Posts com Tag ‘Ricardo Darín’

Todos Lo Saben (2018 – ESP)

Do glamour em ser o filme de abertura do Festival de Cannes ao esquecimento, inclusive no próprio festival, afinal, o iraniano Asghar Farhadi tão premiado e passou 2018 com seu filme nada lembrado. Agora que começou a ser lançado em alguns países, e é fácil notar esse ostracismo.

O estilo de diálogos e dramas familiares de Farhadi está lá,como sempre, mas falta sangue latino para esse enredo, e principalmente aos personagens. Na trama, um casamento marcando reencontros, uma tragédia “exasperante”, segredos do passado, e plot twists, que ajudariam a envolver o publico. Sem doses de melodrama, mas com personagens e diálogos apáticos, o filme trafega por surpresas telegrafadas e só se equilibra mesmo pelo dilema moral do personagem de Javier Bardem. O resto é tudo no piloto-automático, muito aquém da vividez que Farhadi já mostrou quando tratava de questões bem mais próximas a culturas que ele conhece bem.

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La Cordillera / The Summit (2017 – ARG) 

A todo custo Santiago Mitre tenta dar peso a seu novo filme. Começa escalando Ricardo Darín como um presidente da Argentina, passa pela trilha sonora, excessivamente presente, que busca o tom de Thriller, os dramas familiares do chefe de Estado que se sobrepõe a vital cúpula de países Sul-americanos que ocorre num hotel nas Cordilheiras Chilenas. Intrigas politicas ocorrendo, dentro e fora de seu país.

A cada nova carga dramática, a cada novo movimento no tabuleiro de xadrez, o filme só aparenta ainda mais equivocado. Culpa do peso de cada cena, do ar complacente do personagem, do uso das tramas políticas apenas como preenchimento dos hiatos das questões particulares. A Cordilheira não convence com nem pelos problemas pessoais, e muito menos pelas artimanhas políticas e Mitre cria um abismo onde seu filme só tende a mergulhar, cada vez mais.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Un Certain Regard

Nieve Negra (2017 – ARG) 

Filme após filme, é impressionante a capacidade de Ricardo Darín em mobilizar público, dentro do circuito de cinema nacional, não importa seja um drama, um thriller, uma comédia ou um melodrama. Afinal, esse segundo filme do diretor Martín Hodara nem devesse ser digno de nota, pois não foge do esquema de uma “reviravolta” para mexer com o público, e claramente se estabelece como o grande mote do filme.

O irmão ermitão (Darín), que vive na Patagônia, é procura pelo outro irmão (Leonardo Sbaraglia) a fim de aceitar a venda de um negócio da família. Pouco a pouco, o roteiro tenta construir as razões do distanciamento, a tragédia do passado, e a aspereza com que o sujeito isolado do mundo age com qualquer ser humano. Mesma a coragem em tratar um assunto tabu, no grande momento da virada da trama, apresenta ser um OVNI dentro de uma narrativa tão sedimentada em suas bases de didatismo em tom de tragédia sulamericana.

trumanTruman (2015 – ESP/ARG)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Eis o grande vencedor da última edição dos prêmios Goya (filme, ator, ator coadjuvante e etc). Trata-se de outro filme bastante masculino do diretor Cesc Gay. O que os Homens Falam era uma comédia de costumes masculinos, bem ruim por sinal. E neste novo trabalho, Gaye repete parte da fórmula, e dois dos atores desse filme anterior (Ricardo Darín Jávier Cámara).

Eles são os dois amigos inseparáveis à procura de uma família adotiva para o cão de Julian (Darín) que está com câncer em estágio avançado. O mote das despedidas e outras crises sentimentais pessoais, ou de pessoas próximas, é bastante óbvio. É um filme carregado de melancolia, de olhares adocicados e trilha sonora tranquila, enquanto assiste a essas despedidas, pequenos acertos de contas, e comportamentos amáveis do galã de teatro que vem o fim próximo. O resultado é outro filme de pobreza cinematográfica, calcado apenas nesse contar uma história para emocionar.

relatosselvagensRelatos Salvajes (2014 – ARG) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Imensa maioria do público brasileiro quer mesmo saber do novo filme com Ricardo Darín, mas, além dele há muito mais na volta do diretor Damián Szifron. Uma comédia debochada, por oras tola (Tempo de Valentes e El Fondo Del Mar, suas comédias anteriores já pecavam pelo ingênuo), regada a sangue e violência. O tema é vingança, seis pequenas histórias que dialogam pelo tema, além carregado tom humorístico. Szifron busca situações do cotidiano, exemplo disso é a história em que Darín é o protagonista, e enlouquece pela burocracia e os desmandos do serviço de multas de trânsito de Buenos Aires.

