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Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (EUA – 2017) 

E já temos o primeiro grande filme sobre a Era Trump. Porque essa conjunção de roteiro dramático com comédia de humor negro (à la irmãos Coen) remete a características socialmente marcantes no mandato do atual presidente dos EUA. De um filme sobre uma mulher (Frances McDormand) revoltada por a policia não ter conseguido desvendar o mistério do assassinato de sua filha, o diretor Martin McDonagh tece esse estudo social dos rincões desse país cuja liderança dá passos para trás e traz a intolerância como palavra de ordem.

Do inconformismo vem a ideia do anúncio provocativo nos três outdoors da cidade. A policia se revolta, e a cidade se divide apoiando ou revidando ao inconformismo dessa mãe. Surgem reações, reviravoltas, e atitudes inconsequentes e irracionais, onde o desrespeito pelo outro é presença central nas relações humanas. McDonaugh realmente se aproxima muito dos primeiros filmes do Coen, o humor e a violência são muito parecidos, mas essa carga dramática que tanto McDormand, como Woody Harrelson carregando em suas histórias é um elemento novo nesse cinema provocativo e ácido.

A trama leva alguns atos às últimas consequências, mas é um retrato tão vibrante de uma nação que está mais desunidada a cada dia, onde cada um pessoa exclusivamente em si mesmo, e troca o discordar (ou não aceitar) por brigar até aniquilar o que tenha visão de mundo contrária a sua. Trump e seu governo agressivo e intolerante são a linha mestra para um povo que perde sua unidade e só se deteriora em aspectos humanos. E nisso tudo, o novo filme de McDonaugh é feroz, elevando seu cinema a um patamar bem superior ao que realizou em seus dois trabalhos anteriores. Devemos vê-lo, com protagonismo, na corrida do Oscar, no Festival de Veneza já foi destacado com prêmio de Melhor Roteiro.

X_Men_Days_Future_PastX-men: Days of Future Past (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O filme anterior preparava o caminho e este tem o enredo necessário para o reboot da franquia, e com isso a garantia de mais alguns filmes e muita bilheteria. Porém, se aquele vinha carregado de uma jovialidade oriunda dos jovens mutantes se descobrindo, e se unindo. O novo filme, com o retorno na direção de Bryan Singer, vem com o peso de um Os Vingadores (sem o humor, aquela farofa toda).

Os X-Men sempre carregaram o peso de um teor político, o embate entre mutantes e humanos. Professor Xavier (James McAvoy ou Patrick Stewart) pregando a paz e vida harmônica na Terra, enquanto Magneto (Michael Fassbender ou Ian McKelen) a luta. Recorrer a história HQ que traz viagem no tempo, leva Wolverine (Hugh Jackman) aos anos setenta. Singer é cuidado em ambientar a história do tempo, e esse cuidado são os méritos mais interessantes.

Além do cuidado técnico, o que se vê em cena é a perda das principais qualidades do filme anterior, o peso do drama cede espaço a um tom carregado, personagens desperdiçados dentro de um quarto, e o desperdício de reunir o elenco das duas gerações de X-Men. O reencontro dos 2 atores de Xavier, por exemplo, traz a cena mais constrangedora do filme. O momento anos 70 se desenvolve, enquanto o atual é mero trampolim, a fórmula não funciona bem enquanto Wolverine e os heróis rejuvenescidos tentam salvar os mutantes das poderosas sentinelas. Virou apenas mais um filme de heróis, com seus poderes, e uma abafada sensação de que o encontro de épocas poderia criar cenas épicas.