Posts com Tag ‘Pedro Cardoso’

ohomemquecopiavaO Homem que Copiava (2002) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

André (Lázaro Ramos) é muito mais do que um simples operador de foto-copiadora (como ele mesmo se intitula). O jovem de vinte anos, e vida humilde, é um desses brasileiros inexplicáveis pelos economistas, capaz de conseguir milagres com a magra remuneração que recebe, e ainda assim viver sob forte influência de seus sonhos. A influência é tamanha que seu primeiro desejo de consumo foi um binóculos e com ele André enfatiza o voyeurismo que faz sua mente viajar. Agora sua próxima meta é a vizinha que ele observa.

Ele não sabe nem o nome da moça, apenas conhece seus horários e a observa pela janela. André trama milhares de maneiras de conhecê-la, planeja, com detalhes, uma forma de se aproximar. Mas sem dinheiro é muito difícil, como convidar uma garota para sair se nem o cinema ele pode pagar? Daí vem sua primeira grande idéia, porque não tentar fazer uma cópia de uma nota de cinqüenta?

O que se tratava de uma descontraída comédia romântica parte num caminho sem volta para a trama policial. Jorge Furtado extrapola no roteiro, com seu estilo característico (de humor e jovialidade), coloca seu protagonista (usando muita narração em of)f detalhando seu estilo de vida, segundos depois confirma com a imagem o que acaba de ser narrado. Dessa torna seu filme engraçadinho, porém infantilizado ao extremo, fora que a ferramenta chega a ser cansativa de tão utilizada. Outro ponto é a completa transformação dos personagens, para Furtado todos são corruptíveis, e seu roteiro vende facilmente cada um de seus personagens. A simples cópia de uma nota é apenas o pontapé inicial para delitos cada vez mais perigosos.

Mas não pensem que o filme é um equívoco. Todo o desenlace amoroso, com a aproximação do casal, a química entre Leandra Leal e Lázaro Ramos, e as divertidas participações de Pedro Cardoso (naquele personagem que se tornou característico seu). Tudo é armado com diálogos inteligentes, e um romantismo contagiante.

Redentor (2004) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O sonho da casa própria não é apenas uma lenda presente em todos os discursos de políticos a beira da eleição, as famílias brasileiras realmente deliram em se imaginar livres do aluguel, vivendo no que lhes pertence. É por essas que Célio Rocha (Pedro Cardoso) repete inúmeras vezes no filme: “Você está me expulsando de uma casa que não é sua!”. São milhões de sem-teto vivendo em condições desumanas, fora a grande parcela da classe média que se contorce para manter em dia seus deveres de inquilino.

Otávio Saboya (Miguel Fallabela) e Célio Rocha foram amigos na infância, o inescrupuloso Dr. Saboya (pai de Otávio) deu inúmeros golpes imobiliários na praça, costurou acordos milionários com governos, construiu apartamentos e não entregou aos proprietários. Entre as centenas de famílias prejudicadas estava a de Célio Rocha, o sonho do apartamento 808 no condomínio Paraíso tornou-se obsessão para seus pais e após a falência e suicídio do Dr. Saboya, e a invasão do condomínio por milhares de favelados, a situação familiar deteriora.

Oriundo do mundo dos videoclipes, a estreia na direção de Claudio Torres marca o primeiro trabalho do clã da família Torres no cinema. Surpreende a qualidade dos efeitos especiais (pouco usual no cinema nacional), são 3-4 sequencias irrepreensíveis, mas o grande feito é esse roteiro esperto, de narrativa envolvente, mesclando estilos sem perder a homogeneidade ao narrar uma fábula moderna sobre moral, vaidade, remição, justiça.

Golpes imobiliários, corrupção, falta de moradia e saneamento, Torres expõe problemas, criada um dilema moral tremendo para o jornalista carioca colocada frente a frente com a possibilidade de realizar o sonho familiar, deixando os escrúpulos do lado, mas com a presença divina direta em todo esses imbróglio.