Posts com Tag ‘Rosanna Arquette’

pulp-fictionPulp Fiction (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

“Não odeia isso? O quê? Os silêncios que incomodam. Por que temos que falar de idiotices para nos sentirmos bem? Não sei. É uma boa pergunta. É assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.” A seqüência é longa, mas do detalhe do milk shake até a caminhada ao banheiro, há um quê de genial em cada detalhe. A câmera pegando os atores em perfil, o jogo de plano contra-plano, os cortes entre um Vincent (John Travolta) incomodado, e Mia (Uma Thurman) com olhar penetrante, a música compassada ao ritmo do diálogo, o ambiente anos 50, o tom de voz, o uso do canudo, tudo. Quentin Tarantino me ganhou, aliás, já havia me ganhado momentos antes, na primeira aparição de Mia, ou melhor, apenas seus lábios vermelhos ao microfone.

A esta altura do campeonato, falar de Pulp Fiction é chegar atrasado na festa, quando já comeram os brigadeiros. Tarantino teceu uma fascinante homenagem a literatura Pulp, criou um filme cult, inaugurou um estilo próprio e pop. Agradou q a quase todos Gregos e Troianos, ganhou da Palma de Ouro a um público cativo. Tudo isso com essa violência sanguinária, com a forte influência do Exploitation, e com essa pega tarantinesca de humor e fascínio. São inúmeras cenas inesquecíveis, que mereceriam ser detalhadas, revistas. o diálogo pré-assalto de Tim Roth, os dois gangsteres com paletós ensanguentados, os acontecimentos na loja de som, toda as sequencias com Harvey Keitel.

O sangue e a violência estão por toda a parte, a narrativa, com cronologia bagunçada é somente mais uma peça chave desse quebra-cabeças. Referências espalhada por todos os frames (espada, moto, twist), é a maneira como Tarantino orquestra tudo que gera o fascínio. Violência romântica, quase deliramos com um apertar de gatilho, o sangue jorrando, o humor sarcástico dos assassinos. Num filme sem mocinhos, os bandidos ficam mais fascinantes. Pulp Fiction é puro deleite, e delírio, cinéfilo.

contosdenyNew York Stories (1989 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Três grandes diretores unidos, num filme coletivo, para contar pequenas histórias em Nova York. Histórias não conectadas, a não ser por serem passadas dentro da cidade homenageada, e tão filmada por todos eles. Pequenos contos, variando entre a comédia e o drama profundo, abordando temas como relacionamentos, amor, arte, mães e até misticismo.

O primeiro conto é dirigido por Martin Scorsese. Lição de Vida é o melhor dos três segmentos, e é fácil notar o dedo do diretor através de suas obsessões estilísticas. Em cada cena, em cada close, há muito de Scorsese por ali, talvez seja um de seus melhores momentos. Lionel Dobie (Nick Nolte) é um artista plástico completamente apaixonado por sua assistente e amante, Paulette (Rosanna Arquette). A jovem o troca por um comediante, e ele faz de tudo para reconquistá-la. Lionel não consegue viver sem a presença da amada, sofre profundamente, sai de si, e transpassa suas emoções para as telas, embalado na deliciosa trilha sonora (Rolling Stones e outros). Como todo artista, Lionel é excêntrico e difícil de lidar e tenta jogar com a inocência, e fragilidade de Paulette, a fim de confundir e domar a jovem. Nick Nolte em estado de graça.

A Vida Sem Zoe é dirigido por Francis Ford Coppola, e infelizmente parece bem menos inspirado que os demais contos. Narra a história de Zoe (Heather McComb), uma garota de doze anos, que mora num hotel de luxo, enquanto seus pais viajam o mundo trabalhando separados. Muito superficial, tenta mostrar a dificuldade com as relações pais e filha, e do próprio relacionamento sempre distante do casal.

Édipo Arrasado é leve e despretensioso, mas com um roteiro inteligente e inusitado. Dirigido e protagonizado por Woody Allen, consegue fechar muito bem o filme, de maneira agradável e menos densa que os anteriores. Sheldon é um advogado que não consegue conviver com sua mãe, mesmo com cinqüenta anos, sente-se superprotegido por ela, e envergonhado quando ela fala sobre sua infância. Namorando com Lisa (Mia Farrow), que tem três filhos pequenos, e sob desaprovação da mãe dominadora. Sheldon adoraria a idéia de sua mãe sumir (quem não em alguns momentos?). Num domingo, ele leva todos a um show de mágica, e o mágico chama sua mãe para o truque das espadas na caixa. Após o truque, quando ela deveria reaparecer, ela desaparece sem vestígios. Nem o mágico, nem o público, nem o pessoal do teatro, encontram a senhora. Após alguns dias de procura, Sheldon desiste, quando de repente sua mãe aparece no céu. E a figura passa a ficar por lá, de dia e de noite, conversando com a cidade inteira, e se tornando em realidade os piores pesadelos de Sheldon, afinal, não há mais segredos em sua vida particular.

meuvizinhomafiosoThe Whole Nine Yards (2000 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os astros de Friends continuam tentando estabelecer carreira além do seriado, Matthew Perry protagoniza essa comédia como Nicholas Oseransky, dentista num casamento completamente furado com Sophie (Rosanna Arquette). Ela não passa de uma interesseira, que vive infernizando a vida do marido. Seus planos maquiavélicos são de mata-lo e ficar com o seguro de vida. Para a casa vizinha se muda um homem com uma tatuagem de uma flor no braço, Nicholas percebe tratar-se de do matador profissional Jimmy Tudeski (Bruce Willis), que estava escondendo-se de um chefão da máfia a qual ele havia delatado em troca de anistia. Sabendo da situação, Sophie força o marido a viajar a Chicago e procurar o tal chefão da máfia Janni Gogolack (Kevin Pollack), esperando assim ganhar alguma recompensa por informar o paradeiro de Jimmy.

Começa uma rede de confusão pela qual o dentista atrapalhado se mete, servindo como elo entre os mafiosos e o vizinho matador profissional. E, para piorar, se apaixona pela esposa de Jimmy (Natasha Henstridge). O filme vaga entre o exagerado, o tolo, e ainda assim engraçado, e com boa vontade, até criativo. Ainda que cheio  de exagero e humor simplório. Jonathan Lynn tenta manter o equilíbrio, num tipo de filme muito perigoso, em que qualquer deslize e se perde a linha de humor. O resultado final é bem satisfatório, dentro do que poderia esperar desse tipo de comédia besteirol.