Posts com Tag ‘Rooney Mara’

Don’t Worry, He Won’t Get Far on Foot (2018 – EUA) 

Como é curiosa, e nada retilínea, a carreira de Gus Van Sant. Um cineasta de filmes inspiradores, outros quase experimentais, comedias e melodramas sentimentais. A cinebiografia do cartunista é John Callahan (Joaquin Phoenix) se enquadra nessa leva de seus filmes mais básicos e que inspiram pela história de vida edificante, e não por um tipo de cinema inspirador.

Do alcoolatra que sofre um acidente e fica tetraplégico, até sua redescoberta como viver, incluindo sua “vocação” para sua provocante carreira artística, o que temos é um filme que busca reconstiuir época e recriar a historia, mas sempre amarrado num estilo quadrado, por mais controverso que o personagem possa ser.


Festival: Sundance 2018

Mostra: Premières

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Song to Song (2017 – EUA) 

Atualmente, é possível observar que A Árvore da Vida era o prenuncio da nova fase da carreira de Terrence Malick. Fase esta que testa a paciência de seus fãs, e pouco se esforça em angariar novos. Os três filmes a seguir (Amor Pleno, Cavaleiro de Copas e este novo) quase formam uma obra única, fechada nesse cinema sensorial, de narração em off com frases edificantes, enquanto a câmera baila por enquadramentos que buscam a intimidade máxima e elegante de corpos que se encontram ou que refletem o vazio.

Amor Pleno tinha o triângulo amoroso e a dor, já o Cavaleiro de Copas é ainda mais próximo que esse novo filme, ali um escritor (Christian Bale) vivia de festas luxuosas, sexo farto e grandes vazios. Malick mergulha seus personagens em Austin, o berço da cultura indie americana. Todos os personagens ligados a festival de rock, formando dois triângulos amorosos. Mesmo com a tendência de explorar a classe artística, não se nota em Malick a preocupação sua critica sobre o vazio existencial, a vida de luxos e luxúrias. Não, Malick parece mesmo sensibilizado pelo amor, pelas relações pessoais vindas do amor e do sexo. Além da separação, a dor, a reconciliação, o desprezo e a dependência. E seus filmes flutuam, sempre com as narrações em off que traduzem sentimentos, enquanto tentam ensinar (elucidar) ao público. Em todo esse contexto, surgem algumas cenas lindas, mas não deixa de ser um cinema cansado e circular.

CAROLCarol (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

E Todd Haynes não erra novamente. Um dos grandes, e mais inventivos, cineastas americanos contemporâneos. Dessa vez traz, um romance, ao charme da Nova York dos anos cinquenta. Filme de emoções contidas, porém vividas intensamente nos olhares. De amores reprimidos pelas convenções sociais, e Haynes conduz a narrativa com primor cinematográfico, o todo é de encher os olhos e causar angústia pelos obstáculos impostos.

A atração entre a jovem vendedora Therese (Rooney Mara) e a elegante madame Carol (Cate Blanchett) é imediata, uma conexão inexplicável dentro da loja onde Therese trabalha. Dai em diante, Haynes não desperdiça um fotograma enquanto adapta o romance escrito por Patricia Highsmith. O romance se constitui lentamente, o jogo da conquista ocorre em movimentos tímidos, com naturalidade e preocupação comedidas. O diretor já havia realizado Longe do Paraíso, mas se aquele lembrava os melodramas de Douglas Sirk, seu novo filme é puro requinte e sofisticação. Os diálogos, a atmosfera, a trilha sonora, ou a fotografia, o conjunto gerenciado pelo diretor Todd Haynes resulta num dos mais belos filmes do ano.

peterpan

Pan (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A Warner guardou o lançamento para depois dos chamados Summer Movies, a temporada dos grandes Blockbusters nos EUA. Sinais de muita confiança, ou de total pé atrás com a história dos primórdios de Peter Pan, tudo que ocorreu antes dos embates do garoto que não queria crescer e o Capitão Gancho. Interessante como este ano tivemos o retorno, aos cinemas de duas histórias infantis celebradas, protagonizadas por crianças, e que andavam esquecidas. O Pequeno Príncipe ganhou uma bela animação francesa, dirigida por Mark Osborne, e que também ia além da história mais conhecida (no caso, chegando ao príncipe adulto).

