Posts com Tag ‘Robert Downey Jr’

Spider-Man: Homecoming (2017 – EUA) 

Chegou o dia em que o cinema transformou O Homem-Aranha em coadjuvante do Homem de Ferro e dos Vingadores. Aquela aparição relâmpago, que causou frisson no último Capitão América, não poderia nos dar tantas pistas, do que não queríamos ver… como ele se encaixaria no Universo Marvel. O filme surge como outro subproduto de algo maior, que são os Vingadores, até mesmo de personagens maiores, bem diferente do que sempre ocorreu.

Universo Marvel à parte, o filme dirigido pelo impercepível Jon Watts é narrado (e praticamente voltado) sob a ótica desse garoto de quinze anos. A identificação com esse público-alvo é mais que direta, é absoluta. E nisso está todo o tom do filme, mesmo que para isso precise desprezar qualquer traço de Cinema em prol das piadinhas, a qualquer custo desse humor Marvel, e das cenas de ação atabalhoadas. É um filme de desperdícios, e raso nos pouquíssimos temas que aborda. Porque há sim essa questão da juventude apressada, incapaz de ter paciência, mas esse ponto é engolido, assim como qualquer relaciomanento pessoal, romântico ou afetivo, por mais e mais piadas baratas. Ok, o filme não precisava explicar os personagens, já os conhecemos, mas quais são as características da Tia May, ou da namoradinha do colégio? Simplesmente estão lá, vazios quato a profundidade que Watts dá  seu filme.

O tom do filme já estava escancarado no found footage do início, mas Watts é incapaz de escapar de sua armadilha, ou de deixar de fazer o filme girar em torno de Tony Stark. Não há praticamente uma cena em que ele não seja citado (ou esteja presente). Por outro lado, o filme diz muito sobre essa geração de novos adultos, incapazes de se desprender do lado mais criança. Só consigo encontrar Cinema na sequencia entre o apertar de campainha e o fim do baile para Parker, é muito pouco no meio desse emaranhado de cenas jogadas num ritmo alucinante. A cada novo filme, o Homem-Aranha regride na idade, tenta assim representar uma nova geração de fãs, mas só tem conseguido perder seu charme de rapaz atrapalhado.

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Captain America: Civil War (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O ano em que o cinema viu os primeiros filmes de super-heróis brigando entre si. Batman vs Superman, e agora Os Vingadores (cada lado sendo liderado por Capitão América e Homem de Ferro) e muita porrada entre eles. E por mais que ambos tenham o fato gerador da briga muito parecido (a morte de inocentes e a responsabilidade dos heróis por estas mortes), Marvel e DC realizam filmes completamente diferentes. E a Marvel ganhou fácil essa disputa.

É outro produto essencialmente conciso dentro do que o estúdio vem apresentando como Universo Expandido, um novo ponto unificando personagens que foram lançados em filmes solo (Homem Formiga) ou que serão em breve (o novo Homem Aranha, ou o Pantera Negra). Como se apresenta como “filme-solo” do herói com esculo, e não um filme dos “Vigadores”, o humor não tem o mesmo tom exagerado, por mais que algumas piadinhas esteja espalhadas entre as cenas de luta. É, essencialmente, um filme de muita porrada intermediado por discussões quase políticas sob aceitar, ou não, a supervisão da ONU. Faltam personagens (Thor e Hulk), e se a disputa filosófica entre Rodgers e Stark parece bem desenvolvida, a tomada de partido dos demais nem sempre se configura tão politizada, chegando a parecer aquela pelada onde os capitães saem escolhendo seus times.

A primeira sequencia de ação (que dá uma saudade danada da sequencia de assalto ao banco do Batman de Nolan), em Lagos, culmina em todo peso dramático do filme, ainda que o momento tão intenso seja rapidamente cortado para um encontro dos heróis num escritório. É a constatação que os irmãos Russo tem a missão de explicar as razões da briga, mas não ir muito profundo nessas feridas.

Há ainda um vilão na trama, que tempera ainda mais essa disputa. E há também a dubiedade do Soldado Invernal, mas novamente a Marvel peca em não criar vilões poderosos e inesquecíveis, ou em subaproveitar tantos personagens que espalha em seu filme. É tudo arquitetado para colocar seus produtos em destaque, o filme funciona perfeitamente bem, por exemplo, para resgatar o Homem-Aranha, e lhe oferecer nova possibilidade de retomar o personagem. Enquanto isso, vai mais fundo nas diferenças e personalidades de Rodgers e Stark, até constatar o quanto esses personagens carregam consigo o peso da perda dos pais (podem reparar, todos carregam o fardo, tanto Marvel, quanto DC).

O filme vale mesmo pela monstruosa sequencia no aeroporto, ali o fã pode se decilicar com o melhor de cada um dos poderes de seus heróis, a porradaria convincente, ainda que alguns nem saibam direito porque estão lutando por aquele lado. E dessas fragilidades que os irmãos Russo teorizam seu filme, com lutas cheias de câmera tremida (algumas que beiram o insuportável) e as sacadinhas de humor, porém mostram fragilidades que podem cegar por vingança ou teimosia, tal qual a imperfeição humana.

vingadores2aeradeultronAvengers: Age of Ultron (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Passada a novidade do encontro dos heróis da Marvel, num mesmo filme, e das sequencias dos filmes individuais, chega a hora do novo encontro dos Vingadores, e surge uma pergunta: Até quando os filmes permanecerão tão iguais? Porque, se teremos uns três filmes por ano, dessa turma, há que se apresentar algo além, ou o público-pipoca se contenta com o humor característico e as expressões de efeito dos heróis diante dos vilões?

