Julieta

julietaJulieta (2015 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Já faz um tempo que Pedro Almodóvar tem sido questionado, seus trabalhos não tem sido aquela quase unanimidade que o marcara entre Carne Trêmula e Fale com Ela. Por isso, o cineasta espanhol parece tentar se reinventar, afinal o piloto automático não combinaria muito com ele. Os dois filmes anteriores promoviam caminhos diferentes, doses de ousadia, mesmo que carregadas da assinatura de Almodóvar. O resultado final pareciam deixar a desejar, ou um grande fracasso (caso de Os Amantes Passageiros).

Eis que Almodóvar dá alguns passos atrás, volta a lidar com o melodrama, carregado de suas cores, tentando encontrar a jovialidade de seus primeiros trabalhos, e a sensibilidade feminina de seus maiores sucessos. Adaptando três contos da escritora canadense Alice Munro, o diretor nos apresenta Julieta (Emma Suárez/Adriana Ugarte). Em tom de mistério narra os dramas dessa mulher de meia-idade, que desiste do namorado para reviver sua depressão.

Sobretudo uma história a cerca da maternidade, mas também de amores, ciúmes e decepções. Enfim, todos os elementos que Almodóvar adora trabalhar, assim como as cores fortes e extravagantes, que não só marcam os ambientes como ajudam a representar os sentimentos de seus personagens. As duas atrizes, interpretando a mesma personagem, em diferentes fases da vida, oferecem a perfeita sensação de ser mesmo a mesma Julieta, isso é outro dos pontos fortes do filme.

Porém, o resultado final de Julieta é morno, quando a narrativa parece que vai decolar, algo escapa do controle e lá se foi o céu de brigadiero. É um sinal de Almodóvar tentando acertar novamente, sem deixar suas obsessões, sem deixar de ser ele mesmo, mas ainda buscando o novo dentro de sua própria carreira, e um movimento desses não pode ser menosprezado.

38ª Mostra SP

38MostraSP

Amanhã começa mais uma edição. A melhor programação da Mostra SP, desde o início do ineditismo. Ainda não se compara aos anos anteriores, mas já é um grande avanço. O cinema pop ainda segue de lado (dessa vez há um breve flerte com Foxcatcher e Livre, além de Almodóvar, claro), e a volta das sessões da meia-noite, aos sábados. A Mostra SP está mais robusta, não sabemos se por seus méritos ou pela crise financeira que vive o Grupo Estação (que pode ter resultado num Festival do Rio com menor poder financeiro).

Nem RJ e nem SP trouxeram alguns filmes importantes, Adeus à Linguagem (Jean-Luc Godard) foi a mais sentida. Mas, há outros grandes destaques que não estarão em nenhum dos festivais, entre eles; The Look of Silence (Joshua Oppenheimer), Saint Laurent (Bertrand Bonello), White Dog (Kornél Mundruczó), Pasolini (Ferrara), Fidelio L’Odyssee D’Alice (Lucie Borleteau), Phoenix (Christian Petzold), Eden (Mia Hansen-Love), o vencedor de San Sebastian Magical Girl (Carlos Vermut), além de Vício Inerente (Paul Thomas Anderson)

A Abertura será realizada hoje com o argentino Relatos Selvagens, de Damian Szifrón. Pedro Almodóvar é o grande homenageado, além de assinar o cartaz, uma retrospectiva, incompleta, deverá atrair parte do público. Mas, o Foco Espanha e a retrospectiva MK2 são ainda mais interessentes e oferecem um leque vasto de opções de grandes clássicos. Entre o cinema recente, a Mostra SP segue buscando novos diretores, filmografias obscuras, além de parte dos principais destaques dos festivais do ano (entre eles o vencedor de Cannes, Locarno e Veneza).

Como fiz no Festival do Rio, fiz abaixo um pequeno Guia, entre os filmes que serão exibidos na Mostra SP, com os filmes que estiveram nos grandes Festivais: Cannes, Veneza, Berlim, Sundance, San Sebastian e Locarno.

Post ficará fixo até o final da Mostra SP,  e os links serão atualizados quando filmes forem publicados aqui no blog. Entre os filmes dos principais festivais, maiúsculas para os filmes que destaco (os sem link ainda não foram vistos).

