Posts com Tag ‘Rodrigo Santoro’

rioeuteamoRio, Eu Te amo / Rio, I Love You (2014 – BRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A versão para a Cidade Maravilhosa, da série Cities of Love, é um desserviço ao Rio de Janeiro e ao cinema nacional. Nenhum dos 10 curtas consegue, nem de forma ligeira, condensar qualquer traço do charme, beleza e encanto da cidade. Se o modelo de filme-coletivo sofre pela irregularidade, dessa vez, este se torna o menor dos problemas.

Primeiro que a cidade é colocada em segundo plano. Alguns dos curtas nem conseguem se identificar com a cidade, os demais praticamente tornam os cartões-postais em clichês hediondos. As visões são as mais simplistas possíveis, os roteiros almejam o natural, quando apenas encontram uma artificialidade de finais que desejavam representar grandes sacadas. Começa com Andrucha Waddington e a história do neto que encontra sua avó (Fernanda Montenegro) vivendo como mendiga, por opção.

Paolo Sorrentino vai ao limite dos clichês com a jovem ricaça (Emily Mortimer) e seu marido idoso, doente e podre de rico, que passam férias na cidade. Fernando Meirelles e Cesar Charlone não conseguem imprimir ritmo à história do escultor (Vincent Cassel) de areia que se apaixona por uma jovem, o curta não passa de uma ideia de trama.

Constrangedora é a história dirigida por Stephan Elliot, um astro do cinema (Ryan Kwanten) decide escalar o Pão de Açúcar, do nada, com a roupa do corpo, e carrega seu guia (Marcelo Serrado) nessa aventura pelo amor inesperado. Totalmente insosso, e que nada mostra além de dois takes do mar, é o curta dirigido por John Turturro, sobre um casal (ele e Vanessa Paradis) em tom de despedida. Guillermo Arriaga retoma parte do clima de Amores Brutos, troca a briga de cães por lutas clandestinas e desce fundo no poço das propostas indecentes (que só devem existir na cabeça de cineastas mesmo).

O morro do Vidigal é tomado por vampiros na visão de Im Sang-soo, com direito a samba, garçom estiloso e prostituta mulata. Carlos Saldanha até consegue um aspecto visual interessante na apresentação do casal de bailarinos (Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer), mas o drama do casal e suas discussões durante a apresentação são de um melodrama que pouco acrescenta ao clima de amor à cidade. Wagner Moura é o instrutor de asa-delta frustrado que xinga o Cristo Redentor durante um voo, sabe-se lá as intenções de José Padilha, além de trazer seus temas críticos da cidade à tona.

Mesmo carregado de clichês, a simpatia da história criada por Nadine Labaki é a que mais se aproxima do que se esperava deste projeto. Um garoto de rua, gringos (ela e Harvey Keitel) encantados por seu jeito cativante, se passam por Jesus para realizar suas fantasias. E a cereja estragada do bolo são as transições, que ganharam vida própria, personagens próprios, e direção de Vicente Amorim. Primam pela artificialidade, e mais embaralham do que funcionam como conexão para os curtas. Além de intensificarem o padrão visual do filme que trafega entre um Globo Filmes e uma campanha publicitária de tv (aliás, marcas de patrocinadores quase se tornaram protagonistas das transições).

300aascensaodoimperio300: Rise of an Empire (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Parece um filme melhor resolvido do que seu antecessor. Isso também não significa muito. Não é exatamente uma continuação, mais um complemento do que ocorria enquanto (antes e depois) os 300 Espartanos lutavam contra o deus-rei Xerxes e seus persas. O nacionalismo exacerbado dos discursos (que preguiça), o clamor por liberdade e o pagar com a morte pela democracia grega seguem lado-a-lado com o melodrama. O estilo da graphic novel é mantido intacto, preto e cinza predominante, litros de sangue que jorram a cada espada que corta o corpo humano, em momentos de câmera lenta, no meio das lutas, intensificando o melodrama e pagando de estiloso.

Artemisia (Eva Green) é uma vilã bem mais interessante que Xerxes (Rodrigo Santoro), obdestinada pela vingança, euma estrategista de uma frieza exemplar, enquanto Xerxes segue na linha intocável de abajur que enfeita a sala de estar. O filme tem grande preocupação em trazer conteúdo, em longas narrações em off conta a história de Artemisia e Xerxes, assim como a do grego Themistokles (Sullivan Stapleton), o grande líder da marinha grega no filme. Dessa vez são duas mulheres em cena (Lena Headey repete sua contribuição como rainha), e não apenas uma, olha que progresso.

