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The Ledge (2011 – EUA)

Sabe aqueles filmes em que voce se divide, quer gostar e não consegue. Não quer gostar e acaba gostando. Cria um dilema. Não há nada de especial, pelo contrário a direção de Matthew Chapman é como manda o figurino, takes médios, sem nenhuma marca autoral, o filme é totalmente focado em contar uma história, um triangulo amoroso. E ainda incorporar fortemente o tema religioso, um pragmático-racional (Charlie Hunnam) e um católico fervoroso (Patrick Wilson) colocam suas opiniões, nunca chegam ao convencimento, e ainda acabam disputando o coração de uma mesma mulher (Liv Tyler). Incorpore ainda homossexualismo e fé, passados trágicos, tudo para carregar nas cores dramáticas (desnecessário, o mote religioso e o triangulo amoroso sustentam bem a história).

Acho que esse é o dilema, seria um filme banal porém eficiente, os adjetivos que a trama desenvolve além trazem carga, porém pouca relevância efetiva. Acaba pesando contra, e ainda há a vida particular do policial (sim, temos um policial (Terrence Howard) com sérios problemas domésticos tentando evitar um suicídio, e os problemas dele atravancam o flashback que explica as razões do suicida estar à beira de pular daquele prédio). Parece confuso, na verdade não é, o resultado é como uma garota que abusou um pouquinho na maquiagem, mas não chega a parecer um pavão. A verdade é que o triangulo amoroso te envolve, sem cenas inesquecíveis de romantismo, porém ele está lá, e isso até consegue fazer a diferença.

 

Die Fremde / When We Leave (2010 – ALE)

Sofrimento pouco é bobagem na vida dessa alemã que decide largar um casamento agressivo e opressor na Turquia fugindo com seu filho para a casa dos seus pais em Berlim. Família de religiosos ortodoxos, aquilo que a ela parecia ser o porto seguro, torna-se mais um dos martírios quando seus familiares entregam-se às convenções sociais muçulmanas tratam-na como vergonha da família. Já não chega a decisão de largar um casamento e uma vida, ela tem ainda que ser julgada, mal-tratada, humilhada, praticamente pisoteada por pais, irmãos e toda uma sociedade que a recrimina pela simples decisão de sair do inferno? Feo Aladag foge de uma história lacrimosa, preferindo sempre a dureza, as tentativas de reinício são sempre destruídas pela perseguição, pela ortodoxia doentia que violenta ao invés de apoiar e suportar. E na cena final dolorida, que nos pega de supetão, guarda todo o rancor do filme que não permite nem mesmo a redenção quase pregada minutos antes.