Posts com Tag ‘Roman Polanski’

Quê?

Publicado: agosto 24, 2011 em Uncategorized
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Che? (1972 – ITA/FRA/ALE)

Uma americana linda, loira, exuberante, e praticamente nua (ou semi-nua) o filme todo. Um sonho delirante ou um filme de Fellini? Roman Polanski e sua versão “erótica” para Alice no País das Maravilhas, quando a tal loira exuberante cai numa mansão de uma região do Mediterrâneo e simplesmente é aceita naturalmente pelos membros da família do idoso rico que agoniza a beira da morte em seu quarto. Uma comédia leve e completamente tola, Polanski insere elementos e diálogos estranhos, sem-pé-nem-cabeça, tudo dentro dessa proposta de divertir descompromissadamente entre bizarrices e estranhices. Não é grande filme, sua alma nonsense não alcança a magia de Fellini, porém o filme passa incrivelmente agradável diante dos olhos (talvez a culpa seja a exuberância feminina).

Faca na Água

Publicado: agosto 23, 2011 em Uncategorized
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Nóz w wodzie / Knife in the Water (1962 – POL)

Não há nada ali, um casal quase atropela um jovem e o convida a velejar. O garoto é arisco, o homem mandão, a mulher se equilibra entre os dois, apazigua os ânimos que fervem em alguns momentos. São horas tensas velejando, um desconhecido que pode ser violento, um casal com suas diferenças, pessoas que buscam um convívio inesperado e em tudo isso Roman Polanski estreava no cinema . Olhando separadamente, não se trata de uma grande obra, a história se estica entre alguns conflitos em busca dessa tensão mais que aparente, mas é no ato de concentrar apenas três personagens num pequeno barco e dali extrair conflitos e emoções que se encontra a grande performance de Polanski. Claro que há um pouco de um romantismo juvenil, de acreditar em demasia na libertação sexual. Acima de tudo está essa capacidade de fazer suspense com praticamente nada.

umasimplesformalidadeUna Pura Formalità (1994 – FRA/ITA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O filme começa com a câmera na posição dos olhos do personagem. Numa noite, no meio da floresta, o cano de um revólver aproxima-se cada vez mais das lentes. Ouve-se um disparo, e a imagem nos faz sentir correr em disparada por entre a mata, a respiração cada vez mais ofegante, a visão começa a ficar distorcida, e o desespero controlar a pessoa, até que o corpo cai. Começa assim mais um filme do diretor italiano Giuseppe Tornatore.

Onoff (Gérard Depardieu), famoso escritor de romances é encontrado, em meio a uma chuva torrencial, numa estrada pouco movimentada. Sem portar documentos, acaba levado à delegacia para averiguações rotineiras. Na região um crime hediondo ocorrera. A situação insinua o escritor como principal suspeito. O comissário, mesmo sendo grande fã de suas obras, não irá poupar artimanhas para conseguir respostas e porque não uma confissão, fazendo o escritor repensar seu passado.

Levado à delegacia, o local é um buraco, as goteiras brotam do teto, a infra-estrutura é zero, Onoff está descontente com a situação, se altera e chega às vias de fato com alguns policiais. Chega o comissário (Roman Polanski) e os dois começam uma conversa “informal” que se torna um interrogatório tenso e cheio de suspeitas. O roteiro cria um mar de pistas falsas para despistar os adivinhadores de plantão, esse cômodo artifício pode enganar parte do público, mas não demonstra nenhum brilhantismo. E, obviamente, veio uma grande reviravolta no final. O interrogatório protagonizado por Gérard Depardieu e Roman Polanski deveria ser o grande trunfo, mas de tão arrastado e mecânico, ofusca o possível brilho do filme. Os flashblacks são confusos, vem à tona como lapsos de memória do escritor, um quebra-cabeça em frangalhos. Tornatore peca nitidamente na direção dos atores e na condução de alguns diálogos.

oultimoportalThe Ninth Gate (1999 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A trama é mais uma daquelas histórias de invocação do demônio, partindo do mundo de colecionadores de livros raros, a adoração por relíquias e preciosidades, desemboncando diretamente na magia negra e seitas religiosas demoníacas. O especialista em livros antigos, Dean Corso (Johnny Deep), recebe a proposta tentadora para encontrar o exemplar original do livro que teria sido escrito com ajuda de Lucifer, e que seria um portal para invocá-lo. O resultado final não chega ao satisfatório, o célebre diretor Roman Polanski esbarra em muitos clichês, e um mistério facilmente “sacável”, culminando na atmosfera morna e previsível.