Posts com Tag ‘Reese Witherspoon’

vicioinerenteInherent Vice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É como se Paul Thomas Anderson condensasse toda a parte descolada de sua carreira num único filme. Sua bastante fiel adaptação do livro homônimo de Thomas Pynchon é um noir multicolorido, e animado em sua trilha sonora, em permanente viagem de entorpecentes. Esse espírito captado por Anderson é tal qual o livro. A sensação de que o detevido “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) vive em constante efeito de drogas, e outros alucinógenos, é a verdadeira linha narrativa utilizada por Pynchon e por Anderson.

O detetive se mete nas maiores confusões quando se envolve a investigar um pedido de sua ex, de gangues de motoqueiros nazistas, a um navio de contrabando, passando por um policial estranhíssimo, tudo é motivo para Doc “fumar um”. Este noir pós-moderno de Anderson carrega tons sexuais, o colorido dos hippies dos anos 70, e doses cavalares de humor por uma Califórnia extravagante e sensual.

Seguir todos os acontecimentos (tanto no filme, quanto no livro) se mostra uma perda de tempo, é impossível, é confuso, não deve mesmo fazer sentido nem na cabeça do autor. Talvez por isso consiga traduzir tão bem a essência dos anos 70, a malemolência, o suingue de quem coloca sua vida em risco e simplesmente ri de tudo a seguir. Anderson sai dos temas tão densos, da rigidez religiosa, para um clima de liberdade total, de descompromisso, o submundo do retrato da liberdade setentista.

Outros Filmes de Paul Thomas Anderson aqui na Toca: Jogada de Risco | Boogie Nights | Magnólia | Embriagado de Amor | Sangue Negro | O Mestre

Livre

Publicado: outubro 23, 2014 em Cinema, Mostra SP
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livreWild (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Só quem já enfrentou um mochilão, sozinho, sabe das dificuldades, das reflexões, da possibilidade de conhecer pessoas novas, da solidão, e dos benefícios que uma viagem desse tipo pode trazer. Quase sempre, mas não somente, ela marca a necessidade de um recomeço, de encontrar novos caminhos quando pontos na sua vida não estão bem sedimentados. Baseado no livro Wild: From Lost to Found on the Pacific Crest Trail, momento autobiográfico da vida de Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) temos a travessia pessoal dessa garota pela famosa trilha no oeste dos EUA.

O roteiro (escrito por Nick Hornby) segue duas linhas narrativas, a travessia e os flashbacks que ajudam a explicar os motivos que a fizeram buscar esse reboot. O diretor Jean-Marc Vallée bem que tenta, mas não consegue se desapegar das frases de autoajuda, e cai num erro não cometido em Na Natureza Selvagem, em dar maior importância à trajetória, ao humor dos pés machucados, do que privilegiar o que realmente é significativo e revolucionário: as pessoas que cruzam seu caminho, e a troca de experiências. Vallée se aproxima mais de 127 Horas, ou de um Comer, Rezar e Amar versão mochileiro. Os dramas de Cheryl ajudam elevar essa proximidade com a autoajuda. Se Vallée, novamente, utiliza-se bem da trilha sonora, e tenta dar novo gás ao ritmo narrativo com cenas focadas em pequenos objetos, por outro lado perde a riqueza que diálogos e experiências poderiam evocar. Restando muito mais a curiosidade pelos comportamentos de Cheryl, antes da trilha, se bem que eles explicam a decisão de Cheryl, nunca os próprios comportamentos. Falta gente e sobra deserto nessa história.

mudMud (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Jeff Nichols não esconde sua inspiração em Mark Twain, dois jovens (Tye Sheridan e Jacob Lafland) navegando pelos afluentes do Rio Mississipi, com o pequeno barco a motor eles desbravam uma ilha, que acreditam ser deserta, um território só deles, pronto a ser explorado. Diferente do que o título nacional sugere, o filme é muito mais sobre dois garotos embarcando numa aventura, perigosa, do que a sugerida história de amor que move o sujeito misterioso (Matthew McConaughey).

Garotos aventureiros, corajosos, mas, acima de tudo, movidos por uma fé em alguns valores que os deixam mais fortes do que aparentam. Amizade e amor são fundamentais, mesmo que sejam apenas adolescentes e desconheçam os verdadeiros meandros de um relacionamento, como se o amor justificasse qualquer coisa. O encontro com o Mud, o estranho e faminto escondido na ilha deserta, cria laços de amizade, ouvem e acreditam piamente nas histórias do desconhecido, viajam pela própria imaginação atiçada por esse cara meio repugnante, meio sedutor.

mud2Essa mescla de amor marginal e personagens tão delinquentes (vide Reese Witherspoon, e até mesmo Sam Shepard), com a inocência de adolescentes que colocam a coragem (o amor, ou desejo por bens materiais) acima de riscos que eles nem sabem medir, oferecem um pouco dessa possibilidade de se enfeitiçar por entre arbustos e histórias que quase se materializam em contos de fada marginais.