Criou-se um ciclo vicioso. O humor de Tony Stark (Robert Downey Jr) precisa estar presente nos demais heróis. O timing humorístico já não é o mesmo porque a fonte seca. Por isso, exceto as brincadeiras com o martelo do Thor (Chris Hemsworth), o rsto não funciona, mas passa batido dentro da farofada que Joss Whedon segue comandando.

O tema inteligência artificial parece a bola da vez em Hollywood. Primeiro foi o esquecível Chappie que retoma a ideia, e agora os Vingadores sofrem também com este advento (em breve teremos o novo Exterminador do Futuro). Ultron (James Spader) e Visão (Paul Bettany) são inserções interessantes ao mundo Marvel, porém ficam de escanteio, em detrimento as farpas trocadas entre Homem de Ferro e Cap. America (Chris Hemsworth), o romance complicado entre Hulk (Mark Ruffalo) e Viúva Negra (Scarlet Johansson), ou a tentativa de dar protagonismo ao Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). A franquia parece mais preocupada em dar suporte aos próximos filmes, do que se estabelecer como um filme interessante. Prefere ser pura farofa.

CHEFChef (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Jon Favreau vem com aquela pegada de feel good, aquele humor falsamente despretensioso. Usa também um assunto tão atual, os chef’s viraram celebridades, e o food truck vai se proliferando. Não se esquece de envolver o que há de mais atual no mundo da internet, o twitter, a proximidade do público com “celebridades”. Para completar, Favreau mostra como é bem relacionado em Hollywood, não faltam astros com participações importantes (Robert Downey Jr, Dustin Hoffman, Scarlett Johansson).

O drama é barato, pai workaholic e divorciado que não consegue dar atenção necessária ao filho. Crises profissionais, stress. Coloca tudo isso dentro de um trailer e se reinventa vendendo comida por ai. Porém, Favreau transmite simpatia, traz a cultura cubana (a colombiana Sofia Vergara interpreta a ex-esposa), o prazer em cozinhar, o tom de humor certo, e o resultado é essa coisa leve e divertida. De dar água na boca.

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Iron Man 3 (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O fascinio, que virou febre, permanecerá intacto. Já se espera a próxima aventura com a presença de Tony Stark (Robert Downey Jr). Enquanto houver explosões e esse ego inflado e divertido, o público estará presente. Mais neurótico do que nunca, Stark recomeça com um flashback, mas antes ele se mostra realizado com seu relacionamento com Potts (Gwyneth Paltrow), e ainda mais obcecado por suas armarduras e tecnologias. Mas, acima de tudo um neurótico.

A presença de Shane Black (roteirista de filmes de ação como Máquina Mortífera), como diretor e roteirista, trouxe vilões bem mais interessantes (Ben Kingsley e Guy Pearce), e o terrorismo como mote central. Mas veio também uma versão MacGyver do Stark. As pretensões do personagem são trocadas pelas pretensões do próprio filme, tudo está cada vez mais faraônico, e quando procura algo mais “palpável” o transforma nesse clipe atualizado do velho seriado dos anos 80.

homemdeferro3_2É a sequência da farofa de Os Vingadores, aliás o filme não se cansa de citá-lo (até cansa), com os ingredientes básicos para manter a franquia viva, em alta, causando furor com as filas nas salas de cinema. Por mais que abuse de soluções fáceis, os minutos finais são ainda mais contundentes nisso, o fascínio causado por Tony Stark camufla os problemas.

osvingadoresThe Avengers (2012 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Que grande farofa cozinhada pelo diretor Joss Whedon. Mas, como nas propagandas das Facas e da meias resistentes: “não é só isso”. A farofa é bem encorpada, tem tomate, linguiça especial, ovo, e outras iguarias pouco comuns. O plano da Marvel foi claro, lançar filmes, independentes de seus heróis, e depois uma franquia que os uma. O futuro promete que os filmes independentes também dialoguem com a franquia principal, garantindo assim mais bilheteria. Se alguns filmes deram certo (Homem de Ferro), outros fracassaram (Hulk, por exemplo foram duas tentativas e nada, só que dessa vez, Mark Rufallo foi quem roubou a cena e pode trazer nova vida ao Hulk).

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E nesse foi momento de unir os Vingadores através da S.H.I.E.L.D, prevalece, acima de tudo, o humor de Tony Stark, multiplicando aos demais. Deixando que as explosões ocupem o resto da história. Sinto falta de uma preocupação mais forte com vilão (Loki), e com uma história que não fosse plausível apenas com extraterrestres (porque desse modo ficou fácil). Mas, se o cinema é capaz de criar um produto para se saborear com pipoca e diversão, os Vingadores é o exemplo máximo.

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Iron Man 2 (2010 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Bastaram dois filmes para que o Homem de Ferro se tornasse um fenômeno, colocado no primeiro plano dos super-heróis, tomando o posto do Superman. Mas o diretor Jon Favreau (que faz ponta divertida nos filmes) não é o grande responsável, foi Robert Downey Jr quem criou o mito. Tony Stark é Downey Jr, excêntrico, carismático, debochado. Os grandes momentos são quando Stark assume sua vida, sem armadura, sem heroísmos.

Quando surge o Homem de Ferro não passa de mais um jogo de bons efeitos especiais e vilões caricatos (dessa vez Mickey Rourke), felizmente sempre há Stark com suas piadas e provocações, o filme está impregnado desse humor de Downey Jr, não importando quais loiras estão ao seu lado (Gwyneth Paltrow ou Scarlett Johansson).