 

Sundance

 

Berlim

  • JACK [Edward Berger] – Competição
  • O Cidadão do Ano [Hans Petter Moland] – Competição
  • Macondo [Sudabeh Mortezai] – Competição
  • Beloved Sisters [Dominik Graf] – Competição
  • A Pequena Casa [Yoji Yamada] – Melhor Atriz
  • Entre Mundos [Feo Aladag] – Competição
  • Eu Não Estou com Raiva! [Reza Dormishian] – Panorama
  • O Retorno de Antígona [Yorgos Servetas] – Panorama
  • Pare ou Eu Sigo em Frente [Sophie Fillières] – Panorama

 

 Cannes

  • WINTER SLEEP [Nuri Bilge Ceylan] – Palma de Ouro
  • AS MARAVILHAS [Alice Rohrwacher] – vencedor do Grande Prêmio
  • DOIS DIAS, UMA NOITE [Jean-Pierre e Luc Dardenne] – destaque na competição
  • FOXCATCHER [Bennet Miller] – Melhor Diretor
  • LEVIATÃ [Andrey Zvyaginstev] –  prêmio de roteiro em Cannes
  • JAUJA [Lisandro Alonso] – grande destaque da Un Certain Regard
  • Força Maior [Ruben Ostlund] – prêmio do juri em Un Certain Regards, e um dos filmes mais comentandos do ano
  • O Segredo das Águas [Naomi Kawase] – Competição
  • RELATOS SELVAGENS [Damian Szifrón] – Competição
  • ACIMA DAS NUVENS [Olivier Assayas] – Competição
  • A GANGUE [Myroslav Slaboshpytskiy] – Melhor Filme na Semana da Crítica
  • O Homem que Elas Amavam Demais [André Téchiné]
  • Hermosa Juventud [Jaime Rosales] – Un Certain Regard
  • Amor à Primeira Briga [Thomas Cailley] – Quinzena dos Realizadores
  • As Horas Finais [Zach Hilditch] – Quinzena dos Realizadores
  • O Pequeno Quinquin [Bruno Dumont] – Quinzena dos Realizadores
  • Queen and Country [John Boorman] – Quinzena dos Realizadores
  • A Professora do Jardim da infância [Nadav Lapid]
  • Quando os Animais Sonham [Jonas Alexander Arnby] – Semana da Crítica
  • Snow in Paradise [Andrew Hulme] – Un Certain Regard
  • À Procura [Atom Egoyan] – Competição
  • Os Proprietários [Adilkhan Yerzhanov]
  • As Pontes de Saravejo [Aida Begic, Leonardo Di Costanzo, Jean-Luc Godard, Kamen Kalev, isild Le Besco, Sergei Loznitsa, Vincenzo Marra, Ursula Meier, Vladimir Perisic, Cristi Puiu, Marc Recha, Angela Schanelec, Teresa Villaverde]

 

Locarno

  • DO QUE VEM ANTES [Lav Diaz] – Leopardo de Ouro
  • O IDIOTA [Yury Bykov] – melhor ator
  • A Fuga [Syllas Tzoumerkas] – competição
  • Ventos de Agosto [Gabriel Mascaro] – menção honrosa na competição
  • Noites Brancas no Píer [Paul Vecchiali] – Competição
  • El Mudo [Daniel Vega, Diego Vega] – Competição
  • Mary, A Rainha da Escócia [Thomas Imbach] – Competição 2013

 

Veneza

  • UM POMBO POUSOU NUM GALHO REFLETINDO SOBRE A EXISTÊNCIA [Roy Andersso] – Leão de Ouro
  • AS NOITES BRANCAS DO CARTEIRO [Andrei Konchalovsky] – Melhor Diretor
  • Almas Negras [Francesco Munzi] – Competição
  • Tsili [Amos Gitai] – Competição
  • Nabat [Elchin Musaoglu] – Mostra Horizonte
  • Desvio [Duane Hopkins] – Mostra Horizonte
  • O Velho do Restelo [Manoel de Oliveira] – curta-metragem
  • Falando com Deuses [Guillermo Arriaga, Hector Babenco, Álex de la Iglesia, Bahman Ghobadi, Amos Gitai, Emir Kusturica, Mira Nair, Hideo Nakata, Warwick Thornton]

San Sebastian

Retrospectiva Pedro Almodóvar

Retrospectiva MK2

 

Foco Espanha

 

Brasileiros e Outros Destaques

  • Branco Sai, Preto Fica [Adirley Queirós] – melhor filme no Festival de Brasília
  • Sinfonia da Necrópole [Juliana Rojas]
  • Jia Zhang-Ke, um Homem de Fenyang [Walter Salles]
  • A MOÇA E OS MÉDICOS [Axelle Ropert]
  • Lamento [Jöns Jönsson]
  • EM TERRA ESTRANHA[Icíar Bollaín]
  • Dancing Arabs [Eran Riklis]
  • Livre [Jean-Marc Vallée]
  • O Grande Momento [Roberto Santos]
  • Ninfomaníaca: Volume 1 [Lars Von Trier] – versão do diretor
  • Ninfomaníaca: Volume 2 [Lars Von Trier] – versão do diretor
  • Riocorrente [Paulo Sacramento] – presente no Festival de Rotterdan
  • Casa Grande [Fellipe Barbosa] – presente no Festival de Rotterdan
  • Filho de Trauco [Alan Fischer]
  • Paixão Mórbida [Noboru Nakamura]
  • Lar Doce Lar [Noboru Nakamura]
  • Falstaff – O Toque da Meia-Noite [Orson Welles]
  • Los Angeles por Ela Mesma [Thom Andersen]
  • O Circo [Charles Chaplin] – apresntação especial no Parque do Ibirapuera

