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somostaojovensSomos Tão Jovens (2013) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quem assiste cinema nacional está acostumado aos inúmeros patrocinadores antes dos créditos iniciais, mas essa foi a primeira vez que senti o corpo arrepiar enquanto nomes de empresas surgiam à tela, culpa da introdução discreta de Tempo Perdido, prestes a mergulhar um pouco na vida daquele que marcou uma geração.

Inofensivo. Essa palavra resume bem o filme sobre a juventude de Renato Russo. O diretor Antonio Carlos de Fontoura leva aos cinemas um episódio alongado de Malhação. De abordagem light para temas tabus (homossexualismo, drogas), de total incapacidade de compreender parte das questões e dilemas que atormentavam Renato naquele período em que ele descobria a musica, a vontade de ser rock star.

Mesmo com um Thiago Mendonça iluminado, interpretando trejeitos e tom de voz perfeitamente, o filme prefere utilizar a figura idolatrada transformando-o apenas num jovem meio solitário e incompreendido (coisas que também ele era), que escreve musicas do nada. A preferencia do roteiro é de criar ganchos que supostamente estão ligados a algumas de suas músicas e focar numa relação umbilical com uma grande amiga (na verdade essa amiga nunca existiu).

somostaojovens2Fontoura não vai além de contar alguns acontecimentos célebres como a criação do Aborto Elétrico, a Turma da Colina, o primeiro show da Legião Urbana em Patos de Minas, a entrevista com o irmão de Hebert Vianna. Enfim, unificar fatos, inventar outros, tudo para deixar palatável a um público, que ao contrário dos fãs da banda, não conhecem músicas de protesto, artistas capazes de mobilizar a juventude a abrir os olhos a questões importantes, a era do pasteurizado. Queremos mesmo é um documentário, bem feito, sobre Renato.

rockbrasiliaRock Brasilia – A Era de Ouro (2011) 

Exceto o grande trabalho de pesquisa, de encontrar e entrevistar todos os envolvidos na cena de rock que surgiu no final dos anos 70 em Brasília, e se tornaria o mais representativo momento do rock brasileiro, o documentário de Vladimir Carvalho tem menos méritos pelo seu resultado final que pela sua existência.

Quase precário, se divide entre recontar as histórias das três principais bandas (Legião Urbana, Capital Incial e Plebe Rude, além claro, do Aborto Elétrico que não chegou a gravar). Mas é tudo muito simplório, dando a mesma sensação de boa-vontade que os próprios rockeiros viverem com shows com energia elétrica emprestada no meio da rua.

A biografia das bandas e seus integrantes é contada, curiosidades, algumas imagens de arquivo como do emblemático show da Legião no Mané Garrincha, mas falta não só ir além das biografias, falta coração, falta o pulsar de uma geração que ecoou estrofes e protestou contra um país. O tema é de remeter carinho aos fãs da época, o documentário de deixar um sabor de que o resultado é chinfrin perto do que poderia ser.