Posts com Tag ‘Ricardo Darín’

Kamchatka (2002 – ARG)

Visto atualmente, após uma leva de filmes sobre ditaduras militares sul-americanas, inclusive alguns sob os olhos de crianças (como Machuca no Chile e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias no Brasil) não parece nada fundamental. O tema está gasto, as histórias que sempre merecem ser contadas, até para não nos deixar esquecer dos absurdos hediondos que governos e poder causaram em feridas incicatrizáveis por nossos países, realmente cansaram o gosto do público.

Tentando deixar de lado o desgaste, o filme de Marcelo Piñeyro é apenas corretinho e seguro. Uma história bem contada, sem muitos detalhes, um casal (Cecila Roth e Ricardo Darín) que precisou se esconder da ditadura argentina por ser contra a tomada de poder, e a convivência com os filhos pequenos num lugar escondido, mudando os nomes e vivendo com o medo. Em busca de alguma poesia, o título faz referência ao jogo de tabuleiro War, fica na boa intenção.

Un Cuento Chino (2011 – ARG)

A pergunta vem como um virus letal, automatica, cheia de expectativas, basta a pessoa te encontrar nas últimas semanas sabendo que voce gosta de cinema para perguntar: “Você viu Um Conto Chinês?”.  E finalmente conferi essa fábula de costumes dirigida por Sebastián Borensztein. E o que há de especial nesse filme que anda cativando multidões? Simplesmente nada, não passa de uma história cheia de pequenas e singelas bizarrices narrada de forma cativante e simplória, sem fugir dos clichês de um típico filme onde um ermitão acaba tocado por pessoas à sua volta. Já assistimos a este filme dezenas de vezes, mas aqui há toda essa coisa de um chines engraçado perdido em Buenos Aires, sem falar uma palavra em espanhol. E o filme se envereda pela vida de Roberto (Ricardo Darín) que prefere a solidão de suas pequenas coleções. É singelo, simplório, alias usa muito bem a artimanha do simplório para se estabelecer como um filme de boa história, capaz de conquistar a todos que tenham um mínimo de sensibilidade.

 

A Aura

Publicado: abril 6, 2011 em Cinema
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El Aura (2005 – ARG) 

O cineasta argentino Fabián Bielinsky se foi há alguns anos, encontrado morto num quarto de hotel em São Paulo. Seu legado foi curto, apenas alguns curtas e dois longa-metragens finalizados, e uma sensação de talento prematuro. Seu primeiro longa foi a pequena pérola Nove Rainhas (que revelou Ricardo Darín, e virou remake em Hollywood), por mais que alguns críticos tanto prefiram seu último trabalho, que chegam a considerar como o melhor filme argentino de todos os tempos.

E novamente temos Darín com protagonista, na pele de um taxidermista quieto, que sofre com ataques epiléticos, e brinca de planejar um assalto ao museu onde fornece suas peças. É tudo muito bem filmado, Bielinsky sutilmente dá formato sensorial ao seu thriller, os silêncio, os sons, o medo do perigo, do desconhecido e de um possível ataque, tudo envolto nesse exercício do cineasta em dar roupagem pessoal ao roteiro. A fotografia acinzentada, os leves travellings, e um personagem de ambição implosiva. Inseguro e autoconfiante, hipnotizado pela floresta e por um mundo que ele acredita que possa controlar.

Abutres

Publicado: janeiro 11, 2011 em Uncategorized
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Carancho (2010 – ARG)

Depois de uma grávida num presídio, Pablo Trapero discorre sobre outro tipo de marginalização social, os abutres são advogados vivendo da indústria dos acidentes de carro e conseqüentes processos judiciais contra motoristas. Enquanto a história de máfia e submundo corrupto transcorre, o melhor do filme segue na relação amorosa surgindo entre uma médica (Martina Gusman) e um dos abutres (Ricardo Darín). Quando o foco está nos dois, Pablo Trapero apresenta sua melhor forma numa direção exemplar, e com sequências arrasadoras como o plano-sequência acompanhando a médica por entre os corredores do hospital. O filme peca em seu roteiro, clichês perseguem a cada nova cena a história de modo a deixar tudo tão obvio que a denuncia de Trapero quase se dilui, já os olhares representativos entre os dois atores demonstrando suas emoções (sejam elas positivas ou não), e as escolhas (nem sempre óbvias de Trapero) conduzem a um aspecto mais que interessante.

Nueve Reinas (2000 – ARG) 

Se notabilizou como um dos principais marcos da explosão do cinema argentino pelo mundo, uma das vedetes mundiais, mesmo que o país enfrente uma grave crise econômica (que normalmente reflete nos financiamentos da indústria). Impressionante a reputação que o longa de estreia de Fabián Bielinsky, se pensarmos que parte da simplicidade, de um roteiro bem tramado, e cheio de artimanhas para enganar e surpreender o público. Enquanto a fórmula não ficar gasta, vai agradar em cheio o público.

A trama tem no centro dois vigaristas, Marcos (Ricardo Darín) e Juan (Gastón Pauls), que encontram um jeito fácil de ganhar uma boa grana: vender selos raros falsificados. Antes do grande folpe, passamos o dia em pequenos golpes, em dupla, entre mestre e aprendiz. Sempre nessa tocada que varia entre o bom humor e a malandragem sul-americana de que tudo tem preço, tudo pode ser vendido por um bom preço.

Bielinsky oferece um ritmo novo, uma maneira mais moderna de fazer cinema, desde da narrativa irresistível, até nas artimanhas do roteiro que testa o público, pede pela adivinhação e torna desse jogo o seu maior mérito de sedução. Venha se surpreender com o final de Nove Rainhas e descobrir Ricardo Darín.