Posts com Tag ‘Rachel McAdams’

Desobediência

Publicado: julho 7, 2018 em Cinema
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Disobedience (2017 – RU) 

Sebastián Lelio segue firme clamando pela liberdade em sua filmografia. Pela primeira vez filmando no exterior, o cineasta chileno opta, dessa vez, por uma abordagem mais contida, ainda que sse mantenha entre temas e personagens que persistem como tabus da sociedade moderna.

Começa apresentando Ronit (Rachel Weisz), fotógrafa nos EUA, e que numa rápida montagem o filme deixa claro que preza por sua liberdade. Se sente obriga a voltar à Inglaterra e enfrentar o luto pela morte de seu pai, um importante líder religioso de uma pequena e ortodoxa comunidade judaica. Lelio é muito cuidadoso com as informações ao público, a verdade da relação de Ronit com seu pai e aquela comunidade só vai clareando com o passr do filme,  o reencontro com parentes e amigos é doloroso e cheio de dedos, ou até mesmo de preconceito, uma persona non grata.

A fotografia acizentada, aquela imagem com aspecto de “lavada”, Lelio tenta fazer com que tudo ao redor represente o vulcão de emoções veladas. Ronit se reencontra com Enit (Rachel McAdams) e todo o desprezo dessa pequena sociedade faz sentido quando a chama daquele relacionamento reaparece. Amor, desejo, e também hipocrisia, dogmas religiosos, aversão, o mesmo passado vem à tona. E Lelio mantém a imagem em planos fechados nos rostos das duas atrizes, o que era luto se torna um misto de infelicidade e esperança. A trama segue seus caminhos, sempre contida, ainda que guarde momentos bem sentimentais nos minutos finais (com direito a discurso clichê e tudo mais), ainda que à moda antiga, o chileno tenha coragem de realizar um filme feminino, mergulhado numa sociedade tão machista e capte essa odiosidade geral exposta acima da liberdade.

spotlightSpotlight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O irregular cineasta Tom McCarthy (que no ano anterior cometeu a terrível comédia Trocando os Pés, com Adam Sandler), dessa vez consolida seu nome, da cena independente, com um dos principais aspirantes ao próximo Oscar. Baseado nos fatos reais de uma investigação do jornal Boston Globe, que desencadeou um escândalo gigantesco de padres pedófilos, o filme tenta entrar na redação do jornal e dar maior ênfase à corrida da noticia, do que ela propriamente.

É um estudo empolgante da garra com que jornalistas buscam a noticia, e a forma com que se relacionam a ela, enquanto as discussões entre editores formatam os próximos passos, o como seguir (que muitas vezes é totalmente diferente do que os jornalistas gostariam). Tom McCarthy é feliz em tratar simultaneamente noticia e jornalismo, uma profissão que tenta passar pela reformulação das eras da internet, e parecenem tão valorizada quanto outrora.

Esse resgate do profissional, principalmente o personagem de Mark Ruffalo, converge com o espirito investigativo, com a ânsia por mais, a insatisfação. Tudo resumido pelos planos e contra-planos, os diálogos acalorados, e as posições dúbias em muitos os casos. Se McCarthy pouco explora os verdadeiros interesses editoriais (deixa tímidas perguntas no ar), traz um retrato pulsante do que é o ser jornalista.

Nocaute

Publicado: setembro 10, 2015 em Cinema
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nocauteSouthpaw (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A volta do boxe ao mundo do cinema. A estrutura é basicamente a mesma dos filmes do gênero, chegada ao ápice (título mundial), a queda catastrófica (financeira) e de confiança, e o retorno rumo à redenção. Guarda algumas diferenças ao mais celebrado do gênero, Rocky tem o charme desajeitado, a ingenuidade de um coração maior que a força de seu punch. O filme de Antoine Fuqua é uma modernização, do hip hop à ingenuidade agressiva, perde o humor e mergulha em cargas dramásticas mais profundas.

Tecnicamente, além de uma câmera que parece tomar murros dos boxeadores, a não utilização de contra-plongée no ringue, o resto é bastante semelhante. A aposta é toda em Jake Gyllenhaal e o peso da tragédia que arrebata sua vida. A perda da esposa (Rachel McAdams), o afastamento da filha, e o quase mendigar para o novo treinador (Forest Whitaker). É pouco, porque falta o charme, o romantismo da época áurea do boxe, e sobra a rigidez de um filme executuado para todos os públicos, violento e comportado.

ohomemmaisprocuradoA Most Wanted Man (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Só mais um thriller envolvendo terroristas e Islamismo. Quanto mais se desenvolve a trama, mais difícil de engolir se torna. O filme é todo passado em Hamburgo, imigrante ilegal da Chechênia, serviço de inteligência alemão e americano em conflito, o cinema não precisava de mais uma dessas histórias. Mas, Anton Corbijn filmou cheio de esmero, cores fortes contrastando o clima frio alemão, e achou que levar vários nomes de peso para a Europa seria uma saída comercial.

