios. A onda agora é realizar filmes sobre o processo de filmagem de outros filmes, alguns trabalhos de Hitchcock foram revisitados recentemente, e suspeito que não pare por ai.

O que há por trás do musical Mary Poppins? John Lee Hancock narra os percalços pelo qual passaram Walt Disney (Tom Hanks) e a equipe técnica de seu estúdio para filmar e convencer a autora (Emma Thompson) das ideias que tinham para a adaptação.

walnosbastidoresdemarypoppins

Por mais que Tom Hanks esteja exemplar encarnando Walt, e que boa parte da trama seja realmente sobre o processo criativo de composição das músicas e alterações no roteiro, a verdadeira protagonista do filme é a relação pessoal da escritora britânica P. L. Travers com sua própria obra.

No longo flashback que vai-e-vem durante o filme, o resgate da sua infância e as influências claras para os personagens perfazem um melodrama típico do mundo da Disney, e pouco efervescente ao mundo do cinema. Emma brilha com os fricotes e intempestividades de sua personagem, ainda assim incapaz de salvar o resultado final da enfadonha assinatura do estúdio que o produziu.

12 Anos de Escravidão

12anosdeescravidao12 Years a Slave (EUA – 2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Entristece um pouco pensar que Steve McQueen, um dos cineastas mais intrigantes da recente safra de novos diretores, vá ganhar o Oscar com o filme mais “convencional” de sua curta carreira. Este é apenas o terceiro longa. Favorito absoluto na corrida deste ano ao “careca dourado”, porém por mais consistente e fabuloso que seja seu filme, ficou de lado aquela perturbação de seus trabalhos anteriores em prol de uma história justa.

Porque, afinal, este é um daqueles filmes que precisavam ser filmados, uma daqueles histórias que precisavam ser contadas, e toda aquela ladainha blasé. Trata-se da biografia de um homem (cuja trajetória representa a de inúmeros outros à época). Um negro livre (Chiwetel Ejiofor), sequestrado e escravizado, durante 12 anos. Tempo suficiente para McQueen transpassar às telas toda a indignação com a escravidão.

12anosdeescravidao_2Injustiças, açoites e humilhações, qualquer sabe o que esperar dessa história. Capatazes impiedosos, fazendeiros sádicos (Michael Fassbender), todo e qualquer tipo de abuso nas relações raciais. A narrativa de McQueen é densa, sóbria, consistente. Aliada o tradicional ao seco, mesmo os momentos mais dramáticos tem ausência do melodrama, retrato estéril do estilo do cineasta. Por exemplo, na grande cena do filme, as chibatas no tronco, são de uma agressividade impar, o corte do corpo, o jorrar do sangue, impressiona mais o exercício cirúrgico do que a novela de um homem sofrendo todas as dores do mundo.

Rock of Ages

Rock of Ages (2012 – EUA)

Estava pronto a dizer que o filme de Adam Shankman não servia para praticamente nada, aliás dificil encontrar um filme que se salve na filmografia desse diretor. Mas não, o filme indica, por exemplo, a total decadência de Catherine Zeta-Jones. É triste olhar para aquele símbolo de beleza e elegância e se dar conta de que tipo de papel ela acabou caindo nessa altura da carreira.

Há outros nomes de peso em papéis caricatos, como Alec Baldwin e Paul Giamatti, e até a roubada de cena de Tom Cruise (que definitivamente mostra que não tem vergonha de se expor), nada que possa ser relevante e salvar essa adaptação de um musical da Broadway que tenta resgatar as bandas de rock do final dos anos 80.

Entre um hit e outro cantando pelo elenco, surge a história do astro em crise (Tom Cruise), e, do casal de protagonistas que tenta ganhar a vida na cidade grande, realizando o sonho de se tornar cantor de sucessos. Muita água com açucar, atuações pífias, o completo excesso do exagero.