Brigas de trânsito, provocações, ressentimentos do passado que explodem como um barril de pólvora. Szifron eleva as situações à máxima potência, extrai do público gargalhadas ao expor nossos comportamentos caricatos. É a nossa selvageria levada à última consequência, apenas com uma roupagem agradável para uma sessão de cinema (em grupo melhor ainda, as risadas contagiam), e nem nos damos conta do quanto de nós está representado naqueles personagens. A hilária festa de casamento que se torna um pesadelo, Szifrón extravasa pelo sádico, pelo humor negro, um diálogo fácil com o público, personagens vivem seus “dias de fúrias”. O diretor argentino joga fácil para a torcida.

omesmoamoramesmachuvaEl Mismo Amor, La Misma Lluvia (1999 – ARG) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Um ponto interessante da vida cinéfila é visitar trabalhos anteriores de cineastas que, de alguma forma, chamaram atenção. Juan José Campanella é um desses casos, se O Filho da Noiva o consagrou, e O Segredo dos Seus Olhos reafirmou seu talento com dramalhões eficientes e emocionantes, sempre tendo como pano de fundo momentos históricos argentinos emblemáticos, este filme foi o degrau anterior na escada de sua fama.

Campanella já colecionava outros longas e trabalhados prestigiados na tv, até contar essa história que percorre duas décadas da vida de Jorge (Ricardo Darín) e Laura (Soledad Villamil). Anos 80 e 90 argentinos, crises financeiras, golpes militares, Guerra das Malvinas, o governo Menem. Pela redação de uma revista se passam as mutações políticas, Campanella tenta tratar do drama (romântico e açucarado, ao seu jeito), euquanto resgata uma espécie de verdade Argentina que precisa ser divida co o mundo.

Seus personagens riem e choram, amam e odeiam, se entusiasmam por causas ou aagem de acordo com seus escrúpulos. O resultado é bastante irregular, realmente torto, Campanella não consegue costurar esse emaranhado de temas complexos. Sua visão de amor romântico é ingênua e doce, em contrapartida as críticas políticas parecem quase entusiasmadas. Nesse desequilíbrio de caráteres e confortos financeiros, Campanella tenta decifrar a vida e as imperfeições humanas que geram reações capazes de aproximar ou afastar, sejam amigos, sejam amores.

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Una Pistola en Cada Mano (2012 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Como é ser homem, atualmente, e viver na faixa dos 40 anos? Que tipos de aflições e medos, dramas e dúvidas, qual o conforto financeiro e as relações amorosas que vivem? Aquele clima de filme coletivo, estilo Paris, Te Amo, com histórias curtas, um quê de comédia, e um elenco de chamar a atenção.  Se o filme não sofre da uniformidade resultante da mão de vários diretores, o cineasta Cesc Gay pouco de interessante consegue agregar, seja pelas histórias banais e nada inspiradas, seja pela abordagem primária.

oquefalamoshomens2Dos que voltaram a morar com os pais, aos que tentam uma escapadinha fora do casamento, ficamos mais atentos apenas à aparição de Javier Cámara na agridoce história do homem que se divorciou e tenta reatar com sua esposa. E, principalmente, ao encontro de Ricardo Darín e Luis Tosar, o traído que seguiu a esposa à casa do amante e o amigo que confunde o nome das namoradas e do cachorro. As demais são muito apagadas, e pecam por um grau de veracidade sem brilho, como se fossem histórias que sequer merecessem serem contadas. Os 8 homens não representam a gama masculina dessa faixa etária, e nem conseguem trazer vidas pitorescas ao público.