Posts com Tag ‘Paulo José’

afestadameninamortaA Festa da Menina Morta (2008) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Rapidamente, Matheus Nachtergaele se colocou como um dos ícones, da melhor safra, do cinema nacional mais recente. De filmes populares a outros “mais artísticos”, o ator esteve presente, e com, 2-3 outros atores, se tornou sinonimo de cinema nacional. Sua única experiência na direção, onde até em Cannes foi parar, me parece ter sido o último prego no caixão que as novelas colocaram no caixão da carreira cinematográfica.

Nachtergaele viaja à região amazônica, adaptando alguma crença que por lá encontrou, de um figura carismática (Santinho – Daniel de Oliveira) que teria visões após a morte de sua irmã. O filme irregular desmascara a figura mimada, egoísta e adorado por um povo apto por acreditar em símbolos religiosos. Nachtergaele não escapa da caricatura que o próprio cria a seu personagem principal, entre os trejeitos homossexuais e o destempero das revelações pessoais às vésperas da festa de vinte anos da menina morta.

O Palhaço

Publicado: novembro 15, 2011 em Uncategorized
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 (2011)

“Tô cansado” “De quê?” “De tudo”, esse simples diálogo quase resume o filme. Mas, você, que já tem meia dúzia de histórias para contar nessa vida, já sentiu (ou sente diariamente) essa sensação melancólica de que está tudo errado, de que os caminhos que a vida te levou não são os que você deveria ter seguido, que no fundo “tá tudo errado mesmo”? Se não, sinta-se um grande privilegiado, você é minoria, porque o que mais se você nessa vida é gente carregando essa desilusão, e o peso do “se” pairando sobre os ombros. E o novo trabalho como diretor de Selton Mello pega emprestado o mundo do circo, mas quer mesmo é tratar desse quê deprimido enraizado em tanta gente. O filme traz essa melancolia nata, esse sorriso amarelo de um palhaço que faz tanta gente rir, e quem vai fazê-lo sorrir?

Um filme divertido, afinal é o mundo do circo, não faltam apresentações para Selton e Paulo José mostraram seus dotes de comediantes (até um momento quero ser Chaplin num caminhão de bóia-fria), mas por trás há toda a rotina quase miserável de uma trupe circense cruzando o interior do país, apenas sobrevivendo. Dentro dessa atmosfera sem perspectivas, sem esperança, surge o cineasta Selton tentando se encontrar, sua meta é clara, aproximar o artístico do popular, sua narrativa é simples, quase em tom de fábula, ainda assim busca cenas que vão além da ação, tenta trazer o reflexivo, almeja a poesia. Porém, seu filme é limpinho demais, tudo muito singelo, muito delicado, seu olhar é realmente carinhoso com tudo e todos, falta a sensação de suor, o cheiro de terra. É um filme cheio de boas intenções, realmente engraçado e capaz de se enxergar na tela como metáfora daquele palhaço em busca de sua real vocação (assim como estamos quase todos nós, não?).

ohomemquecopiavaO Homem que Copiava (2002) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

André (Lázaro Ramos) é muito mais do que um simples operador de foto-copiadora (como ele mesmo se intitula). O jovem de vinte anos, e vida humilde, é um desses brasileiros inexplicáveis pelos economistas, capaz de conseguir milagres com a magra remuneração que recebe, e ainda assim viver sob forte influência de seus sonhos. A influência é tamanha que seu primeiro desejo de consumo foi um binóculos e com ele André enfatiza o voyeurismo que faz sua mente viajar. Agora sua próxima meta é a vizinha que ele observa.

Ele não sabe nem o nome da moça, apenas conhece seus horários e a observa pela janela. André trama milhares de maneiras de conhecê-la, planeja, com detalhes, uma forma de se aproximar. Mas sem dinheiro é muito difícil, como convidar uma garota para sair se nem o cinema ele pode pagar? Daí vem sua primeira grande idéia, porque não tentar fazer uma cópia de uma nota de cinqüenta?

O que se tratava de uma descontraída comédia romântica parte num caminho sem volta para a trama policial. Jorge Furtado extrapola no roteiro, com seu estilo característico (de humor e jovialidade), coloca seu protagonista (usando muita narração em of)f detalhando seu estilo de vida, segundos depois confirma com a imagem o que acaba de ser narrado. Dessa torna seu filme engraçadinho, porém infantilizado ao extremo, fora que a ferramenta chega a ser cansativa de tão utilizada. Outro ponto é a completa transformação dos personagens, para Furtado todos são corruptíveis, e seu roteiro vende facilmente cada um de seus personagens. A simples cópia de uma nota é apenas o pontapé inicial para delitos cada vez mais perigosos.

Mas não pensem que o filme é um equívoco. Todo o desenlace amoroso, com a aproximação do casal, a química entre Leandra Leal e Lázaro Ramos, e as divertidas participações de Pedro Cardoso (naquele personagem que se tornou característico seu). Tudo é armado com diálogos inteligentes, e um romantismo contagiante.