Posts com Tag ‘Robert Duvall’

We Own the Night (2007 – EUA)

James Gray tem algo diferente no trato da imagem, ou melhor, na forma como ele a explora, é algo vouyer dentro de um estilo próprio, talvez nos traga a sensação de estarmos manejando a câmera, ao invés de apenas observando. Essa sensação vem desde a primeira cena quando o gerente da boate El Caribe, Bobby Green (Joaquin Phoenix) encontra sua sexy namorada Amada (Eva Mendes) masturbando-se num sofá e ele assume carinhosamente a situação até ser obrigado a parar com a diversão (ossos do ofício). O roteiro, bem amarrado, não guarda surpresas, reviravoltas, há nele o peso familiar, o comportamento revoltado do “ovelha-negra”, mas há a ligação fraterna.

Bobby mantém distancia do irmão (Mark Wahlberg) e pai (Robert Duvall) policiais, enquanto vive da noite nova-iorquina e da proximidade com o trafico de drogas capitaneado por gangsteres russos até que seus familiares correm risco e ele é obrigado a optar por um dos dois lados. A seqüência avassaladora de perseguição de carros na chuva (em emoção e sentimentos) é apenas outro grande momento onde Gray demonstra todo o peso de sua mão condutora, mas sua força onipresente é mais forte nos pequenos momentos, na angustia de Bobby e Amada, na cena com a escuta no isqueiro, na solidão que o até então “dono da noite” divide num hotel às escondidas. De forma clássica, por mais que peque em alguns excessos como o sermão dos policiais na igreja (moral e religião elevadas), Gray resgata o gênero policial esquivando-se de tortuosas cenas de ação para privilegiar a justiça do homem, a lealdade de suas convicções, como nos velhos westerns.

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opoderosochefao2The Godfather: Part II (1974 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Lealdade é a palavra de ordem da saga dos Corleone. Ela está acima dos interesses comerciais, dos sentimentos. É a lealdade que move as decisões, dá credibilidade e camufla outros erros. Tudo pode ser perdoado, exceto a falta dela. O segundo capítulo da saga marca a consolidação de Michael (Al Pacino) como o chefe da família Corleone, colocando sua maturidade à prova entre tantos interesses individuais, dentro e fora do clã. O diretor Francis Ford Coppola materializa a lealdade como figura máxima, partindo de duas frentes: a nova configuração da família Corleone, sem o pai; e o flashback da migração de Vito (Robert De Niro) para os EUA, e seu início no mundo do crime.

Cassinos e hotéis, investimentos em Cuba (concomitantemente com a revolução de Fidel prestes a explodir), as insatisfações dos aliados que querem mais poder, novas conspirações do mundo máfia e o governo investigando os negócios da família Corleone. Michael enfrenta crises, sua liderança com pulso firme é contestada. As crises matrimoniais com Kay (Diane Keaton). Coppola não se cansa de planos fechados no rosto de Pacino, no auge o ator corresponde com o peso do amargor e a necessidade de ser firme. É um filme com menos sangue, porém muito mais sentido.

De outro lado, a ascensão de Vito Corleone, a fuga da Itália, os tempos difíceis em Nova York, os primeiros assaltos, até outra antológica cena: a morte de Fanucci (Gastone Moschin), com a arma enrolada numa toalha, a vingança que corre pelas veias. Novamente a lealdade de pé, à família, à honra, lealdade aos seus, mas principalmente aos princípios que regem as famílias italianas.

A segunda obra-prima de Coppola é de uma densidade nebulosa, a abertura, com a cadeira marcada pelo uso, após um respeitoso beijo na mão do Padrinho, são detalhes, cenas que representam pela força do silêncio, pelo peso que Coppola sabiamente carrega. O beijo de Michael em Fredo (John Cazale), o filme pede envolvimento total do público para distinguir nuances, compreender o peso da lealdade. Não se trata de meras histórias de mafiosos, o Poderoso Chefão é sobre o poder, sob as dificuldades de tomar decisões, tudo isso elevado ao limite extremo.

opoderosochefao2The Godfather (1972 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

O primeiro plano, fechado, lentamente a câmera vai se afastando, do homem pede um favor, e abrindo mais a imagem. Um escritório, a silhueta do rosto se forma, um breve gesto: Don Corleone (Marlon Brando). Uau! Sua figura domina qualquer cena, seus pequenos gestos parecem colossais, tamanha liderança e potência com que sua presença domina tudo. Respeito, charme do clássico italiano, temor. Don Corleone fala manso, é carinhoso, prima pela família e por seus códigos éticos.

Sinto como se também fosse convidado para a festa de casamento da filha de Don Corleone, as sequencias se dividem entre a fila de favores pedidos e os festejos animados à italiana, e Francis Ford Coppola vai deixando o público se familiarizar, tornar um pouquinho parte da Família, criado do best-seller escrito por Mario Puzzo.

opoderosochefao1Eles são fascinantes, mafiosos, violentos, sejam calmos ou explosivos. O cinema tem esse dom de nos fazer apaixonar por vilões, serial-killers, bandidões. A maior trilogia do cinema faz mais, te convida a participar da família, quase dividindo a função de consigliere com Tom Hagen (Robert Duvall).

Sonny (James Caan), o filho braço-direito de Don Corleone, Michael (Al Pacino), o caçula protegido que diz ser diferente e não pretende fazer parte dos negócios. Um atentado contra a vida do patriarca, o início da transformação.

