Posts com Tag ‘Paul Thomas Anderson’

Phantom Thread (2017 – EUA) 

Os opostos se atraem é uma daquelas máximas que os românticos se apegam para explicar, o que nem sempre pode ser explicado no amor. Não é bem isso o que resume o relacionamento entre o estilista Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) e sua musa, Alma (Vicky Krieps), está mais para algo doentio e ao mesmo tempo que os tire da zona de conforto,que provoca e confronta, por mais que viver assim possa não ser tão sadio.

A inspiração de Paul Thomas Anderson veio do designer basco Cristóbal Balenciaga, conhecido como O Arquiteto da Costura, e o cineasta americano se coloca aqui como um arquiteto do cinema, tamanha sua preocupação com que controla cada elemento e cada emoção em cena. Um conto sobre a mascunilidade em tempos em que o feminismo ganha espaço, mas é uma visão critica esse mundo em que o masculino dominante podia abusar do chamado sexo frágil, o cineasta vende exatamente o oposto, numa casa onde um homem lidera tantas mulheres, e é dominado simultaneamente.

O filme é silencioso, tal qual Woodcock leva cada movimento de sua vida, é possível ouvir a cada vez que a xícara toca no bule durante um café da manha, e esses momentos são importantes porque há significado em mostrar a elegância o quão meticuloso ele é. Enquanto isso, a destrambelhada garçonete o atrai e o enlouquece por não aceitar a passividade como única forma de sobrevivência.

Um romance que é quase um filme de terror, um jogo psicológico de atração e obsessão. De um lado o egocêntrico, a estrela intocável, o eterno garoto ingênuo em emoções e no trato com os demais. De outro a mulher provocadora, inquieta, que não aceita calada o que tentam lhe impor, mas que se permite alimentar esse fascínio pelo frágil homem forte. Com atuações (não só Day-Lewis e Krieps, como Lesley Manville como a irmã dominadora) e trilha sonora impecáveis, e um raro domínio da luz nos ambientes fechados, Trama Fantasma é um hipnótico experimento de um tipo de relacionamento opressivo, tóxico e instigante, um vício da qual não se consegue superar.

Junun

Publicado: novembro 15, 2015 em Cinema
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jununJunun (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O guitarrista Johny Greenwood, e o músico israelense Shye Bem Tur partiram, numa viagem de três semanas, para a gravação de um disco, na região de Rajasthan, junto com diversos outros músicos locais. Com uma câmera, e um drone, o cineasta Paul Thomas Anderson (amigo do músico do Radiohead) também partiu nessa aventura pelo norte da Índia. Foi uma surpresa, o documentário misterioso simplesmente apareceu na programação do Festival de Nova York, sem que ninguém esperasse.

O registro dos ensaios e gravações é feito no estúdio improvisado no magnífico Forte Merangar. O cineasta americano tenta captar o som, unificando-se ao ambiente e ao clima de quase transe dos músicos com o ritmo. Junun tem o significado de “loucura do amor” em árabe, e pela presença de PTA, nos tornarmos testemunhas pela viagem sonora causada pelas misturas e influências heterogêneas de todos.

vicioinerenteInherent Vice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É como se Paul Thomas Anderson condensasse toda a parte descolada de sua carreira num único filme. Sua bastante fiel adaptação do livro homônimo de Thomas Pynchon é um noir multicolorido, e animado em sua trilha sonora, em permanente viagem de entorpecentes. Esse espírito captado por Anderson é tal qual o livro. A sensação de que o detevido “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) vive em constante efeito de drogas, e outros alucinógenos, é a verdadeira linha narrativa utilizada por Pynchon e por Anderson.

O detetive se mete nas maiores confusões quando se envolve a investigar um pedido de sua ex, de gangues de motoqueiros nazistas, a um navio de contrabando, passando por um policial estranhíssimo, tudo é motivo para Doc “fumar um”. Este noir pós-moderno de Anderson carrega tons sexuais, o colorido dos hippies dos anos 70, e doses cavalares de humor por uma Califórnia extravagante e sensual.

