Posts com Tag ‘Quentin Tarantino’

umamoracadaesquinaShe’s Funny That Way (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A volta de Peter Bogdanovich vem com um sopro de despretensão. Repetindo fórmulas que Woody Allen tem usado à exaustão (nem sempre acertando), o veterano cineasta cria uma comédia de incorrigíveis. Repleta de tolices que unificam um pequeno grupo de personagens, em situações divertidas e improváveis. O mundo do teatro conectado a psicólogos, detetives, prostitutas e confusões tão óbvias quanto graciosas.

Do bondoso infiel à histérica psicóloga, o roteiro brinca com encontros, destinos e jogos de interesse, sempre com cunho amoroso, sem nunca perder o bom-humor. Bogdanovich brinca até nos enquandramentos e no estilo moderninho, sempre privilegiando o clima leve, o aspecto agradável. Ficamos com tão pouca opções com as comédias americanas dominadas por Judd Apatow, e sua turma, que esse levante despretensioso, embalado pelo jazz e pela histeria ingênua, soam como um bem-vindo afresco de tonalidades pueris. Um doce alívio entre tanto humor carregado de tom apelativo.

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Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

cesar_scarletetarantino

Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

cesar_2014

A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados

Nicole+Kidman+Nicole+Kidman+Films+Grace+Monaco• A próxima edição do Festival de Cannes terá como filme de abertura: Grace: A Princesa de Mônaco“, dirigido pelo francês Olivier Dahan [Uol Cinema]

• Martin Scorsese sendo entrevistado por Paul Thomas Anderson sobre O Lobo de Wall Street [Indiewire]

• Sundance 2014: difícil encontrar unanimidades e grandes destaques, um com alguns elogios foi Frank, dirigido por Lenny Abrahamson [Hollywood Reporter] [Telegraph] [Indiewire]

• E falando em cinema independente, vale ressaltar que ontem começou mais uma edição do Festival de Tiradentes, os independentes nacionais [Tiradentes]

• Quando Eu Era Vivo, trailer do filme de terror dirigido por Marco Dutra, com Marat Derscartes e Sandy, que estreia na próxima sexta-feira, e que está em Tiradentes essa semana [Youtube]

• Tarantino: roteiro do próximo filme vazou e ele resolveu desistir de tudo [Uol Cinema]

• Encerrando com esse trailer alternativo do filme Ela (de Spike Jonze), o cara trocou a voz de Scarlett Johansson por trechos de falas de Philip Seymour Hoffman. Great! [Vimeo]

Abdellatif-Kechiche-Palme-d-or-pour-La-Vie-d-Adele_article_popin-1024x713 Meu ranking, com todos os filmes, de Abdellatif Kechiche, cujo último filme (Azul é a Cor Mais Quente) venceu a Palma de Ouro e estreia na próxima sexta [Top Abdellatif Kechiche]

 Entrevista com Spike Lee, que afirma ser uma “reinterpretação” e não um remake, sua nova versão de Oldboy [Slant Magazine]

 Antes de falar dos melhores, quais foram os principais fracassos o ano? Lista interessante [Uol Cinema]

• Tarantino vem ai com outro faroeste [The Guardian]

• Festival de Berlim homenageará Ken Loach, com o Leão de Ouro honorário, em sua próxima edição [Berlinale]

• Trailer de Noé, novo filme de Darren Aronofsky [Omelete]

• No CCBB a Mostra Maurice Pialat, programação no link [Vai e vem Produções]

E no MIS, a Mostra Philip K. Dick, com clássicos como Blade Runner e Vingador do Futuro [MIS]

Sinais do fim de ano, as listas de melhores do ano e os indicados aos primeiros prêmios (que vai se falar são todos prévias do Oscar:

• A Cahiers du Cinéma divulgou sua lista do Top 10 de 2013, ainda acho que eles fazem umas piadinhas no meio da lista [Cinema7Arte]

