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Transit (2018 – ALE) 

O perído histórico não está bem definido, mas fica claro que vem muito depois do que conhecemos como o fim da Segunda Guerra Mundial. Uma França ainda ocupada pelos Nazistas. O novo melodrama do alemão Christian Petzold faz um paralelo entre àquela caça aos Judeus e a atual contra os imigrantes. Novamente com seu estilo sutil e delicado, onde cada plano oferece charme e requinte.

São personagens com dramas que se entrecruzam, uns que esperam alguém (a esposa, o marido) para fugirem, outros que tenta regularizar os papéis para conseguirem permissão para partir. Nesse contexto Petzold narra histórias de amor, carnais ou não, outras com interesse, mas, sobretudo histórias de amor. E sob sua narrativa peculiar e hipnotizante acompanhamos as idas e vindas de personagens, as expectativas de desventuras. Petzold trazendo questões atuais e urgentes, sem perder sua linha autoral, num dos grandes filmes do ano. Nos resta lamentar que seus filmes não tem conseguido espaço nos cinemas brasileiros.


Festival: Berlim 2018

Mostra: competição principal

frantzFrantz (2016 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É com elegância que François Ozon conduz o drama romântico, pós primeira guerra mundial, remake de Não Matarás (Ernest Lubitsch). Não é seu primeiro filme de época, mas fazia tempo que o cineasta francês não entregava um filme, relativamente, bom, como é o caso aqui. Filmado em branco e preto (apenas algumas cenas ganham cores, e tem significado velado para causar diferenciação), a trama é sobre um alemão indo à França (invertido na comparação com o original) visitar os familiares do amigo francês que morreu na guerra.

Os sentimentos dos lados opostos correm na fúria dos olhos, os resquícios do ódio entre alemães e franceses vive em cada cena do filme, não importa qual dos países seja o cenário. Adrien (Pierre Niney) visita o túmulo do soldado falecido, carregado de tristeza, saudade, remorso, não se sabe ao certo o que se passa com ele. E os segredos só são revelados, pouco-a-pouco, quanto mais ele se aproxima da família de Frantz, principalmente de sua noiva (Paula Beer).

O filme caminha para um desenlace romântico inesperado, mas ganha contornos inesperados após revelações, cartas, e a ida da jovem à França. Dessa forma, o filme mostra o outro lado aos olhos da jovem corajosa, e nos permite vagar por um desfecho inesperado, coerente, que é apenas o melhor resultado para um filme que vai crescendo perto do seu fim. Sempre com essa elegância que Ozon teima em impregar em seu trabalho, dessa vez um tiro certo.