Seguir todos os acontecimentos (tanto no filme, quanto no livro) se mostra uma perda de tempo, é impossível, é confuso, não deve mesmo fazer sentido nem na cabeça do autor. Talvez por isso consiga traduzir tão bem a essência dos anos 70, a malemolência, o suingue de quem coloca sua vida em risco e simplesmente ri de tudo a seguir. Anderson sai dos temas tão densos, da rigidez religiosa, para um clima de liberdade total, de descompromisso, o submundo do retrato da liberdade setentista.

Outros Filmes de Paul Thomas Anderson aqui na Toca: Jogada de Risco | Boogie Nights | Magnólia | Embriagado de Amor | Sangue Negro | O Mestre

Nicole+Kidman+Nicole+Kidman+Films+Grace+Monaco• A próxima edição do Festival de Cannes terá como filme de abertura: Grace: A Princesa de Mônaco“, dirigido pelo francês Olivier Dahan [Uol Cinema]

• Martin Scorsese sendo entrevistado por Paul Thomas Anderson sobre O Lobo de Wall Street [Indiewire]

• Sundance 2014: difícil encontrar unanimidades e grandes destaques, um com alguns elogios foi Frank, dirigido por Lenny Abrahamson [Hollywood Reporter] [Telegraph] [Indiewire]

• E falando em cinema independente, vale ressaltar que ontem começou mais uma edição do Festival de Tiradentes, os independentes nacionais [Tiradentes]

• Quando Eu Era Vivo, trailer do filme de terror dirigido por Marco Dutra, com Marat Derscartes e Sandy, que estreia na próxima sexta-feira, e que está em Tiradentes essa semana [Youtube]

• Tarantino: roteiro do próximo filme vazou e ele resolveu desistir de tudo [Uol Cinema]

• Encerrando com esse trailer alternativo do filme Ela (de Spike Jonze), o cara trocou a voz de Scarlett Johansson por trechos de falas de Philip Seymour Hoffman. Great! [Vimeo]

A lista dos meus filmes preferidos do ano, entre todos que entraram em cartaz no circuito brasileiro.

top 10 2013 Circuito

omestreThe Master (EUA – 2012) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Paul Thomas Anderson coloca-se, definitivamente, num estágio de cinema em que não se permite filmes fáceis. Filma com a grandiosidade de épicos (usa 70mm dessa vez), mas está sempre privilegiando relações pessoais (pai e filho em Sangue Negro, amorosa em Embriagado de Amor, de todos os tipos em Magnolia) complicadas, confrontos rigorosos. Aqui ele tomou emprestado os primórdios da Cientologia, a similaridade é óbvia, indiscutível, basta ler poucas linhas sobre o homem que criou a polêmica religião. Mas o diretor prefere fugir da biografia. Está interessado em desenvolver um tipo de relacionamento, uma espécie de confronto entre um homem tão vazio e outro tão absurdamente vaidoso.

Coloca, lado a lado, o desmiolado, problemático, alcoólatra e violento, Freddie (Joaquin Phoenix), uma espécie de veterano de guerra zé-ninguém. E o escritor, físico nuclear, entre outras atividades, mas acima de tudo, manipulador, Lancaster (Philip Seymour Hoffman). O poder de persuasão de Lancaster é tamanho que praticamente catequisa o eterno desinteressado em tudo que não seja sexo e embriaguez. A Causa (como PTA rebatizou a Cientologia) cresce, ganha adeptos, o mentor é questionado, e responde tão agressivamente quanto seu “animalzinho” Freddie. São esses os momentos em que Thomas Anderson critica abertamente a seita religiosa, as elucubrações cientificas, as regressões e histórias de vidas passadas, o cineasta não é sutil em cutucar, mas sempre mostra que seu tema central é outro, o confronto Freddie e Lancaster.