Voltando ao filme, é muito eficiente como aventura infantil, mesmo que trabalhando com clichês por todos os lados. Desde a vida de órfão com freira megera, até finalmente a chegada à Terra do Nunca. A profecia de Peter (Levi Miller) como o escolhido, ajudado por Tigrinha (Rooney Mara), e vejam só por Gancho (Garrett Hedlund), antes de se tornar o Capitão Gancho.

A mão de Joe Wright fica nítida nos figurinos, principalmente do vilão Barba Negra (Huugh Jackman), e pelo colorido da tribo e das fadas. Essencialmente focado no público infanto-juvenil, peca pelo melodrama nos s momentos mais agudos, só que funciona perfeitamente no que se dispõe a fazer que é agradar a criançada.

Aint-Them-Bodies-SaintsAin’t Them Bodies Saints (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Essencialmente, uma história de amor, narrada num estilo próximo ao de Terrence Malick. Visitando o Texas, dos anos 70, o editor e diretor David Lowery conta o drama, de um casal de foras-da-lei (Rooney Mara e Casey Affleck), corpos separados após a prisão dele (protegendo-a). Promessas de aguardar ao outro, a vida em prol dessa amarga espera.Um dos policiais (Ben Foster) se apaixona por ela, interessante essas coisas de coração, afinal, ela não demonstra um sopro de afeto (que não a sua filha).

Enquanto ele foge, ela aguarda, assim como toda a polícia do estado. É uma questão de iminente perigo, Lowery narra de forma quase onírica, seja pelos tons tristes da paleta de cores, pelo vento que sentencia o pior, ou pela forma pacata com que cada diálogo, cada emoção contida, cada detalhe surge. É um amor lindo, fabuloso, real somente no papel.

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Publicado: fevereiro 3, 2014 em Cinema
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elaHer (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Spike Jonze começa com uma premonição do futuro. As relações humanas tão complicadas e a proximidade com a tecnologia tão acelerada, em qual futuro estaremos nos relacionando com as máquinas? O plot é lindo, solitário (Joaquin Phoenix) se apaixona por um software que fala com ele (Scarlett Johansson). Espaço aberto para a ternura e a melancolia.

Spike Jonze usa de tons de laranja (vermelho também, mas em menor escala) de uma forma que, provavelmente, jamais se fez (só quem teve uma persiana laranja na sala, como eu, sabe do que estou falando). A opção estética traz cores vivas, iluminação brilhante, um confronto oposto a melancólica exacerbada que o protagonista carrega. É lindo vê-lo em estado de graça, apaixonado por aquela voz que parece corresponder a tudo que ele gostaria de ouvir/sentir/viver.

Por outro lado, esse tom melancólico parece uns dois tons acima do que deveria ser, tudo está impregnado dele. Tanto que, aliado a outras características, o que se pergunta é: o quanto esse filme é uma resposta a Encontros e Desencontros (de Sofia Coppola). Jonze e Coppola viveram juntos e após a separação ela gravou o filme.

ela2A teoria é de que Rooney Mara seria a representação de Sofia, e Phoenix e a tradução da própria melancolia de Jonze. Faz sentido, e sabemos bem que é dessa fase de magoas que muitos artistas transcendem a maior de suas inspirações. Mas, falta ao filme de Jonze sentimento. Afinal, ele está apaixonado (mesmo que por um software), a melancolia é tão grande e poderosa que engole tudo, até o final espertinho. E Amy Adams? Fazendo o que ali? Jonze começa bem com sua premonição até morrer envaidecido por sua própria ideia, afinal não encontrou uma forma de fluir.

terapiaderiscosSide Effects (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Estava até aceitando quando a ideia parecia de mais um filme acusando a industria farmacêutica de colocar os lucros à frente da saude pública. Parecia ser outro thriller crítico, nos moldes de Jardineiro Fiel, atacando a industria da tarja-preta, os medicamentos receitados por terapeutas.

Não era, Steven Soderbergh (que promete, mas nunca se aposenta) só queria filmar outro filme sobre um-crime-perfeito. Não adianta ter Jude Law e Catherine Zeta-Jones, e uma história cheia de segredinhos, ninguém mais compra só isso. Terapia de Risco cai na mesmice de um diretor que aceita tudo quanto é tipo de projeto, e trabalha com o piloto-automático há tempos (e não percebe). A injeção de animo que ele acreditar impor, só está no ritmo, não na criatividade.