Posts com Tag ‘relação pai-filho’

Real Steel (2011 – EUA)

Lembra daquele filme do Sylvester Stallone de um motorista de caminhão que cruza os EUA disputando braço de ferro? E ele precisa passar algumas semanas com o filho que nunca encontra e nasce uma óbvia relação fraternal. Adicione elementos de Rocky Balboa e uma atualização para um futuro próximo, evitando os excessivos dramalhões que Stallone adora preencher e está aí o novo sucesso do cineasta Shawn Levy. Dentro dessa atualização o pai (Hugh Jackman) pobre e bom coração se torna num interesseiro que logo no começo sai vendendo o filho, ainda assim precisa passar um tempo com o garoto e o insere no universo das lutas de boxe entre robôs (que entrou na moda quando o boxe entre humanos foi proibido). Um garoto simpático, um robô azarão que dança e faz carinha de piedade e pronto, a produção da Disney tem seu sucesso garantido, e o filme realmente funciona, as lutas são empolgantes, as cenas dramáticas de redenção funcionam, está tudo ali redondinho, funcional e divertido, por mais que seja a junção desses 2 filmes do Stallone repaginados.

Estreia amanha o vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano.

In a Better World (2010 – DIN)

Susanne Bier sempre com seus dramas carregados, o peso do mundo sob as costas de seus personagens, as vidas retratadas estão sempre no limite extremo, na dor, na desilusão, completamente fora do caminho. Dois garotos se conhecem na escola, espectros de duas famílias em frangalhos. Um revoltado com a recente perda da mãe, o outro zoado na escola enfrenta um processo de separação dos pais. Violência, destempero, raiva e vingança são temas, talvez até uma crítica ao estilo de educação dos pais. Bier quer ir mais além, Anton é o personagem chave, pai de um dos garotos, ele trabalha como médico numa região inóspita e marcada por guerra civil na África.

Nessa vida de dois rumos, ele prega a paz como forma de incitar aos “babacas” ou “idiotas”, faz jus a seus valores, enquanto o filme discorre sobre os demais personagens, sempre abusando de uma trilha sonora suave que berra ao silencio o tom de drama que se almeja carregar ainda mais. Bier peca nesses excessos, na necessidade de acentuar o drama, nos silêncios e vazios dentro de uma estrutura mais palpável ao público, e nessa necessidade de provar que o mundo está perdido, mas ainda há solução.


Un Homme que Crie (2010 – Chade/FRA/BEL)

A guerra civil prestes a eclodir no Chade, com os passar dos dias a situação nas ruas aproxima-se do caótico. Os rebeldes atacam, o exército precisa de voluntários para combater. A vida de Adam é a piscina, o ex-campeão de natação ganha a vida trabalhando com seu filho numa piscina de um hotel de luxo. A crise no país força o hotel a demitir, Adam vai para a portaria enquanto seu filho assume a piscina. A situação o corrói, Mahamat Saleh Haroun filma delicadamente todo esse processo que leva um homem sereno a uma escolha intempestiva, egoísta. Há os que morrem pelos filhos, por trás dessa situação política que se repete pelos países africanos, o cineasta conta uma história de arrependimento, de culpa, com sua sensibilidade lenta e a ausência de arroubos de emoção. Ainda assim, o filme guarda dois ou três momentos, como na cena em que a namorada grávida ouve o cassete com o recado do namorado que está lutando. Título mais correta seria “que grita calado”, só que esse grito ecoa dentro de si, devastador.