Posts com Tag ‘Paulo Miklos’

californiaCalifórnia (2015) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O segundo longa-metragem de Marina Person, novamente, ressalta a exposição de sua própria biografia. Após o documentário Person, sobre o falecido pai cineasta, Marina agora resgata suas memórias adolescentes resgatando a adolescência feminina nos anos 80. Seu filme é todo certinho, pontua a situação política à época, se preocupa em cenários que dialogam com a década, toca em temas tabu com simpatia sem ferir ninguém.

Estela (Clara Gallo) é a alter-ego da cineasta, e pela vida escolar-familiar-sexual-cultural da garota que se estabelece a identificação com estes anos 80. Altamente conectada com o tio (Caio Blat) que mora na Califórnia e vive o drama da AIDS, a adolescente vive do sonho de uma viagem libertadora por solos americanos, enquanto vive de cartas e fitas que o tio se corresponde com o melhor do rock da época (Cure, REM, e muito David Bowie).

Marina dialoga sua feminilidade como se falasse com uma sobrinha, ou filha adolescente, e aproveitasse assim para ilustrar aquelas conversas espinhudas que, invariavelmente, acontecem, até que com algum tom apimentado. Os romances e os consolos, a proximidade com álcool e drogas, a dificuldade de relacionamento com os pais. Enquanto a diretora dá cabo de tudo isso, transforma suas lembranças numa versão extendida, e simpática, de Malhação, embalada por trilha sonora que nos empolga facilmente.

É Proibido Fumar

Publicado: agosto 3, 2010 em Cinema
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eproibidofumarÉ Proibido Fumar (2009) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Tudo ia bem, no filme de Anna Muylaert, o drama da solitária professora de violão (Glória Pires), que briga com as irmãs, por quem ficará com o sofá da tia de herança, é retrato de uma classe média pobre de espírito, sem ideais. Uma classe-média focada apenas em sua rotina cansada, de nenhuma emoção, e em busca dos clichês da sociedade (casamento, família, novela).

Chega o vizinho no apartamento do lado, pouco refinado, o cantor de churrascaria (Paulo Miklos), todo metido a boa lábia, engata um romance com a vizinha. A vértice musical une o casal, ela gosta de Chico, ele de Jorge Ben. O roteiro não empolgava, mas caminhava agradável. O ciúme dela, as visitas para depilação no salão de beleza, Muylaert pontuava bem seus personagens, até que resolveu aparecer com a ex-esposa. e dá dó ver o que vem a seguir.

O resultado é de uma fragilidade criativa decepcionante, o levemente agradável passa a incomodo, tendo o intuito de provar que o amor pode ser condescendente, pode ser compreensível, que perdoar não é necessariamente expressar verbalmente isso.