Porque um deseja “domesticar”, o outro ser “domesticado”, mas tente fazer isso com alguém tão vazio que é incapaz de ter fé. O filme é todo moldado nessa cumplicidade inexplicável, alimentada pela empatia, e nisso a trilha sonora de Jonny Greenwood é fundamental. Sem falar nas atuações monstruosas da dupla principal, o errático e o mestre, personagens tão complexos e tão bestiais, fora Amy Adams e suas aparições felinas, carregadas de opinião. Onde Paul Thomas Anderson não conseguiu chegar? No grande público por suas opções estéticas e narrativa não convencional, isso é óbvio e até ponto positivo, mas falta um toque de obra-prima, aquilo que transforma o bem-feito em mágico, que te agarra pelo estômago.

Que confusão foi a festa de premiação dessa edição do Festival de Veneza. Tudo começou no palco, os prêmios até que não surpreenderam tanto (talvez Seidl tomando o lugar de Bellocchio, dentro das especulações dos jornalistas). O burburinho o dia todo era forte no twitter de que o Leão de Ouro seria para Kim Ki-Duk. Durante a premiação, a maior confusão da história. Philip Seymour Hoffman subiu ao palco para representar Paul Thomas Anderson e receber o prêmio de direção, logo a seguir Seidl Ulrich recebeu seu prêmio. Então alguém se deu conta que estavam trocados, chamam Hoffman no palco, eles trocam os prêmios, Hoffman deixa cair nas escadas, uma confusão.

Depois Kim Ki-Duk decide cantar, à capela, a música Arirang, que ele pegou emprestado o título para um documentário autobiográfico que ele filmou ano passado sobre sua crise “existencial”, e que ganhou melhor filme na Mostra Un Certain Regard de Cannes. Porém, agora a polêmica é outra, dizem (Hollywood Reporter principalmente) que os jurados queria dar 3 prêmios a The Master, inclusive o Leão de Ouro, e o festival só permitiu 2. O dificil é entender, e acreditar, já que resolveram tirar logo o principal prêmio, dessas especulações malucas que nunca saberemos a verdade.

No fundo, Veneza termina com uma quantidade interessante de filmes a serem vistos nos próximos meses, ara é esperar a oportunidade por eles. Segue a lista dos principais prêmios:

Leão de Ouro: ‘Pieta’, de Kim Ki-duk

Leão de Prata – Melhor Diretor: ‘The Master’, de Paul Thomas Anderson

Especial do Juri: ‘Paradise: Faith’, de Ulrich Seidl

Melhor Ator: Philip Seymour Hoffman and Joaquin Phoenix, por ‘The Master’

Melhor Atriz: Hadas Yaron, por ‘Fill the Void’

Melhor Roteiro: ‘Something in the Air’, de Olivier Assayas

Contribuição Técnica: ‘It Was the Son’, de Daniele Cipri

Melhor Jovem Ator/Atriz: Fabrizio Falco, de ‘It Was the Son’ e ‘Dormant Beauty’

Luigi De Laurentiis Leão do Futuro: ‘Mold’, de Ali Aydin

Orizzonti – Melhor Filme: ‘Three Sisters’, de Wang Bing

Orizzonti – Especial do Juri: ‘Tango Libre’, de Frederic Fonteyne

O sábado começou com Paul Thomas Anderson criando estardalhaço. Alguns maravilhados, outros digerindo, uma coletiva de imprensa maluca com Joaquin Phoenix esquizofrênico, ninguém passou ileso ao filme. No elenco outro habitué dos trabalhos de PTA, Philip Seymour Hoffman, e Amy Adams completa o elenco central. ‘The Master’ é inspirado na Cientologia, aparentemente o filme se apresenta um estudo dessas seitas religiosas cheia de costumes estranhos. Como dizem no futebol “pintou o campeão”, e aguardem o filme no Oscar do ano que vem.

