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The Beatles: Eight Days a Week

Publicado: setembro 17, 2016 em Cinema
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The Beatles: Eight Days a Week (2016 – RU)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Lançado ontem em alguns cinemas pelo miundo (nem sinal no Brasil) este documentário de Ron Howard sobre o quarteto de Liverpool. Mas, afinal, ainda há o que se acrescentar sobre os Beatles a esta altura do campeonato? O cineasta prova que sim, tendo farto acesso a imagens de arquivo, fotos, depoimentos antigos e atuais, e um recorte da banda todo calcado nas desgastantes turnês e massiva perseguição da imprensa, não deixa de ser uma teoria sobre uma das razões do fim da banda. o documentário teima em trabalhar como única, mas deixemos a parcialidade para Ron Howard.

Parece meio impossível não se interessar pelas entrevistas de john Lennon em inicio de carreira, a forma como a amizade com Paul transparece, e se dar conta da total falta de infraestrutura técnica para shows de uma banda que gerava multidões muito além do inflamadas. Sempre surgirão curiosidades, histórias, pequenos trechos de shows inesquecíveis, mas, acima de tudo, o diretor é competente em manter o discurso, do inicio ao fim, sob a unidade de um grupo com 4 integrantes, deixando a individualidade respeitada, mas mantendo o foco exclusivamente no que eles eram e representavam como grupo. Ainda que não deixassem de ser um quarteto de jovenes que amadureceram sob os holofotes do mundo.

Na versão dos cinemas, o filme se encerra com o show de 1965 no Shea Stadium, o maior em termos de público, que foi todo remixado e restaurado em 4K. São trinta minutos da banda, ainda que com sinais de que alguns deles estivessem ali loucos para encerrar com tudo, ainda assim há a vibração do público, com som nítido, e a possibilidade de revisitar o fenômeno que eles causaram. Ron Howard resgata aos beatlemaníacos um pouco da essência do quarteto, e esse mérito é coisa rara no mundo dos documentários musicais.

rushRush (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A temporada de 1976 da Fórmula 1 foi realmente cinematográfica. Se a rivalidade entre dois pilotos é comum, todos anos, na disputa pelo título, ingredientes como um acidente quase mortal e a última corrida só definida na última volta foram o ápice para aquele campeonato se tornar inesquecível.

Ron Howard tranforma aquela disputa num filme sobre rivalidade, para isso ele toma a liberdade de alterar alguns fatos e focar, especificamente, na rivalidade de dois homens, de dois competidores. De um lado o frio e perfeccionista austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl), de outro o playboy inconsequente James Hunt (Chris Hemsworth). O roteiro cria essa rivalidade desde as categorias inferiores (uma das alterações da realidade), faz da disputa algo além das pistas, tornando a rivalidade cada vez mais pessoal.

Interessante como Howard trata a narrativa das corridas, misturando as cenas dos carros e ultrapassagens com de peças do carro funcionando, como pistões, por exemplo. Isso dá dinanismo, e foge do convencional. Se bem que convencional é um adjetivo que se encaixa bem ao estilo do diretor, praticamente criando um documentário filmado, com atores em atuações fenomenais, mas sem qualquer pegada autoral, optando sempre por diálogos que possam explicar o que já está implicito.

Mas, há no filme esse lado intrigante da rivalidade. Essa coisa de quanto podemos crescer e melhorar se temos um norte, uma disputa, alguém nos fazendo alcançar os limites, ser melhor. É nesse lado que Rush se sai melhor, a obsessão de dois talentos natos, a reinvenção dentro de si mesmo. Niki Lauda e James Hunt tiveram seus nomes marcados pela história da F1, e mesmo com essa condução translucida e apática de Ron Howard, essse capítulo especial acaba registrado de forma convincente.

umamentebrilhanteA Beautiful Mind (2001 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Foi o primeiro filme a qual escrevi um texto que gerou post na internet, por isso, de minha parte, talvez haja uma dose além de generosidade, ao analisá-lo. O filme retrata a história do brilhante matemático John Forbes Nash Jr (Russel Crowe), desde sua entrada na Universidade até o reconhecimento com o prêmio Nobel. Um homem atormentado por sua inteligência, e por uma incessante busca por um trabalho relevante que se torna ainda mais obsessiva ao assistir seus colegas criando teses e publicando artigos. O matemático ciumento passa dias fazendo contas no vidro da janela, observando pombos, coisas de maluco. Não lhe faltam esquisitices, trejeitos e comportamentos antissociais, e graves problemas esquizofrênicos.

De formando a professor, e depois trabalhando para o serviço secreto do Pentágono decifrando códigos comunistas em todos os tipos de meio de comunicação escritos. O ritmo frenético de seu cérebro, a personalidade complexa, pouco a pouco os comportamentos estranhos assustam sua esposa (Jennifer Connelly). Daí em diante, o que vemos é um homem incapaz de controlar seu intelecto, um prisioneiro de sua própria, e privilegiada, mente. Russel Crowe, em atuação exemplar, carregado de emoção e com um quê de coitado, consegue nos passar a ideia de uma pessoa perturbada, esquizofrênica, que vive alheia à sociedade.

Mitos criticam o filme por omitir fatos importantes, como uma possível bissexualidade de Nash. O diretor Ron Howard preferiu um enfoque maior da perda do controle de seu personagem, a doença mental deflagrada e sua destruição completa, mantendo a linha sentimental o que facilita o diálogo com um público maior.