Posts com Tag ‘Rebecca Hall’

The Dinner (2017 – EUA) 

Era para ser algo nos moldes de Deus da Carnificina (deliciosa comédia de Roman Polanski), mas nas mãos de Oren Moverman, o jantar de dois irmãos e suas esposas, para discutir o que fazer após um grave incidente envolvendo seus filhos adolescentes, se torna uma colagem dos ressentimentos dos quatro personagens. É impressionante como o resultado final é desengonçado, desde a atenção dada a seus protagonistas (Steve Coogan domina quase tudo, com um personagem tão egocêntrico tanto quanto se faz de vítima). Enquanto sua esposa, mãe-protetora (Laura Linney), e o outro casal formado pelo politico dominador (Richard Gere), e sua esposa jovem e amorosa (Rebecca Hall) se tornam meros coadjuvantes dessa miscelânea de interrupções e passados resgatados.

Do caos, o filme perde o melhor, que seria desenvolver bem esses personagens, com a acidez que pudesse permitir a muitos se verem dentro da história. Mas não, não há espaço para nada além dessa artimanha de transformar o assunto familiar em jantar caótico, enquanto tentamos compreender um pouco dessa dificuldade de comunicação através dos olhos parciais de Coogan.

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Christine (2016 – EUA) 

Os filmes do brasileiro radicado nos EUA, Antonio Campos, ainda seguem inéditos no circuito comercial brasileiro, foram exibidos apenas em festivais. Esse terceiro longa-metragem consolida sua carreira de maneira sólida no circuito indie americano. Após dois trabalhos com foco na juventude americana (Depois da Escola e Simon Killer), vira algo suas atenções a história verídica da jornalista Christine Chubbuck que tirou sua vida, frente às câmeras, em prol da audiência e em protesto a ferrenha busca por ela.

Importante lembrar que no mesmo ano foi lançado o documentário de Robert Greene, Kate Plays Christine, e com suas semelhanças e diferenças, o todo apresenta um interessante estudo do caso. Se o deocumentário aproveita um pouco do sentimental e apenas expõe os fatos, é o filme de Campos e a boa interpretação de Rebecca Hall, quem oferece uma perspectiva mais irracional da jovem jornalista, suas perturbações pessoais e decepções em sua luta por crescer na profissão.

Cai como uma luva a reinterpretação dessa personagem em tempos de feminismo tão voraz, durante os anos 70, uma mulher de quase 30 e tão independente e decidida é mais outra possibilidade de retomar as bandeiras do mundo igualitário, ainda que o filme passe a justificar as decepções e o final trágico com suas manias e dificuldades de se relacionar em sociedade, logo ela que brigava por matérias criticas ou com cunho social, muito além da simples guerra sangrenta pela audiência.

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Iron Man 3 (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O fascinio, que virou febre, permanecerá intacto. Já se espera a próxima aventura com a presença de Tony Stark (Robert Downey Jr). Enquanto houver explosões e esse ego inflado e divertido, o público estará presente. Mais neurótico do que nunca, Stark recomeça com um flashback, mas antes ele se mostra realizado com seu relacionamento com Potts (Gwyneth Paltrow), e ainda mais obcecado por suas armarduras e tecnologias. Mas, acima de tudo um neurótico.

A presença de Shane Black (roteirista de filmes de ação como Máquina Mortífera), como diretor e roteirista, trouxe vilões bem mais interessantes (Ben Kingsley e Guy Pearce), e o terrorismo como mote central. Mas veio também uma versão MacGyver do Stark. As pretensões do personagem são trocadas pelas pretensões do próprio filme, tudo está cada vez mais faraônico, e quando procura algo mais “palpável” o transforma nesse clipe atualizado do velho seriado dos anos 80.

homemdeferro3_2É a sequência da farofa de Os Vingadores, aliás o filme não se cansa de citá-lo (até cansa), com os ingredientes básicos para manter a franquia viva, em alta, causando furor com as filas nas salas de cinema. Por mais que abuse de soluções fáceis, os minutos finais são ainda mais contundentes nisso, o fascínio causado por Tony Stark camufla os problemas.

The Prestige (2006 – EUA/RU) 

Brincar com o tempo é um dos passatempos preferidos do cineasta Christopher Nolan. Em seus filmes, freqüentemente os flashbacks são de importância vital, o tempo em idas e vindas, e aqui não é diferente, na história de dois mágicos obcecados. E como foco de sua obsessão, a fama e o poder, colocam-se em segundo plano, em detrimento de uma rixa estabelecida entre Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale). De aprendizes a oponentes, que não medem esforços para prejudicar ao outro, roubar seus truques e ferir da maneira mais leviana possível. Nolan transforma a mágica numa obsessão compulsiva após um acontecimento mal-explicado leva à morte da esposa de um deles. Família, amor, dinheiro, nada é tão importante quanto a disputa mortal travada pelos promissores mágicos londrinos, nada perdoa nem seus entes queridos Cutter (Michael Caine), Sarah Borden (Rebecca Hall), e a pivô de muita discórdia Olivia Wenscombe (Scarlett Johansson).

Mesmo fazendo de maneira convencional, Nolan sabe impor ação e principalmente dar cadência à sua narrativa, sempre privilegiando roteiros engenhosos e bem arquitetados, o cineasta perde-se na grandiloqüência do próprio roteiro que escorrega feio nos últimos vinte minutos com soluções mirabolantes e outras pouco interessantes. O desejo de sempre oferecer um final inventivo e inesperado nem sempre surte os efeitos desejados, e pode transformar grandes truques em mera formalidade estilística.