Posts com Tag ‘Paul Newman’

cortinarasgadaTorn Curtain (1966 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Embalados pela música, um casal troca carícias debaixo dos cobertores. O frio é de rachar no navio que se aproxima da região escandinava. Na conversa, o tema casamento é levantado, mas algum segredo reside nas entrelinhas de outros assuntos. Um radiograma, uma mentira, a letra π, um livro com mensagem cifrada. Julie Andrews interpreta a assistente e noiva de um cientista, sua figura é contraponto que tenta desfigurar o clichê da história.

A cortina do título faz menção a Cortina de Ferro, a denominação dada nos tempos de Guerra Fria aos limites que separavam o comunismo do capitalismo na Europa, mais relevantemente em Berlim, que era a cidade dividida funcionando como uma espécie de vitrine das duas superpotências, que disputavam a hegemonia mundial. Sem dúvidas, essa conjuntura é um prato cheio para filmes sobre intrigas internacionais, espionagens e coisas do gênero.

A fragilidade da concepção do roteiro perpetua um caminho sem volta ao filme. Os comunistas não chegam a ser tratados como vilões, apenas inimigos como eram, mas são subestimados de uma forma tão inconsciente que o ambiente de suspense cede espaço a descrença. Há momentos que não podem ser levados a sério (exemplo: fuga da universidade), e mesmo se algumas cenas funcionassem melhor (exemplo: a seqüência no ônibus) teríamos somente uma diluição da problemática do roteiro.

O cientista americano que finge mudar de lado, para roubar informações secretas de um físico alemão, protagoniza pelo menos dois momentos de forte emoção. A cena no teatro, com os soldados fechando o cerco, e a certeza de serem apanhados é envolvente, e com um desfecho formidável. No entanto é na morte de Gromek que Alfred Hitchcock traz algo de especial. Toda a seqüência é angustiante, em cada gesto acompanhamos a luta pela vida, a resistência até o próprio limite. Hitchcock foge do convencional no cinema e apresenta uma morte detalhada, a dificuldade para acabar com uma vida está ali estampada em cada gota de suor, em cada contra-ataque. Naquele momento nada é mais importante do que sua sobrevivência.

acordodinheiroThe Color of Money (1986 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Vinte e cinco anos depois, o jogador de sinuca de Desafio à Corrupção (Eddie Felson), vende bebidas em bares. Num desses, depara-se com um jovem e promissor jogador. Vincent (Tom Cruise) é quase um show-man, impossível não reparar em seus gritos e rodopiadas, enquanto encaçapa bolas sem parar, e completando o espetáculo exibicionista beijando sua namorada, Carmen (Mary Elizabeth Mastrantonio) sentada ao lado. A mesa verde é seu palco, e Eddie (Paul Newman) vê no garoto a grande chance de faturar uma boa grana no torneio de Atlantic City. Carmen é uma mulher de visão estratégica (puro eufemismo), e com Eddie formam uma equipe para transformar Vincent em seu pupilo, ensinando-lhe os macetes necessários, o momento certo de ganhar.

A fumaça de um cigarro, o pano verde da mesa e a voz de Martin Scorsese servindo como abre-alas. Paul Newman, um monstro em cena, porém a figura principal do filme é Scorsese, e quando o diretor rouba a cena, algo parece está destoando. O talento do diretor significa ao filme cenas magistrais, principalmente quando a câmera acompanha as bolinhas de perto, ou quando temos uma visão panorâmica da mesa, são seqüências de se tirar o fôlego, um deleite. O confronto pessoal entre mestre e pupilo deveria ser a tônica do filme, o roteiro preparou toda a armadilha para isso, com pequenas surpresas que não deixam espaço para o clichê, mas faltou transpor aos acontecimentos a tensão. Quando a rixa entre o garotão Vincent e o experiente Eddie começa a ser desenhada, Vincent sai de cena por um tempo e o filme fica se torna a redenção de Eddie.

Outra peça crucial que não funciona como deveria é Carmen, sua posição chave de manipulação de Vincent é posta de lado, mas a apagada Mary Elizabeth Mastrantonio (que até tem seu momento numa cena insinuante no quarto de hotel) não consegue galgar a importância que sua personagem deveria ter, a dissimulada torna-se mera interesseira. A Cor do Dinheiro beira a aventura, com humor, boa trilha sonora e um clima que demora a chegar ao drama.

Road To Perdition Tom Hanks © 20th Century FoxRoad to Perdition (2002 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Sam Mendes vem construindo uma sólida carreira com seus mais recentes trabalhos, após o sucesso estrondoso de Beleza Americana. Neste seu novo filme, o complicado relacionamento pai-filho, envolto por o orgulho e a frieza. A família em primeiro lugar, custe o que custar. É curioso como Mendes unifica road movie, cinema policial e um denso drama familiar num único roteiro, meticuloso no direção, e sempre envolto num tom sóbrio, seu filme guarda pequenas explosões emocionais, e muito da hombridade de seus personagens apegados a suas convicções e própria ética.

Mike Sullivan (Tom Hanks) ficou órfão muito cedo e foi acolhido, como filho, pelo gangster John Rooney (Paul Newman). Hoje, o equilibrado e prudente Mike é o braço direito nos negócios. Essa relação pai-filho é posta em xeque pela relação de ambos com seus filhos legítimos. De uma traquinagem curiosa infantil para um tragédia familiar, despertando desejo (e necessidade) de vingança e colocando em lados opostos, por necessidade de proteger a cria, dois que nada tem um contra o outro. Tragédias postas à mesa, começa a caça entre gato e rato, e Mendes dosa muito bem todas as questões nas relações interpessoais dos personagens, o conflito entre sentimentos e necessidade de sobrevivência, a obrigatoriedade da escolha. Os tons cinzas da fotografia primorosa de Conrad L. Hall (o mesmo de Beleza Americana e Butch Cassidy), e as duas cenas inesquecíveis de Paul Newman (sob a chuva e o soco na mesa) dão ao filme uma dimensão além do que ele talvez merecesse.

apiscinamortalThe Drowning Pool (1975 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Paul Newman volta a interpretar Lew Harper, quase uma década após Harper – O Caçador de Aventuras, de 1966. Detetive particular mulherengo, durão e persistente, com pinta de machão, dessa vez se envolve profundamente numa rede de assassinatos e corrupção relacionados a indústria de petróleo. Tudo começa quando uma ex-namorada, Iris (Joanne Woodward), pede sua ajuda para investigar quem enviou uma carta chantageando-a com insinuando de suas relações extraconjugais.

Iris é casada com um magnata (Murray Hamilton) do mundo do petróleo, mas a casa é realmente administrada, com mãos de ferro, pela sogra. Enquanto Harper procura o motorista da família, que acaba de ser demitido, em busca de pistas do chantagista, a sogra é assassinada, dando início a uma série de crimes e mistérios.  Quem rouba realmente a cena é a filha lolita de Iris, os dotes de beleza e sensualidade da jovem Schuyler (Melanie Griffith em seu segundo papel importante) são os únicos momentos que garantiram recordações ao público. O roteiro beira o desinteresse, e a direção de Stuart Rosenberg não foi capaz de manter o clima de mistérios, e haja cenas com mulheres caindo aos pés de Paul Newman.