Críticas: Cine-VueEl PaísIn-Contention

Termômetro: obrigatório

Depois da avalanche, sobrou pouco espaço para outros filmes. Como no caso do italiano ‘E Stato il Figlio’, de Daniele Cipri (diretor de fotografia de filmes de Marco Bellocchio), não agradou muito. Um sujeito sentado na porta dos Correios narrando histórias da cidade, tragicômico, com altas doses de envolvimento com a máfia na Silicia.

Críticas: Hollywood ReporterCine-Vue Último Segundo

Termômetro: morno

Paul Thomas Anderson

Publicado: agosto 4, 2008 em Perfil
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Paul Thomas Anderson and Dainel Day-Lewis

Quando assisti Magnólia, pela primeira vez, fiquei completamente estarrecido, boquiaberto. Buscando compreender detalhes, e pequenas informações complementares, que estão espalhadas pelo filme que nos fazem buscar o algo além da projeção, a conexão com a chuva de sapos, alguma luz para montar o quebra-cabeças. Desvendando, ou não, o enigma, de maneira isolada o filme já é tão estarrecedor, que cada história em si é um pequeno filme, uma pequena jóia da natureza humana, das mazelas que percorrem nossas vidas. Culminando com o “coisas estranhas acontecem” e por não podermos controlar tudo, o inesperado é o que faz da vida a surpresa diária que ela é. Voltando a Magnólia, já fiz revisões, já assisti apenas algumas cenas em particular, não importa, o filme continua poderoso, continuo delirando com o travelling dentro do bar, ao som de Supertramp. Ainda me emociono, e me arrepio, com duas cenas explosivas de Julianne Moore. E tantas outras situações que despertam uma montanha-russa de sentimentos.

O nome ficou marcado na mente, o californiano Paul Thomas Anderson era um cineasta para se olhar atentamente. E hoje, impressiona a solidez de uma carreira com apenas cinco longa-metragens e um cinema autoral, com ecos de Robert Altman, com a altivez dos planos-sequecia de Martin Scorsese, mas com sua visão california da natureza humana, religião, do amor e do sexo. Ora num conjunto de planos e movimentos de câmera que passaram de marca registrada a obsessão cinéfila, ora na repetição de atores talentosos que hoje são grandes nomes do cinema (melhor exemplo é Phillip Seymour Hoffman), o cineasta chegou à envergadura de ter seu filme cogitado ao Oscar, antes mesmo de ser lançado.

jogadaderiscojpgSua estréia promissora foi com Jogada de Risco (saindo de uma espécie de workshop no Festival de Sundance), uma trama policial envolvendo cassinos e esse submundo do jogo, só que de uma maneira paternalista, Anderson esconde a beleza da reparação de um erro do passado, nessa trama que fede a dinheiro de uma forma muito elegante. Ali estava Philip Baker Hall num personagem distinto que com a elegância das tomadas tornava-se simultaneamente glamoroso e humilde, sobrando pouco espaço a um explosivo Samuel L. Jackson, e um pacato John C. Reilly, além da dúbia Gwyneth Paltrow.

boogienightsDali partia para o seu primeiro filme-painel, Boogie Nights o mundo do cinema pornô, entre festas e gravações conhecemos a vida, os problemas, a fama e a desgraça de atores, cineastas, técnicos e demais envolvidos nesse lucrativo nicho cinematográfico. Envolto em um clima positivo de festas à beira da piscina, o que temos são personagens flagelados, tristes, ou que não conseguem lidar com a fama que surge repentinamente. Mark Wahlberg é um astro, bem-dotado, em franca ascensão. Um mundo marcado por solidão, vício de drogas, sonhos, e uma carência familiar. E P.T. Anderson acompanha o desenrolar de tantos personagens prevalecendo a depressão que pontua suas vidas.

magnolia2Depois veio sua obra-prima, novo filme-mosaico, Magnólia é formado por várias histórias que se entrecruzam pela rua que dá nome ao título. Além da proximidade geográfica, há também a proximidade dramática de vidas no limite. Pais e filhos, solidão, sucesso e fracasso, amor, dinheiro, erros e mais erros, que cometemos, e nos arrependemos, e nos culpamos, e esperamos, até o limite para serem reparados. Mas a vida esconde surpresas, o inesperado acontece, e no filme de P.T. Anderson, no momento de maior clímax, quando tudo parece fadado ao fracasso total, surge uma intervenção, um acontecimento, e cada pessoa encontra seu destino, seu fim, um refúgio para sua estrada.

