Posts com Tag ‘Robert Zemeckis’

Febre de Juventude

Publicado: setembro 26, 2019 em Cinema
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I Wanna Hold Your Hand (1978 – EUA)

Não surpreende que a estreia de Robert Zemeckis como diretor tenha sido com um filme despretensioso e elétrico, afinal sua carreira heterogênea se solidificou através de aventuras juvenis (principalmente De Volta para o Futuro). Mas, esse primeiro trabalho consegue, mais do que representar a geração beatlemaníaca, e sim pegar emprestado as características centrais e inserir na própria narrativa. É tudo meio histérico, meio atrapalhado, mas na medida certa para que o humor funcione.

Um grupo de 6 jovens se acotovelando com o mar de fãs em frente ao hotel onde os garotos de Liverpool estão hospedados para sua primeira apresentação na TV dos EUA. Vale tudo para com os Beatles em carne e osso, e enquanto o grupo se divide em aventuras individuais, o filme de Zemeckis vai construindo novas relações ou romances, descobrindo novos fãs, convencendo rabugentos, e assim contaminando a todos com o iê-iê-iê. Essa capacidade de usar o que mais chama atenção em ferramenta para o próprio resulta nesse resumo de uma geração.

atravessiaThe Walk (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A façanha de Philippe Petit já havia chegado ao cinema através do documentário O Equilibrista, vencedor do Oscar desse gênero. Dirigido por James Marsh, e muito rico em imagens de arquivo, da vida e das façanhas, do maluco equilibrista francês que ousou cruzar as torres gêmeas do World Trade Center pisando num cabo de aço. E o segredo do documentário é de se estabelecer por meio dos depoimentos do personagem e de todos que colaboraram nessa e nas demais peripécias (como cruzar a Notre Dame também).

Agora foi a vez de Robert Zemeckis abordar a mesma história, através da ficção. Joseph Gordon-Levitt se esforça no sotaque de um francês falando em inglês, e no tom da voz de Petit, enquanto o filme parte desde a infância desse equilibrista incorrigível até os minuciosos detalhes para invadir as torres em construção, às escondidas, com todo o equipamento necessário para realizar a proeza.

Apoiado pela narração em off em tom de conto infantil, e cheio de trilha sonora de superação, Zemeckis assemelha muito de seu filme no documentário, aproveitando-se da tecnologia 3D para dar dimensão da altura (além dos 110 andares) e da maluquice. E essas cenas são impressionantes. No saldo, a ficção de Zemeckis se repete ao documentário, sem que consiga superá-lo, sendo mais importante como a possibilidade de alcançar um público maior pelo apelo comercial de marketing e estrelas.

O Voo

Publicado: fevereiro 12, 2013 em Cinema
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ovooFlight (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Robert Zemeckis gasta um bom tempo num primor de live-action. A tripulação, capitaneada por Denzel Washington, enfrentando dificuldades extremas durante o voo, chega a arrepiar pela veracidade. Após o acidente, tem início um drama sobre alcoolismo e drogas, com todos os clichês do gênero, incluindo tentações e o abuso de trilha sonora dramática.

Não chegasse tudo isso, temos também a desnecessária presença de uma segunda história que se entrecruza. O drama brega, os excessos, Zemeckis narra como se ainda vivesse nos anos 90 – um tipo de cinema que até o público médio deve estar cansado. Há sempre o alívio cômico de John Goodman, e Denzel interpretando o mesmo personagem há vinte anos (sempre bem, mas é sempre igual, a cara de drama, os arrombos ofensivos). Ainda assim, Zemeckis perde a chance de fazer um filme melhorzinho e menos careta ao grande público.