Labirinto de Paixões

labirintodepaixoesLaberinto de Pasiones (1982 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O cameo de Pedro Almodóvar como vocalista de uma banda escrachada, de longe o que de mais interessante há nessa de suas comédias de início de carreira. Interessante por quem é Pedro Almodóvar hoje, naquela época, não teria o mesmo sabor. É um típico Almodóvar daquela fase de início da década de 80, extravagante, rocambolesco, sexual, colorido, gay, exagerado.

Um príncipe à paisana, uma cantora ninfomaníaca, um terrorista gay, a filha abusada sexualmente pelo pai (dono de uma lavanderia), o ginecologista que não gosta de sexo. Misture bem, bata no liquidificador, e deixe os soltos por Madrid. Kitsch por excelência e convicção. É de um humor que não agride, cuja sexualidade está explícita em cada diálogo, por mais que o filme seja visualmente cuidadoso, é Almodóvar em sua criatividade absurda que exagera tanto, que erra quase sempre.

Os Amantes Passageiros

osamantespassageirosLos Amantes Pasajeros (2013 – ESP) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Muita gente torce o nariz, mas eu admiro Pedro Almodóvar e Woody Allen. Eles carregam essa carga de “cineastas-autores”, emplacaram seus filmes nas grandes redes exibidoras de cinema, onde imperam apenas os blockbusters. Respeito pelo status que alcançado. Mas quando chega um novo filme desse “peso-pesado”, e não consegue espaço em nenhum festival importante, vai parar no Festival de Los Angeles? É atestado de que o filme não deu certo. Acompanhar carreiras traz esse sabor de tentar entender, traçar um panorama, novos horizontes. No caso de Pedro Almodóvar, os sinais de desgaste de seu cinema são bem evidentes. Seus últimos filmes patinam entre momentos de brilhantismo, e repetições inferiores ao que ele já fez tão bem. A Pele que Hábito é o melhor caso, revisitando o bizarro e as mutações sexuais, porém o incremento financeiro não faz jus à maturidade, a nova visão sobre o que foi visto antes carrega pragmatismo.

Dessa vez ele resolveu voltar ainda mais longe na carreira, resgatar suas comédias de início de carreira. Elas eram escrachadas, exageradas, atrapalhadas até o limite. Foram o início de sua trajetória, cheias de imperfeições, mas divertidas. Sua nova aventura humorística traz o que Almodovar tinha de típico, sem que nunca consiga chegar a lugar algum. Um bando de gays afetados, o sexo transformado em vulgar, e os dramalhões exagerados, todos os tons passam dos limites que Almodovar já tinha esticado. O resultado final é constrangedor, a reunião de boa parte dos atores que formaram sua filmografia merecia um pouco mais de carinho, a despretensão disfarçada mostra o desgaste que Almodóvar não consegue se livrar. Apelando, e da forma mais triste possível.

A Pele que Habito

La Piel que Habito (2011 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Da safra mais recente de filmes da carreira de Pedro Almodóvar, este é o que mais se aproxima de um mundo almodovariano anterior à sofisticação de Fale com Ela. Inclusive, desde Fale com Ela Almodóvar tenta reencontrar seu caminho. Até ali sua obra vinha marcada por fases distintas, por uma evolução natural rumo à sofisticação. Dali em diante, o cineasta busca, em suas próprias obsessões, o caminho a seguir. Qual o próximo estágio? Enquanto não encontra o caminho, patina em possibilidades (às vezes acerta, como no caso de Volver). Nesse novo filme voltam a vingança, o bizarro, e o tema sexual, adaptando o livro Tarantula de Thierry Jonquet, o cineasta praticamente traz à tona um Frankenstein moderno totalmente obcecado pela junção desses três tema (vingança, voyeurismo, sexualidade).

Ainda assim, mesmo sendo um filme com “cara” tipicamente almodovariana, troca-se a sofisticação pelo peso. A mão do cineasta não acerta nem em suas características primitivas. O tom tragicômico passa longe. Os diálogos carregados de um melodrama típico, aqui parecem passar do ponto (pesados), as cores berrantes dão lugar a tons cinzas modernos que nada dialogam com seu cinema, o protagonista (Antonio Banderas) peca pela canastrice quando poderia se colocar como um personagem tão fascinante dentro desse jogo de vingança-saudade-desejo. Fora os tiros, tiros, e mais tiros, e armas para todos os lados, há alguma coisa de errado quando um filme precisa apelar tanto para esta artimanha.