Frame-de-Too-Much-Johnson

• Too Much Johnson: encontraram, a essa altura do campeonato, um filme perdido de Orson Welles, de 1938, dá para acreditar que em breve vamos conferir um filme inédito de Welles? [Cinema Uol]

• Marvel: até 2021 já tem filmes previstos, ou em pré-produção, haja programação [AdoroCinema]

• Emile Hirsch: entrevista com o ator de Na Natureza Selvagem e Speed Racer, agora lançando um dos filmes indie americanos mais falados da temporada, Prince Avalanche [Slant Magazine]

• Rio, Eu Te Amo: e o projeto, com cheiro de bomba, vai mesmo sair. Carlos Saldanha será um dos diretores, e Rodrigo Santoro já foi escalado. [Cinema Uol]

• CBGB: filme sobre a casa de show de Nova York, se preparem para ver Iggy pop, Ramones e Talking Heads. [Rolling Stones]

oultimodesafioThe Last Stand (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O que foi isso Jee-woo Kim e Arnold Schwarzenegger? Uma tentativa de um western pós-moderno? O ex-governador podia aproveitar o exemplo de Clint Eastwood que, quando atua, empunha sua arma e faz cara de durão. Só que não abusa das leis geriátricas. Já Schwarzenegger prefere unir Duro de Matar com o espírito dos westerns, uma emboscada na rua enquanto metralhadoras e helicopteros animam a festa.

E para piorar, os coadjuvantes fazendo papéis de tontos, dos policiais ao fora-da-lei preso que sente remorso e vira mocinho (Rodrigo Santoro), isso sem falar no dono do museu de armas. É muita trapalhada junta e um espírito de boa-vontade imenso para acreditar em tantos tiros longe dos poucos alvos, com tamanho poder de fogo. Jee-woo Kim não mostrou ao que veio.

(2011)

O craque maldito, o gênio, o Gilda do futebol carioca (alusão ao clássico personagem de Rita Hayworth), a vida do ídolo do Botafogo nos anos 40 foi vivida intensamente. Charmoso, requintado, elegante, cafajeste, conquistava mulheres com a mesma volúpia que marcava gols e que causava brigas e confusões com colegas de clube. Heleno é o típico personagem movido pela emoção, e essa linha foi a grande aposta do cineasta José Henrique Fonseca. Ele permite toda a liberdade para Rodrigo Santoro explodir em cena, explorar até os excessos essa coisa excentrica e intempestiva, essa fúria acumulada por paixão em tudo que fazia.

Foi seu temperamento que o destruiu, instável, viciado em eter e lança perfume, diagnosticado com sifílis e nunca se tratou, Heleno náo só queria ser o melhor dos melhores, como sua arrogância o fazia crer e com ela sua ruina. Alinne Moraes, Angie Cepeda, as mulheres entram e saem de cena, falta consistencia aos personagens, são coajuvantes de luxo. O roteiro opta pela ausencia de cronologia, fotografia em preto e branco, são sempre elementos interessentes (ainda mais se estamos retratado os anos 40-50 entre cabarets e praias cariocas), só que, temos a sensação exageradamente limpa, o problema principal está mesmo na cronologia.

O vai-e-vem chega a um ponto em que já se conhece toda a biografia e as pequenas lacunas de sua história já foram preenchidas em nossa mente, o ritmo empaca, o filme já cai na redundância, e entre anos no sanatório e as tentativas de retomar a carreira (a passagem pelo Boca Juniors é pouco explorada, por Santos nem citada e pelo América tão confusa que fica impossível entender que se tratou de apenas uma partida). Triste testemunhar o fim melancólico do jogador, mais triste ainda assistir a mais um filme tentando transformar (na questão imagem) um esporte coletivo em individual, com luzes de estrela e todos os holofotes num único personagem/jogador.

bichodesetecabecasBicho de 7 Cabeças (2000) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Dois pontos não podem fugir de qualquer discussão, ou reflexão, por serem as reais proposições levantadas pelo filme: a desinformação que gera situações irremediáveis e a lastimável situação de funcionamento dos manicômios públicos. A primeira é a espinha dorsal da história, e dela chegamos à denúncia da conjuntura dos institutos públicos de saúde.

A história, inspirada no autobiográfico livro Contos Malditos, de Austregésilo Carrano Bueno, tem como protagonista Neto (Rodrigo Santoro), um jovem típico, gosta de curtir com os amigos, descobrir as coisas da vida, viver aventuras. Um pré-delinqüente que picha muros e fuma maconha, eventualmente. A rebeldia atrapalha o diálogo em casa, principalmente com o conservador e intransigente pai (Othon Bastos). A situação chega ao insustentável quando o pai encontra nas coisas de Neto um cigarrinho de maconha, despreparado para lidar com a situação, e mal assessorado, o pai trata o garoto como um viciado, interna-o prontamente em um manicômio para desintoxicação.

A diretora Laís Bodanzky foca sua câmera na deplorável figura dos internos do lugar, as paredes mal cuidadas, os uniformes sem cor, a gente sem esperança deixando no rosto as marcas do sofrimento, o cinza carregado (intensificado pela fotografia capitaneada por Hugo Kovensky). Tratados como presidiários, num sistema tão falido quanto, é impossível crer que dali alguém possa recuperar-se são. Um ambiente contaminado pela desesperança.

Como os loucos do lugar, Neto é tratado a base de calmantes e outras drogas, a revolta gerada pela situação é propulsora de violência e combatida com sessões de choques elétricos. Nessa fase que a figura de Rodrigo Santoro ganha ares de grande ator, até então seu personagem não passava de um jovem rebelde. O andar mole, o jeito de olhar, meio sem rumo, o desespero oriundo da dor, Santoro encarna as agruras de Neto.  A quebra de confiança na relação pai-filho é a chave para dissolução da história, nessa ruptura os personagens aprendem a amadurecer (pelo menos deveriam).