embriagadodeamorQuando aportou pelo gênero comédia romântica, o cineasta quis algo diferente. Encontra em Adam Sandler o protagonista desse romance que foge do gênero. Ele descobre um erro numa promoção de iogurtes, e encontra o amor nos contornos da doce e delicada Emily Watson. E P.T. Anderson nos embriaga pelo êxtase do sentimento que toma conta do personagem central, e ficamos ali anestesiados pela presença constante do azul e vermelho, pela sutileza com que se desenlaça o romance, pela guerra verbal de Sandler e Philip Seymour Hoffman. Pela genuinidade de amor que transcende a solidão, e a timidez de uma forma a quebrar comportamentos pré-definidos e nos refazer como pessoas.

sanguenegroE finalmente a consagração do grande público veio com as inúmeras indicações ao Oscar de Sangue Negro, um filme ambicioso, megalomaníaco, tal qual Daniel Plainview e sua feroz busca por perfurações de petróleo em cada canto dos EUA. Um homem solitário, desprendido de sentimentos a qualquer pessoa, focado em sua meta ambição. Trata-se de um filme de sangue, de crenças, de religião, e do sentimento que no fundo rege a sociedade: ganância. P.T. Anderson quer provar que no fundo, os outros sentimentos só valem quando não estão ferindo a ganância. E dentro de um apuro técnico invejável, o cineasta traz uma narrativa surpreendente, um épico moderno.

Além da beleza de seus planos, de cenas memoráveis e da busca por sufocar seus personagens rumo ao limite, há em P.T. Anderson a exploração da solidão como constante humana, em todos os seus filmes há pessoas solitárias em suas vidas, incapazes de se desprenderem dessa tristeza. O tema pai e filho também se repete, e de formas e visões diferentes, desde o desprezo do pai, ao desprezo do filho, e até mesmo a ressurreição dessa relação. E a obsessão por dinheiro/sucesso/fama também é figura presente, e aqui o diretor não se cansa de alternar situações para comprovar que a humanidade está fadada a viver sob a constante busca por mais, uma forma incessante de manter-se em eterna depreciação. Resta aguardar o que mais P. T. Anderson terá a nos oferecer no futuro.

Filmografia Comentada: 1996 Jogada de Risco | 1997 Boogie Nights | 1999 Magnólia | 2002 Embriagado de Amor | 2007 Sangue Negro

jogadaderiscojpgHard Eight (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A câmera segue num plano-seqüência, o plano vai fechando na porta de uma lanchonete, onde focaliza John (John C. Reilly) sentando à porta, no chão, desolado. A imagem representava o olhar, ao caminhar, de Sydney (Philip Baker Hall). Eles trocam uma breve conversa, até sentarem-se numa mesa. Estão em Las Vegas, John perdeu o pouco dinheiro que tinha, sua idéia era conseguir a quantia necessária para o funeral da avó. Sydney promete ajudá-lo com um pequeno truque no cassino.

Surge uma grande amizade. A narrativa pula para dois anos adiante, John é praticamente um seguidor do amigo, porém Paul Thomas Anderson guarda o segredo que os uniu nessa amizade. E este segredo é revelado pelas relações dos dois com a garçonete/prostituta Clementine (Gwyneth Paltrow) e o leão-de-chácara Jimmy (Samuel L. Jackson). Anderson estreava na direção de forma surpreendente, com roteiro enxuto, algumas tomadas lindas, e as primeiras mostras de todo o virtuosismo que estaria presente em seus próximos filmes. Uma história de paternalismo forçado, por um passado obscuro, acontecendo num ambiente onde tudo fede a dinheiro e interesses escusos.