Abraços Partidos

abracospartidosLos Abrazos Rotos (2009 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Mais um inegável filme de Pedro Almodóvar, sua assinatura estampada por cada uma das suas presentes obsessões (estéticas, estilo de trama, formato narrativo), sem demonstrar o brilho de outrora. Ainda assim, seja com brilho intenso, ou nem tanto, os filmes de Almodovar são sempre um deleite cinéfilo. A desenvoltura e capacidade de criar tramas tão complexas e bem resolvidas, sempre com pitadas de rocambolesco, sem que nada disso pareça pejorativo, isso é Almodóvar.

Desde a sequência inicial, quando o cego (Lluís Homar) pede, a uma loira maravilhosa que encontrou na rua, lhe acompanhar em casa, para ler o jornal (e terminam rapidamente numa transa no sofá), até nos momentos mais melodramático-românticos (exagerados por excelência) com a diva Penélope Cruz (ao qual Almodovar demonstra um dom inigualável em lhe deixar mais linda a cada plano, seja rindo ou chorando, usando peruca ou atuando no filme dentro do filme). Flashbacks e um filme dentro do filme. Relacionamentos calcados por ciúmes, abuso de poder, traição e culpa. Grandes revelações para o final, o jeito que Almodóvar gosta de lidar com seu público, o que temos é uma incrível capacidade do cineasta em absorver seu própria cinema e nos deliciar com o mais do mesmo de forma prazerosa.

 

 

Volver

volverVolver (2006 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Este filme marca muitos retornos que remetem ao título: desde o próprio retorno que o filme trata, há ainda a volta de Pedro Almodóvar filmar na região por onde começou sua vida artística, além do resgate da parceria com algumas de suas atrizes). O mais indireto, porém mais significativo, talvez seja, a volta de Pedro Almodóvar a algumas características contidas em obras mais próximas do seu início. Volver transita com o melhor diálogo entre o início e a fase atual de sua carreira, provando que Almodóvar é o mesmo sujeito, apenas um humano e cineasta mais maduro. Um sublime observador da alma feminina, e a expressa com delicadeza, e humor, capazes de nos hipnotizar, a cada nova cor berrante em cena, a cada nova pequena reviravolta na trama, a cada doçura num olhar.

Estou aqui embasbacando por Penélope Cruz, não por sua beleza escultural e indiscutível, mas também pela naturalidade de sua atuação. É meio complicado de explicar, mas ela pareceu estar um degrau acima da beleza, como se estivesse tão a vontade, mas tão a vontade, que ser linda tornou-se um mero detalhe. Uma heroína e sua antítese, uma mulher comum com todas suas aflições,  dificuldades, medos, e ao mesmo tempo, praticidade, fibra, charme. Poderia gastar dezenas de adjetivos, ainda assim não seria possível expressar, porque Penélope Cruz está linda, linda demais para palavras.

Aí surge Carmem Maura, nesse momento você se esquece que está dentro de um cinema, porque a somatória dessas duas peso-pesados do cinema, nos remete a algo distante daquele espaço físico. Almodóvar praticamente encosta sua câmera nas atrizes, aquele mar de emoções fica enorme aos nossos olhos. Quantas vezes mãe e filha não têm inúmeras contas a acertar? Carmem Maura é quase uma entidade dentro do filme. Que dupla, que espetáculo!

Retornar é sempre complicado, porque o tempo abafa o passado de sentimentos e ressentimentos. O retorno os traz a tona, assim como a morte oferece um retorno imediato das lembranças. Em Volver, há o retorno dessa mãe (que morreu), a nova chance para um acerto de contas com resquícios que estavam hibernando. O voltar nos aproxima da verdade, e com ela a paz que faltava. E dentro disso tudo há a análise interior dessa alma feminina, tantas vezes remoída de frustrações e dores que, para os homens seria pesado demais carregar.

Lembre-se que Almodóvar está dialogando com elementos do início de carreira, então há o suspense, há muito humor (aquele marca-registrada). Há também visões berrantes (principalmente relacionadas a cores e roupas). Delicado, de fino trato com as imagens e com os enquadramentos (alguns fantásticos vistos por cima dos personagens). Almodóvar está por todos os cantos, e a trama e suas reviravoltas apenas servem para explodir com a panela-de-pressão de emoções contidas nessas fabulosas mulheres. E Penélope Cruz canta Carlos Gardel, e aquilo tudo me deixa em nocaute.