Posts com Tag ‘Robert Eggers’

The Lighthouse (2019 – EUA/BRA)

Da turma dos grandes filmes do ano, o novo trabalho de Robert Eggers flerta com o cinema de Bergman, mas prefere o humor e o horror do que o estudo psicológico de um Persona, por exemplo. Talvez porque aqui estejamos diante do tese de convivência de dois homens, e sua virilidade e fragilidades estão expostas de maneiras bem diferentes do que a manipulação sugeria no clássico do cineasta sueco.

Um farol no meio do nado, os dois homens (Dafoe e Pattinson) chegam para trabalhar por uma temporada ali, completamente isolados de qualquer sinal de sinalização. Os dias passam entre confrontos, bebedeiras, imposição de poder, e os seus maiores medos deflagrados. Eggers opta por sugerir tudo, de alguma tensão sexual à fantasia com uma sereia, até os segredos e barulhos da sala trancada em que só homem mais velho pode entrar, assim como os segredos que levaram o mais jovem a aceitar aquele emprego.

Memórias, histórias, respeito e desaforo. O Farol é sobre essa relação masculina, é sobre os altos e baixos, sobre angústia e caos. Interessante como o filme não ganha tom teatral, Eggers opta pela fotografia em preto e branco, por enquadramentos que explorem corpos, relações e espaços, e além de dar sua dose de fantasia, realizando assim um filme que foge muito dos padrões mais comerciais, que grita por uma tela grande e som potente, e pela possibilidade de imersão do público nesse lugar fétido e misterioso.

abruxa

The Witch (2015 – CAN) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Ainda acho que o filme demora muito para pegar fogo, e até lá nem consegue conceber perfeitamente a atmosfera ideal. Mas, quanto pega fogo, lá pelos vinte minutos finais, realmente prova a que veio. Nessa demora que o diretor Robert Eggers constrói a personalidade daquela familia, vivendo dentro de sua religiosidade ortodoxa, na região de New England, lá pelo século XVII.

Bruxaria, magia negra e animais macabros (de longe o bode ressurge como a grande força do satã) são as principais armas que conduzem à reunião a família de Thomasin (Anya Taylor-Joy). Estreiando na direção, porém carregando experiência trabalhando em outros filmes de terror, Robert Eggers capricha na fotografia escura, no uso das sombras e da floresta coberta de névoa. Espalha gradativamente o suspense psicológico, enquanto encerra seu filme informando que o roteiro foi baseado em dados históricos e manuscristos da época. Deixando assim, a impressão forte do que se acabara de testemunhar.