Posts com Tag ‘Robert Redford’

Nossas Noites

Publicado: novembro 25, 2017 em Cinema
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Our Souls at Night (2017 – EUA) 

Trata-se de outra produção original da Netflix, que tem Jane Fonda e Robert Redford como protagonistas. Não precisa dizer mais nada, o filme dirigido por Ritesh Batra já tem mídia o bastante garantida. Não é atora que a Netflix adicionou em seu catálogo um dos filmes que a dupla trabalha junta: Descalços no Parque. Poucos filmes oferecem visão carinhosa do romance na terceira idade e esse cumpre seu papel de provar que não há idade para se apaixonar. É bonita a forma como o casal busca diminuir a solidão na proposta dela de passarem noites juntas, inclusive dormir na mesma cama, sem que haja obrigatoriedade de sexo.

E assim, pouco a pouco, vão entrando na vida um do outro, sempre com Batra buscando construir um conjunto de cenas doces (preparar o jantar, caminhar no centro no domingo de braços dados, brincar com o neto), que pesem mais pela maturidade do que a explosão amorosa. O combate á solidão tem seus efeitos, dos comentários da vizinhança ao resgate de problemas passado que o tempo parecia ter enterrado no fundo da memória. As noites deles os deixam mais humanos, por mais que isso tenha seus prós e contras, e o julgamento de tudo e todos.

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conspiracaoepoderTruth (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Voce deve ter visto alguns filmes de James Vanderbilt como roteirista, desde grandes acertos como o primeiro Homem-Aranha e Zodíaco, a equívocos como O Espetacular Homem-Aranha. Agora, ele se aventura como diretor. Num filme ousado, até certo ponto, e que esteve nas listas de cotados para o último Oscar, até acabar esquecido (até porque guarda semelhanças com Spotlight, e na comparação… Vanderbiltt perde feio). É outro filme sobre o jornalismo americano, dessa vez a história verídica dos bastidores de uma reportagem que fez tremer o consagrado 60 Minutes. A ideia de um furo de reportagem que poderia mudar os rumos de uma eleição presidencial, ao jogo de poder para abafar, negar, e difamar os envolvidos, tal como manda a cartilha da boa política dos poderosos.

Portanto, não faltam elementos intrigantes à história, que conta ainda com elenco de peso (Cate Blanchett e Robert Redford), mas deve mesmo acabar meio esquecido e com público restrito (tal qual sua bilheteria ndos EUA). Vanderbilt cai nas convenções do gênero, de usar trilha sonora, tom dramático, e tomar totalmente partido de sua protagonista. Passa longe do brilhantismo de O Informante, e se alguns diziam que Spotlight tinha cara de telefilme, esse intensifica ainda mais essas características. Como história é intrigante, como cinema é banal, e nesse limbo o filme vai ficando tão esquecido…

Até o Fim

Publicado: janeiro 8, 2014 em Cinema
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ateofim

All is Lost (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Desde Náufrago (Tom Hanks sozinho naquela ilha) temos nos acostumado com esse gênero de filmes, onde personagens isolados passam por terríveis e improváveis dificuldades (127 Horas, As Aventuras de Pi, Gravidade). E dentro desse gênero, o diretor e roteirista J. C. Chandor não foge à regra dos clichês estabelecidos.

Sua história é a de um único homem (Robert Redford), sem nome, sem informações pessoais, apenas um homem. Depois de um pequeno incidente com seu barco, Chandor filma Redford e a imensidão de céu e mar, cada mínima dificuldade em tom vagaroso, mas quase um live-action. A chuva, o vento, o sol, a água que invade a embarcação. As velas, o casco rasgado, e os movimentos dificultosos de um septagenário, sozinho e à deriva.

Quase sem falas, o filme é todo de trilha sonora (funcionando como gol contra), edição que tenta quebrar a cadência do ritmo da atuação, e Redford, que mostra todo seu vigor físico, e o sofrimento estampado no rosto (com destaque em um ou dois momentos). Enquanto o filme não se decide, quebrando o suspense que cria, negando a ação, flertando com o melodrama, mas, acima de tudo, sendo essa coisa tão verossímil, Redford vai dando a verdadeira razão de existir a todo esse trabalho.

Mal recebido, na mostra competitiva, o filme belga ‘La Cinquième Saison’, última parte de uma ttrilogia filmada pelos diretores Peter Brosens e Jessica Woodworth, a perfeição da vida no mundo rural belga é, de repente, quebrada por mudanças climáticas que mexem com os animais, o mundo entra em caos. Culpa dos estrangeiros, do meio-ambiente? Críticos em suya maioria frustrados, raras exceções maravilhados.

Críticas: Cine-VueScreen DailyÚltimo Segundo

Termômetro: passar longe

Os holofotes ficaram mesmo por conta da presença de Robert Redford apresentando seu novo filme (dirigido e estrelado por ele), um thriller policial no melhor estilo de seus filmes dos anos 60 (pena que o diretor já passou dos setenta e me dá medo ele estar achando que ainda seja um garotinho). A trama de ‘The Company You Keep’ trata de um ex-ativista político descoberto trinta anos depois de seu passado ativo. O filme foi exibido fora da competição e o elenco conta com Susan Sarandon, Shia LaBeouf e outras estrelas.

