Posts com Tag ‘Pawel Pawlikowski’

Zimna Wojna / Cold War (2018 – POL)

Não é difícil se encantar com o novo filme de Pawel Pawlikowski. O romance em preto e branco, em ritmo de nouvelle vague e cinema noir, o charme com que a câmera capta a noite em que o casal caminha por ruas de Paris ou da Polônia, nos anos 50 da Guerra Fria. E a melancolia de um amor que os atrae e, ao mesmo tempo afasta, em tantas fases da vida. É disso tudo que o filme trata, e uma história tão cara ao próprio cineasta, afinal é a história vida de seus pais.

Ele é Wiktor, o diretor musical de um grupo de música folclórica polonesa, entre as cantoras escolhe Zula, e se apaixona pela jovem. Lá se vão quinze anos das aventuras românticas que o filme faz questão de apresentar em tom de amor platônico entre exílios, casamentos que permitem cruzar a froneira oriental da Europa, separações e perseguição política. Além da tentativa de cada um desenvolver sua carreira, Pawlikowski oferece travelings charmosos, olhares tórridos, e muitas cenas de canções (folclóricas, jazz, cantadas em francês, polonês, até russo) capazes de quase hipnotizar parte do público com sofisticação e nuances dos altos e baixos desse amor celebrado com a belíssima cena final. Há tantos filmes que não sabem terminar, aqui  Pawlikowski não poderia encerrar tão bem.

idaIda (2013 – POL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Outro filme em que o rigor estético, orquestrado pelo diretor (Pawel Pawlikowski) é a chave para sobressair-se na cena do cinema contemporâneo. Filmando em branco e preto, Pawolikowski vai à década de 60 na Polônia. Uma jovem (Agata Trzebuchowska), prestes a ser tornar freira, vai ao encontro de sua tia (Agata Kulesza) e única parente.

Em poucos dias, as duas partes numa busca pela verdade, ao corpo dos parentes que morreram nos massacres de judeus na Segunda Guerra Mundial. Enquanto a jovem Ida vive um pouco fora do convento, antes de se finalmente confirmar seus votos. Enquanto a tia lhe mostra um pouco do mundo, e o quanto é uma mulher forte e fragilizada, as duas resgatam novamente o passado assombroso do Nazismo.

Desprovido de sentimentalismo, a narrativa seca e elegante prima pela força estética empregada por Pawolikowski que resgata as regiões distantes das grandes cidades, o mundo do campo, entre vegetações secas e casas simples. Ida é seguro, cirúrgico, e exemplarmente resumido pelos olhos da jovem que testemunha uma realidade tão próxima que ela nem pensara ter vivido.