Posts com Tag ‘Quentin Tarantino’

jackie_brownJackie Brown (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Quando se fala em Jackie Brown, muitos colam o rótulo de melhor filme de Quentin Tarantino, ou da interpretação da vida de Pam Grier. São os que sempre preferem os filmes que não tiveram tanto hype na carreira de um cineasta/ator. Realmente é um filme delicioso, no virtuosismo de Quentin Tarantino, no quebra-cabeças equilibrado do roteiro, nos momentos vibrantes causados pelos plano-sequencias acompanhando cada um dos envolvidos no momento crucial do filme.

Pam Grier está ótima, assim como Michael Keaton e Robert Forster em atuações discretas, contidas e irrepreensíveis. Jackie Brown é um filme de estilo, e Tarantino não se cansa De recheá-lo com delírios a seu público em cenas simples, com cortes secos, falas monossilábicas, e um time decisivo para cada seqüência. Como sempre o cineasta é cuidadoso na trilha sonora, e nos diálogos caprichados que primam pela habilidade de se fazer do enxuto o virtuoso. Seis pessoas, meio milhão de dólares, uma envolvente história de tráfico de armas, uma aeromoça trazendo dinheiro do México e um agente de fianças apaixonado.

pulp-fictionPulp Fiction (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

“Não odeia isso? O quê? Os silêncios que incomodam. Por que temos que falar de idiotices para nos sentirmos bem? Não sei. É uma boa pergunta. É assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.” A seqüência é longa, mas do detalhe do milk shake até a caminhada ao banheiro, há um quê de genial em cada detalhe. A câmera pegando os atores em perfil, o jogo de plano contra-plano, os cortes entre um Vincent (John Travolta) incomodado, e Mia (Uma Thurman) com olhar penetrante, a música compassada ao ritmo do diálogo, o ambiente anos 50, o tom de voz, o uso do canudo, tudo. Quentin Tarantino me ganhou, aliás, já havia me ganhado momentos antes, na primeira aparição de Mia, ou melhor, apenas seus lábios vermelhos ao microfone.

A esta altura do campeonato, falar de Pulp Fiction é chegar atrasado na festa, quando já comeram os brigadeiros. Tarantino teceu uma fascinante homenagem a literatura Pulp, criou um filme cult, inaugurou um estilo próprio e pop. Agradou q a quase todos Gregos e Troianos, ganhou da Palma de Ouro a um público cativo. Tudo isso com essa violência sanguinária, com a forte influência do Exploitation, e com essa pega tarantinesca de humor e fascínio. São inúmeras cenas inesquecíveis, que mereceriam ser detalhadas, revistas. o diálogo pré-assalto de Tim Roth, os dois gangsteres com paletós ensanguentados, os acontecimentos na loja de som, toda as sequencias com Harvey Keitel.

O sangue e a violência estão por toda a parte, a narrativa, com cronologia bagunçada é somente mais uma peça chave desse quebra-cabeças. Referências espalhada por todos os frames (espada, moto, twist), é a maneira como Tarantino orquestra tudo que gera o fascínio. Violência romântica, quase deliramos com um apertar de gatilho, o sangue jorrando, o humor sarcástico dos assassinos. Num filme sem mocinhos, os bandidos ficam mais fascinantes. Pulp Fiction é puro deleite, e delírio, cinéfilo.