Posts com Tag ‘Pernilla August’

Svinalängorn / Beyond (SUE/FIN – 2010)

São duas famílias, em tempos distintos. A atual é apresentada como feliz, o casal acorda na cama e é surpreendido pelas filhas que trazem o café-da-manhã. Essa mãe é a filha na família do passado, e essa família completamente diferente, pais alcoólatras, brigas, desemprego, violência. Leena (Noomi Rapace) tenta esquecer seu passado, não quer deixar que nada dessa “herança” possa interferir em sua vida, em sua família. Ela tenta negar contato com mãe, mas não tem outra opção, afinal ela está internada à beira da morte. A atriz Pernilla August faz sua estréia na direção, usa alguns planos fechados e fotografia granulado tentando trazem para perto dessa mulher que quase sai de controle a cada vez que enfrenta alguma lembrança do passado. Enquanto transcorre essa relação conturbada mãe-filha no presente, o filme vive dos flashbacks narrando a trajetória deprimente dos pais de Leena, o histórico de confrontos, e as dificuldades enfrentadas por ela e seu irmão. E nesse ponto, não passa de um filme convencional, outra história de ma família disfuncional, de pessoas desequilibradas e permanentemente infelizes sempre deixando cicatrizes incuráveis nos inocentes.

* indicado pela Suécia ao Oscar de Filme Estrangeiro

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Não deu nem tempo de tomar uma água, a fila para a próxima sessão já estava enorme, casa cheia. Colocaram umas cadeiras de plástico nas escadas para aumentar a lotação da Sala Cinemateca e quase todas foram ocupadas. Sentei na última fileira e a umas cinco poltronas à esquerda sentou-se uma garota de estilo “moderninho”. A sala foi enchendo e ela acabou ficando entre duas poltronas vazias, um casal perguntou se as poltronas estavam desocupadas, ela virou a cara. Depois respondeu baixinho, virou a cara de novo, desconversou.

Depois de alguma insistencia do casal, um senhor que estava sentado mais perto tornou-se tradutor da situação e explicou que os dois lugares estavam vazios só que teriam que sentar separados porque a garota queria ver o filme bem no meio da sala (pode?). Todos caíram na gargalhada, a garota virou a cara novamente e o casal topou, ainda ficaram trocando balas e outros artigos bem na fuça da fresquinha até o filme começar (tem louco p/ tudo nesse mundo).

Amanhecer (Om Jag Vänder Mig/Daybreak, 2003 – SUE) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os problemas são diferentes, mas na essência é o mesmo abismo a contaminar as relações familiares, a fragilidade dos lares da vida moderna. Partindo deste “forte” argumento o diretor Björn Runge narra três histórias emblemáticas, numa única e determinante noite.

Densa carga dramática, clima agonizante, os três núcleos caminham lentamente para uma noite terrível, verdades e carapuças desmascaradas. O mosaico das relações está alicerçado ao tema família, a estrutura oprime o competente elenco, buscando repetidas vezes o conflito moral, a mais introspectivas das representações, a troca de ofensas e agonias. São médicos, pedreiros, histórias de traições, separações conturbadas, carências afetivas, pessoas comuns e os erros de sempre, e o que restar deles até o amanhecer de amanha.

O esfacelamento familiar vem desmoronando com as novas estruturas do mundo moderno nessa busca incessante por desejos materiais, por status social. Enquanto as coisas do dia-a-dia, aquelas pequenas situações que formam realmente o seu cotidiano são sufocadas, colocadas em segundo plano, costurando pessoas, cada vez, mais corrompidas.