Críticas: Screen DailyHollywood ReporterSlant Magazine

Termômetro: morno

Definitivamente o filipino Brillante Mendoza está na mira dos grandes festivais. Este ano emplacou seus filmes na competição principal de Berlim e Veneza. ‘Thy Womb’ narra a história de um casal, a esposa não pode ter filhos e aceita uma segunda esposa para que possam completar o desejo de uma família. Daí Mendoza volta a retratar aspectos culturais e sociais de seu país e seu povo, garantindo elogios moderados.

Críticas: Cine-VueHollywood ReporterCarta Capital

Termômetro: de olho

Out of Africa (1985 – EUA)

No cinema recente, este filme talvez tivesse outro formato. O apelo poderia ser da mulher empreendedora e corajosa, capaz de largar sua vida aristocrata na Dinamarca para administrar uma fazenda na África. Uma mulher de alguns amores, por mais que um deles tivesse sido o mais marcante. Nos anos 80, o espírito era outro, Karen Blixen (Meryl Streep) só não quer ficar para “titia” e arranja um casamento de conveniência com um amigo (Hans Blixen) para sair de casa. Vivendo na distante África, a aristocrata toma as rédeas do negócio, e descobre o amor nos braços do aventureiro inglês Denys (Robert Redford).

A estrutura clássica impera, Sydney Pollack cria o que poderíamos chamar de melo-romântico, dividindo-se entre pelas paisagens quenianas, o jeito carinhoso de Karen com os negros da tribo que trabalha como empregados em suas terras, e o romance doce e encantador entre Karen e Denys. À beira de um rio, ela está sentada numa cadeira e ele lava seus cabelos, com uma jarra toma cuidado para não deixar escorrer água em seus olhos, essa cena resume bem o espírito desse amor. Ainda que, conflitos e decepções, antagonismo em pontos de vista de um relacionamento e outros percalços tornem-se esse mais um amor de carne e osso, a forma como Pollack conduz esse enredo quase piegas diz tudo sobre o cinema da época do filme e a maneira mais pura de se tratar o amor.

The Great Gatsby (1974 – EUA)

Mais uma adaptação de um dos grandes clássicos da literatura Americana (Scott Fitzgerald), com roteiro do grande nome dos anos 70 (Francis Ford Copolla) e direção de um britânico desconhecido (Jack Clayton). Algo estranho aí, não? A reconstituição dos anos 20 e a burguesia imponente de grandes festas, de convites pomposos para chás, e do abuso social pela força financeira, são temas presentes nessa história de amor pontuada pelos comportamentos delineados dos personagens. Gatsby (Robert Redford) é o ricaço misterioso, promove as melhores festas da cidade em sua mansão e poucos conhecem seu rosto. Daisy Buchanan (Mia Farrow) é a típica socialite, mimada e futil, infeliz no casamento, vive sob o peso das traições do marido. Realmente havia um problema, e a escolha de Clayton é flagrante, o filme está todo estruturado e mal desenvolvido, falta dinamismo, falta transpirar esse romance, a obra vive dos seus alicerces sólidos e dos personagens definidos, nunca das suas características cinematográficas. O casal que revive um romance passa tardes num gramado sob o sol, a cena está ali, nunca a sensação que aquele momento lhes traz, falta emoção, falta paixão, estamos nos anos 20, porém não os vivendo.

umhomemforadeserieThe Natural (1984 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os princípios de um homem não podem ser comprados, cada um tem os seus e não há preço para que eles possam ser violados, não importa o que tiver acontecido com a pessoa, o passado não consegue quebrar os princípios de ninguém. Este filme tenta passar esta idéia, utilizando-se de um grande elenco e um fraco roteiro, além de mostrar os sonhos juvenis de tornar-se um esportista de sucesso.

Roy Robbs (Robert Redford) é um jovem e promissor jogador de beisebol. Mora em uma fazenda, e aprendeu a amar o esporte com seu pai que morreu cedo. Ele é convidado a fazer teste em uma equipe, e parte para seus sonhos deixando sua namorada de infância Iris Gaines (Gleen Close). Na viagem, conhece o jornalista Max Mercy (Robert Duvall), e uma misteriosa mulher. O jovem se encanta pela moça, que lhe arma uma armadilha, e ele acaba tomando um tiro.

Passados 16 anos, Roy é contratado por uma equipe profissional que está em péssima situação. Sem nenhuma experiência profissional, ele é boicotado pelo técnico Pop Fisher (Wilford Brimley). O técnico é também um dos donos da equipe, mas tem um acordo com um dirigente, e precisa ser campeão, ou perderá os direitos sob a equipe. No dia em que Roy tem sua chance, ele prova seu talento e levanta toda equipe. Ganha fama repentina, e um novo affair: a exuberante Memo Paris (Kim Bassinger).

A convivência com a moça, e as noitadas, fazem-no perder rendimento, e a equipe afunda com ele. Até o dia em que ele reencontra Iris, seu antigo amor de infância, chance de nova guinada em sua vida. O roteiro pesa forte no conto moral, na ideia dos princípios-de-um-homem-não-podem-ser-comprados. Piegas, melodramático, morno, está longe dos trabalhos mais alardeados do diretor Barry Levinson.