Posts com Tag ‘Peter Strickland’

thedukeofburgundyThe Duke of Burgundy (2015 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Em Berberian Sound Studio já era assim, Peter Strickland aproveitando-se do som para estabelecer o clima. Em seu novo filme, ele leva esse aspecto além, e transforma a presença dos objetos de cena em elementos marcantes a narrativa. Oferece muito atenção a detalhes, estabelecendo ainda mais a atmosfera erótica dos jogos sexuais a qual se constitui o relacionamento das duas especialistas em borboletas.

O poder de dominação, e as mutações pelo qual passa o relacionamento, ao longo do tempo, são o caminho escolhido por Strickland para desenvolver esse romance delirante e sensível. Dominante e dominada alternando papéis de acordo com a proposição de situações, como a compra de um presente ou o debate de um tema biólogo na universidade. O mergulho pela sexualidade é tímido, Strickland está mais interessado no apelo visual como forma de conquistar seu público e estabelecer essa hipnose entre espécies de borboletas e o coloquial das cores e formas daquela casa por onde os jogos transcorrem entre altos e baixos de qualquer romance.

Ano chegando ao fim, hora de eleger os preferidos. A primeira lista é composta com filmes (vistos em 2013) que não estreiaram no circuito nacional, e nem estão programados (segundo o FilmeB). Só valem filmes produzidos entre 2011-2013.

Felizmente, o circuito brasileiro anda cada vez melhor, a oferta de bons filmes melhorando com novas distribuidoras. Mas, ainda assim, esses filmes fizeram falta nos nossos cinemas em 2013. Documentários surpreendentes, diretores bem conhecidos em filmes pequenos, e até outros com grandes astros que acabaram preteridos pelas distribuidoras.

top 10 2013 off Circuito

berberiansoundstudioBerberian Sound Studio (2012 – ING) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Para o cineasta Peter Strickland é muito mais a criação de uma atmosfera do que o simples desenrolar de uma trama. O mote de levar um técnico de som britânico (Toby Jones), para trabalhar num filme de terror italiano, é apenas artifício. Strickland estava realmente interessado nas possibilidades de criar um suspense instigante, tendo como estrutura o som e seus efeitos.

Para isso, o diretor transporta o britânico a um estudio, um tanto estranho, na Itália. E dessa estranheza faz desenhar o universo em que o técnico de som confunde realidade e fantasia, o que é o filme, e o que são seus problemas. Essa coisa meio terror psicológico, com estrangeiro que não fala sua língua, e ambientes marrons tão calmos (exceto pelos arrombos italianos), e a presença forte dos ruidos e sonidos que constituem, verdadeiramente, o fio condutor dessa história, remetem ao clima que o som destacado consegue unir tão bem. Por mais que o filme seja pouco além disso.