Posts com Tag ‘Philip Roth’

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American Pastoral (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O ator escocês, com eterna cara de bom moço, estréia como diretor adaptando o denso livro homônimo de Philiph Roth com conteúdo político tão americano. A escolha é das mais ousadas, afinal o contexto envolve protestos contra Guerra do Vietña, Black Powers, e todo o aspecto político da sociedade americana da década de 60-70.

A missão era complicadíssima, e Ewan McGregor opta por um estilo cinematográfico bem acadêmico, que muito lembra o cinema dos anos 50, o american way of life. Adapta os fatos, em cena temos a total desconstrução da família burguesa perfeita, mas são apenas os fatos, nem sinal das reflexões que McGregor sonhava transpor do livro. No Festival de San Sebastián, McGregor afirmou que queria contar não só a história de uma família, mas de toda a América, no script era o que devia ser feito.

O foco é o pai de família (o próprio McGregor, sempre um ator esforçado), atleta exemplo na universidade, que assume os promissores negócios do pai, se casa com uma candidata a Miss New Jersey e vive numa casa de campo com a filha (Dakota Fanning quando adulta). Os problemas internos surgem quando a gagueira da filha é diagnosticada como possível ciumes da atenção do pai a mãe tão linda (Jennifer Connelly), e vai parar na filha na clandestinidade como terrorista. O pai é o exemplo de postura, amor à família, e perfeição burguesa no trato com os empregados e assim McGregor tenta resumir anos tão libertários e conflituosos de toda uma nação tão heterogênea e inquieta.

oultimoatoThe Humbling (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Anda meio esquecido o nome do diretor Barry Levinson, cujo auge foi nos anos 80. Al Pacino também é outro que na velhice não é nem sombra do ator do passado. Juntos nessa história que tenta ser moderna, e trazer o mundo do teatro ao cinema, baseado num livro de Philip Roth. Seu resultado é, no mínimo, equivocado.

As histórias de atores famosos em crise são costumeiras no cinema moderno, a depressão e tendências suicidas são caminhos clichês. Enquanto tenta se recuperar da fase complicada, Simon Axler (Pacino) se envolve com uma lésbica (Greta Gerwig), além de mais jovem, filha de um casal de amigos. O que deveria ajudar, graduamente eleva o caos. Inseguranças e fragilidades, a rotina da relação enquanto Axler percebe a decadência financeira, e natural necessidade de reencontrar maneiras de trabalhar. Há ainda o psiquiatra via Skype, uma forma de tentar organizar melhor as ideias da própria audiência. Tudo tão equivocado que explica bem porque os filmes de Barry Levinson passam em branco, e praticamente não são mais lançados no cinema brasileiro.