Posts com Tag ‘Raphaël Personnaz’

umanovaamigaUne Nouvelle Amie (2014 – FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A carreira de François Ozon dava sinais mais promissores do que efetivamente se estabeleceu. A sensualidade nos suspenses (À Beira da Piscina), a predominância feminina nas comédias (8 Mulheres), e o tom intimista nos dramas (O Tempo que Resta) – só para citar filmes produzidos num espaço curto de tempo – passou. Ozon carrega o eclético, como também o irregular. Os temas permanecem (sensualidade, sexualidade, prioridade pelo feminino), a pegada, e a desenvoltura, há tempos não é mais a mesma. Neste novo filme, Ozon lembra Almodovar, porém faz de seu galã (Romain Duris), e protagonista, uma caricatura de um travesti. Aprofundamento raso, a comédia quase avergonhada.

Infelizmente, o filme faz todo sentido na carreira de Ozon, principalmente dentro dessa irregularidade que parece ser a tônica da última década. O cineasta parece o típico nome que goza de prestígio, mas que teima em não acertar mais. O inusitado em ver Duris, vestido como uma diva, se sustenta por poucos minutos. A falta de profundidade só traz uma simpatia marota pelos personagens, e um desenrolar de trama profundamente desinteressante.

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opalaciofrancesQuai d’Orsay / The French Minister (2013 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Comédia que ganha o público pela repetição e pelo cansaço. Não há nada de humor relevante no jovem Arthur Vlaminck (Raphaël Personnaz) que chega como assessor de linguagem do ministro. Muito menos no chefe de gabinete, o ponderado Claude Maupas (Niels Arestrup) que trabalha como o coração do Ministério do Exterior. O charme é mesmo do ministro (Thierry Lhermitte), que age de forma espontânea, as vezes incompreensível (meio Gilberto Gil), e suas manias, tratatas à repetição trazem o que se pode chamar de charme.

O classicismo do diretor Bertrand Tavernier não parece combinar muito com comédias, é de Lhermitte e sua performática presença, a frente das câmeras, que o filme consegue se desenvolver entre disputas internas e toda a burocracia governamental. A sátira sobre as loucuras do comando de um país é narrada de maneira elegante e patina em todas as cenas em que Lhemitte não marque presença (por mais que Arestrup tenha ganhado o César de ator estrageiro e demonstre seu costumeiro refinamento). O fato é que o jo vem assessor não decola, seu protagonismo é engolido pelos demais em cena, até Julie Gayet pode mais que o atrapalhado e sem graça Personnaz.