Se Marlon Brando é soberano, com a fala mansa e o poder de liderança nato, é Al Pacino quem opera o milagre da virada do personagem, de maneira discreta, a transformação se fazendo no olhar, em gestos, o poder hereditário que aflora do ex-soldado. Em contrapartida há Kay Adams (Diane Keaton), a namorada cujas cenas parecem apenas para pontuar a diferença de caráter de Michael da família. Nada disso, cada mínimo detalhe da trama está interligado com acontecimentos futuros, o olhar revelador da porta, antes de ser fechada, na cena final, é apenas parte da importância que a presença feminina de Kay tem na trama. Sutil e definitiva.

As cenas memoráveis (o atentado a Corleone na quitanda, Michael matando Sollozzo (Al Lettieri), a cena do pedágio, a conversa entre Corleone e Michael onde ele avisa o que está por vir e o batismo na igreja intercalado com uma série de assassinatos) se amontoam enquanto a saga dos Corleone enche de sangue a Nova York dos anos 40. Porém, a violência é charmoso, tal qual o sotaque italiano, a macarronada na mesa e o respeito com que a família é colocada acima de tudo. E a trilha sonora de Ennio Morricone? É filme para ser visto de pé, com aplausos entusiasmados a todo momento.

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60segundosGone in Sixty Seconds (2000 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Remake de um filme homônimo de 1974. Dominic Sena dirige o filme entre muita fumaça, carros esportivos e testosterona. Uma gangue espetacular que rouba os carros, mais caros, em menos de 60 segundos, como se estivessem abrindo uma lata de sardinha. Entre tantos roubos e fugas alucinantes, uma lenga-lenga amorosa, longe de qualquer glamour que o original possa ter. O irmão (Giovanni Ribisi) do mais prolífero assaltante de carros, Memphis (Nicolas Cage), está em apuros, e a lenda convoca seu antigo time para ajudar. São 50 carros para serem roubados, numa única noite, incluindo Eleanor (cada carro ganho um apelido com nome de mulher, e esse é a pedra do sapato de Memphis). O filme vem antes de Velozes e Furiosos, que talvez seja mais honesto e competente no lidar com carros. Este 60 Segundos é só outro clichê caça-níquel dos filmes de ação.

umhomemforadeserieThe Natural (1984 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os princípios de um homem não podem ser comprados, cada um tem os seus e não há preço para que eles possam ser violados, não importa o que tiver acontecido com a pessoa, o passado não consegue quebrar os princípios de ninguém. Este filme tenta passar esta idéia, utilizando-se de um grande elenco e um fraco roteiro, além de mostrar os sonhos juvenis de tornar-se um esportista de sucesso.

Roy Robbs (Robert Redford) é um jovem e promissor jogador de beisebol. Mora em uma fazenda, e aprendeu a amar o esporte com seu pai que morreu cedo. Ele é convidado a fazer teste em uma equipe, e parte para seus sonhos deixando sua namorada de infância Iris Gaines (Gleen Close). Na viagem, conhece o jornalista Max Mercy (Robert Duvall), e uma misteriosa mulher. O jovem se encanta pela moça, que lhe arma uma armadilha, e ele acaba tomando um tiro.

Passados 16 anos, Roy é contratado por uma equipe profissional que está em péssima situação. Sem nenhuma experiência profissional, ele é boicotado pelo técnico Pop Fisher (Wilford Brimley). O técnico é também um dos donos da equipe, mas tem um acordo com um dirigente, e precisa ser campeão, ou perderá os direitos sob a equipe. No dia em que Roy tem sua chance, ele prova seu talento e levanta toda equipe. Ganha fama repentina, e um novo affair: a exuberante Memo Paris (Kim Bassinger).

A convivência com a moça, e as noitadas, fazem-no perder rendimento, e a equipe afunda com ele. Até o dia em que ele reencontra Iris, seu antigo amor de infância, chance de nova guinada em sua vida. O roteiro pesa forte no conto moral, na ideia dos princípios-de-um-homem-não-podem-ser-comprados. Piegas, melodramático, morno, está longe dos trabalhos mais alardeados do diretor Barry Levinson.

cacadahumanaThe Chase (1966 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É um filme sobre descontrole, sobre justiça com as próprias mãos. E também sobre cidades pequenas e as relações entre magnatas e governo, rabo preso, corrupção (não necessariamente financeira). Bubber Reeves (Robert Redford) fugiu da cadeia, com outro presidiário. Na fuga, seu companheiro acaba matando um homem. Bubber passa a ser perseguido, não só  pela fuga, como pelo assassinato. Seu destino de fuga é sua cidade natal, em busca da guarida de sua esposa (Jane Fonda), e seus amigos. As noticias correm rápido, e após uma noite de muita bebedeira a população decide ir à caça de Bubber. Querem justiça, a todo custo, passando por cima de qualquer coisa, inclusive da lei.

A esposa tem um caso com Jake Rogers (James Fox), antigo amigo de infância de Bobby, e filho do magnata da cidade Val Rogers (E. G. Marshall), que parecer ter responsabilidade na prisão de Bubber. O Xerife Calder (Marlon Brando) vive uma fase de baixa credibilidade, a população questiona seu comportamento muito próximo ao do magnata. Caçada Humana foi grande sucesso na época, um grito de libertação destemperado. O roteiro me parece tão irregular, a direção de Arthur Penn de altos e baixos. Robert Redford é um fugitivo que mal aparece, Marlon Brando faz muita careta, e exagera na cara de mal. Jane Fonda e James Fox são mal utilizados, e ainda há uma mulher libertina (Janice Rule) sem nenhum propósito na história. Cenas como a da festa na casa dos Stewart e principalmente a final são horríveis. Quem está bem no filme é Angie Dickinson como a esposa do xerife, Robert Duvall também convence no papel do homem fraco e impotente.