• Já a lista da Sight & Sound pode ser chamada de óbvia, ou de sintetiza exatamente os melhores do ano [Sight & Sound]

• Enquanto isso 12 Years a Slave, com 7 indicações, confirma seu favoritimo, ao ser indicado a 7 prêmios do Spirit Awards, Nebraska conseguiu 6 indicações [Spirit Awards]

djangolivreDjango Unchained (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A tentativa de Quentin Tarantino em resgatar o western spaghetti, prova que mesmo o gênero feito mal e porcamente, não é para qualquer um. O insucesso é todo de Tarantino, sua presença maior do que seus próprios filmes, ganha aqui contornos de exagero, de quem passa a linha. Primeiro porque a presença de Bastardos Inglórios é tão forte, que Django é praticamente  o mesmo filme, tamanha a quantidade de recortes, cópia de cenas e personagens. O cumulo da preguiça, Tarantino refilma mudando atores e figurinos.

Depois porque é muito possível imaginar um filme sem Django (Jamie Foxx), tão apagada é a figura daquele que deveria ser o personagem central. O filme poderia muito bem ser encerrado no embate entre Christopher Waltz e Leonardo DiCaprio, do que dar voo solo ao Django que passou duas horas como coadjuvante. As forças de Tarantino parecem fraquezas, diálogos tolos, inventividade trocado pelo repetitivo, aquela fonte ambulante de inspiração vivendo de reciclar seu próprio cinema. Alemanha Nazista, EUA escravagista, poderia levar sua saga de vingaça atéo Butão, fazer o mesmo filme é enganar o público, Tarantino faz muito melhor.

caesdealuguelReservoir Dogs (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Numa manhã qualquer, um bando de homens engravatados (com cara de mafiosos) tomam tranquilamente um café da manha, discutem sobre a música da Madona, brigam por causa de uma gorjeta, tudo parece calmo. Quentin Tarantino acompanha aquela mesa-redonda matinal com uma câmera espreita, eram os primeiros passos de um cineasta que chegara para imprimir seu ritmo e causar frisson, reinventar a união do pop e do cinema autoral.

De um assalto “frustrado” a uma joalheria, e uma diversidade de flashbacks, somos apresentados a cada um daqueles figurões do crime. A narrativa é cuidadosa em traçar seus perfis, nos deliciando com humor áspero permeado pelo vermelho sangue que anda espalhado pelos poucos cenários. Dentro de suas excentricidades, cada personagem é charmosamente estudado, e Tarantino ousa nos fazer apaixonar por cada um daqueles brutamontes cruéis e fascinantes, num filme simples, direto e assumidamente cool que encontra a perfeição da violência gráfica e os primeiros passos desse cineasta cheio de tendências e paixões que fariam de Cães de Aluguel um clássico cult imediato.

jackie_brownJackie Brown (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Quando se fala em Jackie Brown, muitos colam o rótulo de melhor filme de Quentin Tarantino, ou da interpretação da vida de Pam Grier. São os que sempre preferem os filmes que não tiveram tanto hype na carreira de um cineasta/ator. Realmente é um filme delicioso, no virtuosismo de Quentin Tarantino, no quebra-cabeças equilibrado do roteiro, nos momentos vibrantes causados pelos plano-sequencias acompanhando cada um dos envolvidos no momento crucial do filme.

Pam Grier está ótima, assim como Michael Keaton e Robert Forster em atuações discretas, contidas e irrepreensíveis. Jackie Brown é um filme de estilo, e Tarantino não se cansa De recheá-lo com delírios a seu público em cenas simples, com cortes secos, falas monossilábicas, e um time decisivo para cada seqüência. Como sempre o cineasta é cuidadoso na trilha sonora, e nos diálogos caprichados que primam pela habilidade de se fazer do enxuto o virtuoso. Seis pessoas, meio milhão de dólares, uma envolvente história de tráfico de armas, uma aeromoça trazendo dinheiro do México e um agente de fianças apaixonado.