Um dos últimos trabalhos de Phillip Seymour Hoffman, por isso o filme ganha um interesse além do merecido. Ele é o chefe da inteligência que segue o imigrante, só que o alvo é outro, gente graúda da ONU. Ainda há espaço para envolver um banqueiro e uma advogada (eterna boa-samaritana). Seria apenas chinfrin se não fosse os caminhos finais do desfecho.  O livro de John Le Carré pretendia unir tantos bons-samaritanos num suspense sobre Al-Quaeda?

Questão de Tempo

Publicado: dezembro 18, 2013 em Cinema
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questaodetempoAbout Time (2013 – Reino Unido) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Richard Curtis continua o mesmo, a mesma vida de cineasta de comédias românticas, com personagens atrapalhados, misturados com outros levemente excêntricos. Fora aquele clima romântico-açucarado (daquele que jura que não é exagerado). A fórmula anos 90, que com Hugh Grant fez sucesso de público, aqui imitada a enésima vez, sem nenhum pingo de criatividade.

Viagem no tempo, à la Doctor Who, o protagonista (Domhnall Gleeson) herda esse dom da família, e se aproveita dessa “alternativa” para conquistar seu amor (Rachel McAdams), ou corrigir pequenos erros. Curtis leva a sério essa história, cria regras para transformar a virtude em drama existencial e uma pretensa discussão sobre relação pai e filhos, enquanto isso leva no romance na “salmora”. Bobagem britânica, com personagens mal-desenvolvidos, e aquela simpatia dos filmes do gênero que irritam por acreditar demais em si mesmos.

meninasmalvadas

Mean Girls (2004 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Por mais que o diretor Mark Waters não fuja da estrutura de comédia-teen-para-garotas, seguindo a risca a cartilha, incluindo os clichês (românticos, ou não) como baile de formatura e tudo mais, há algumas curiosidades que oferecem uma “sobrevida” no resultado final de Meninas Malvadas. E vão além do tom “maléfico” cuja proposta principal tenta incorporar para manter o humor.

Tina Fey participa, como Tina Fey, mas seu roteiro (adaptado de um livro) tem sacadas fora do comum. Por exemplo, na divisão do refeitório por turmas, com interesses comuns, que estão sempre juntas – os esportistas, as patricinhas, os cdf’s. Toda a sistemática da vida social escolar está baseada na relação entre esses grupos, e quando a protagonista tenta se adaptar a dois deles, sofre por sua ingenuidade passando por uma transformação que nem ela percebe estar acontecendo.

Outro ponto é de como o filme serviu de catapulta para tantas atrizes, afinal temos Lindsay Lohan, Rachel McAdams e Amanda Seyfried. Cada um delas com seu nome no estrelato, aqui apenas adolescentes loirinhas aprontando para se manterem populares, ou conseguirem respeito dos colegas, e os namorados dos sonhos. As altas doses de exagero, em todas as situações, fazem parte da cartilha do gênero, tornando o filme para um nicho específico, grande tolice, mas que acerta no público-alvo.

passionPassion (2012 – FRA/ALE) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na visão de mundo corporativo de Brian de Palma, os computadores não possuem senhas. A questão da hierarquia é um mero detalhe, e todos querem transar com todos (sejam homens e mulheres), e ao final, transam mesmo. As motivações sexuais regulam os comportamentos e movitações pessoais. É triste enxergar isso em de Palma, porém seu filme é repleto de tantos equívocos, que nem com toda boa vontade do mundo um fã poderá defendê-lo.

Seja pelas atuações fora de tom – Noomi Rapace sofrível, Rachel McAdams patética, ou pela necessidade de transformar a disputa de egos em thriller erótico, nada se parece com os climax geniais de Femme Fatale ou Vestida para Matar (só como exemplos). Seu remake do filme francês, Crimes de Amor, não passa de sombra do gênero que ele planeja desenvolver.

Falta vida, falta amor, a tensão surge de forma artificial, além de um plano saindo da posição de uma gaveta, oou uma tomada aérea, não há nada que se salve. E quando pensamos no roteiro, no desenvolvimento do crime, tudo parece coisa de amador.