Posts com Tag ‘Robin Wright’

everesteEverest (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É sabido que o monte Everest, mesmo sendo o mais alto do mundo, não é dos mais difíceis de se chegar ao cume. Também não é só chegar lá e caminhar um pouco. Gelo, altitude, mau tempo, testar os limites do corpo, o filme prova que se enveredar é coisa de maluco. Na década de 90, um desenfreado tráfego de turistas descobriram o Everest, até a tragédia de 1996. Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme tenta reconstituir os fatos, envolto em sua pose de Blockbuster.

Dos belíssimos planos gerais dos picos cobertos de neve, a momentos de grande tensão por desfiladeiros, a narrativa é bastante eficiente na parte do entretenimento. Ao levantar questionamentos sobre imprensa, turismo desenfreado, irresponsabilidade humana, já acaba diluído pela didática. Porém, o subjetivo da relação Expectativa x resultado é algo inexplicável, e mesmo com o melodrama emotivo do final, a sensação que fica é que Evereste entrega o que promete, sem proteger os atores principais em papéis de mocinhos de salvação convicta. Dá ao público a dimensão do frio insuportável, do corpo levado ao limite, e do gostinho da adrenalina de enfrentar uma aventura desse porte.

ohomemmaisprocuradoA Most Wanted Man (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Só mais um thriller envolvendo terroristas e Islamismo. Quanto mais se desenvolve a trama, mais difícil de engolir se torna. O filme é todo passado em Hamburgo, imigrante ilegal da Chechênia, serviço de inteligência alemão e americano em conflito, o cinema não precisava de mais uma dessas histórias. Mas, Anton Corbijn filmou cheio de esmero, cores fortes contrastando o clima frio alemão, e achou que levar vários nomes de peso para a Europa seria uma saída comercial.

Um dos últimos trabalhos de Phillip Seymour Hoffman, por isso o filme ganha um interesse além do merecido. Ele é o chefe da inteligência que segue o imigrante, só que o alvo é outro, gente graúda da ONU. Ainda há espaço para envolver um banqueiro e uma advogada (eterna boa-samaritana). Seria apenas chinfrin se não fosse os caminhos finais do desfecho.  O livro de John Le Carré pretendia unir tantos bons-samaritanos num suspense sobre Al-Quaeda?

ocongressofuturistaLe Congrès / The Congress (2013 – ISR/BEL/FRA/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O cineasta israelense Ari Folman continua aproveitando de formatos pouco explorados, a seu favor. Da mistura de animação com falso documentário, no ótimo Valsa de Bashir, agora em sua livre adaptação do livro de Stanislaw Lem, num misto de live-action com animação adulta, e uma corrosiva crítica a Hollywood e ao culto do estrelato.

Robin Wright é uma das produtoras do filme, e ela expõe sua própria vida e carreira em favor de sua personagem. Interpreta a si própria, uma atriz de mais de quarenta anos, que foi promessa de talento e se escondeu atrás de seus fracassos. Surge a proposta de abandonar a carreira, em troca uma fortuna, ela seria escaneada e o estúdio aproveitaria sua imagem para o tipo de filmes que quisesse. Vinte anos mais tarde um Congresso, pílulas que transformam todos em animações e levados a um lugar onírico (onde Michael Jackson é garçom, por exemplo).

A crítica duríssima de Folman, na fase live-action, com Robin Wright representando mais que si mesma, e sim a imensa maioria da classe artítistca que fracassa em suas escolhas, ou na necessidade de gerar sua imagem, acaba dissipada por um universo de fantasia excêntrica regada a alucinações coletivas. O ácido parece emanar das animações, e desestabilizar a proposta ácida e corajosamente corrosiva que Folman e Wright se dispunham a compactuar..

umtirodemisericordiaState of Grace (1990 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Terry Nooan (Sean Penn) é um delinqüente juvenil que sumiu por uns tempos e volta a aparecer em seu antigo bairro. Lá ele procura um velho amigo, em busca de ajuda, após ter matado dois homens numa negociação de drogas. A proteção é oferecida pelo amigo desajustado Jackie Flannery (Gary Oldman), que faz parte de uma família mafiosa cujo líder é seu irmão, o frio Frankie Flannery (Ed Harris). Terry é bem aceito na gangue e começa a trabalhar em parceria com seu velho amigo. A volta às origens marca, também, o reencontro com seu antigo amor, Kathleen (Robin Wright), irmã de Jackie e Frankie.

Kathleen é totalmente contra ao estilo de vida dos irmãos, mas a paixão antiga bate forte em seu coração e, obviamente, vai parar nos braços de Terry novamente. Tudo parecia muito bem, até um dos dois homens “assassinados” (John Turturro em pequena participação) por Terry aparecer à sua procura. O roteiro pouco inspirado entrega ali o seu grande segredo, a reviravolta da história, colocando Terry num dilema entre amizade e a lei.

Talvez o fato mais relevante do filme ocorreu longe das telas, foi durante as filmagens que o casal Sean Penn e Robin Wright se conheceram. O diretor Phil Joanou esboça muita superficialidade em sua maneira de narrar máfia irlandesa enraizada em Nova York. Por exemplo, a cena de tiroteio no bar, onde os envolvidos trocam vários tiros, frente a frente, acertando apenas as garrafas, é um daqueles momentos péssimos do cinema! O show fica por conta de Gary Oldman (sempre ele) que transforma Jackie num excêntrico adorador de violência, sexo e bebida, mas com um sorriso inocente e cativante.