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Entre os dias 27 de Setembro e 6 de Outubro, o Rio de Janeiro terá a oportunidade de assistir a muitos dos principais filmes do ano, em mais uma daquelas maratonas cinéfilas que enlouquecem os fãs da Sétima Arte.

Mesmo não podendo estar presente ao evento, separo abaixo alguns links de filmes que fazem parte da seleção do Festival e que já foram comentados por esse blog:

Another Year, de Mike Leigh ****

César Deve Morrer, de Paolo e Vittorio Taviani ***

Elefante Branco, de Pablo Trapero **1/2

Elena, de Andrei Zvyagintsev ***1/2

Hemingway & Gellhorn, de Philip Kaufman **

Hysteria, de Tanya Wexler **

Parada em Pleno Curso, de Andreas Dresen ***

Hemingway & Gellhorn (2012 – EUA)

É com muito pesar que faço a comparação, mas ela não me sai da cabeça. O filme de Philip Kaufman mais parece um novo capítulo de As Minas do Rei Salomão e coisas do gênero, com um tipo aventureiro e uma loira que entra com ele nas aventuras. Ok, sem as doses de sequencias de ação ou de canibais, mas o espírito é o mesmo.

A ideia é a história de um romance, dos escritores Ernest Hemingway (Clive Owen) e da corajosa Martha Gellhorn (Nicole Kidman). Engajados, eles acabam na Guerra Civil Espanhola, como correspondentes estrangeiros ou interessados em escrever um novo romance (e também, viver entre eles um romance que está nítido desde a cena do bar). Kaufman perde o contexto histórico, a guerra explode pelas ruas, a presença bélica é maciça, mas o interesse do diretor é outro, o de promover a tensão entre o casal, cenas provocativas, muitas vezes insonsas.

O ápice do brega nessa produção da HBO é a cena de sexo durante o bombardeio. Mas, o filme pretende ser sério, traz uma Gellhorn recontando os fatos nos dias atuais com tom sisudo, enquanto o casal Hemingway e Gellhorn vive de amores e disputas pessoais e desfilam pela tela nomes importantes da cultura e da disputa militar espanhola.

The Unbearable Lightness of Being (1988 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Há toda a questão libertária presente no texto de Milan Kundera. Os personagens, cada um a seu modo, buscando sua própria liberdade interior, enquanto isso, as movimentações políticas cessam com parte dessas liberdades. Tchecoslováquia, o ano de 1968 em Praga é dos mais inquietos, discute-se política nas esquinas. O médico Tomas (Daniel Day-Lewis, fala-se de um filme erótico, há mulheres nuas e insinuações da prática sexual, mas todo o erotismo do filme está presente no olhar de Day-Lewis, aqueles olhos exalam o erotismo) quer mais é divertir-se com o sexo, sem compromisso, apenas o desejo pelo desejo.

As duas mulheres que formarão o triângulo amoroso também vivem seu jeito de buscar liberdade. Sabina (Lena Olin), talvez seja a materialização da liberdade: sexual, profissional, um espírito livre. Já Tereza (Juliette Binoche) vive uma busca incessante, primeiro libertar-se de uma vidinha banal, e da própria mãe. Depois permitir-se a liberdade profissional, sem amarras, fotografar sua própria visão, sua arte.

A vida dos personagens não passa alheia às transformações políticas, os tanques de Guerra Soviéticos invadem Praga, as ruas tomadas por desespero, o diretor Philip Kaufman cria o clima sem exagerar na violência, sem forçar a barra, de maneira galante, quase como se fosse pelas lentes de Tereza, ele registra a tomada das ruas, a fuga da população para a Suíça. O porco que bebe cerveja, o amor que ultrapassa as fronteiras da fidelidade (e faz doer), a dança com um homem qualquer. Pequenos sinais de liberdade enquanto a história desses amores segue, altiva, vibrante. Liberdades oferecem escolhas, e estas, nem sempre te retribuem com a mesma liberdade, porém você sempre tem novas escolhas à sua frente, e para esses personagens, coragem nunca lhes faltou.