Posts com Tag ‘Roschdy Zem’

pessoaspassaroBird People (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por vezes você se depara com estes filmes com ar de refrescância. De uma leveza quase irreverente, um trato simples com as coisas do dia-a-dia, sem deixar de lado a busca pelas sutilezas da novidade. Tudo começa no RER que liga o aeroporto Charles De Gaule à Paris. Pascale Ferran capta diferentes viajantes, o contato com o vagão, a chegada ao seu destino, pequenas manias, ou maneiras de fazer passar o tempo.

A seguir, Ferran dá todos os indícios de um filme de tom corporativo, reuniões de negócios, hotel para executivos, um americano à trabalho em Paris. Protagonismo muda para uma jovem que trabalha como arrumadeira num hotel cinco estrelas. O dia-a-dia de limpar os quartos, a briga pelo dia de folga, os colegas imigrantes.

O roteiro une as duas histórias, com um pequeno toque de fantasia, o inexplicável. O executivo (Josh Charles) surta, decide largar tudo: carreira, dinheiro, família (como diria Cazuza). A jovem (Anaïs Demoustier) nos permite flutuar pela vida dele, e de outros hóspedes. Um pequeno recorte do momento daquelas vidas, inclusive da dela, o inusitado trazendo a leveza, um ar de liberdade. Ferran encontra lindos planos, sobrevoa as proximidades do hotel enquanto devassa a vida revirada do executivo.

simplesmente umamulherJust Like a Woman (2012 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Rachid Bouchareb é mais um daqueles cineastas estrangeiros que se destaca e vai parar nos EUA. E, sabe-se lá porque, realiza um filme onde a sensação é de ter desaprendido a filmar. Uma mistura de Thelma e Louis com algo do gênero tragédia-pouca-é-bobagem. Típico filme feminista, de mulheres sofridas que buscam independência como forma de se reencontrar.

Só que, tudo é tosco, ruim mesmo. Começando pela trama, o desenrolar, passando pelo road movie das mulheres que largam tudo para dançar em restaurantes. É realmente deplorável não há traços do Bouchareb que o levou até aqui. A imigração sempre foi um de seus temas, é verdade, mas aqui está mais relacionado com os aspectos culturais do que a imigração em si. Fiasco retumbante.

Hors La Loi (2010 – FRA)

Rachid Bouchareb traz uma versão gangster dos tempos de luta pela libertação da Argélia, dessa vez a linha narrativa é conduzida pela história de três irmãos que são levados de seu país natal para a França e seguem caminhos distintos. Um vai lutar pelo exercito frances na Indochina, outro militante convicto da FLN torna-se figura importante nos conflitos em terreno frances, e o terceiro envolve-se no mundo dos cabarets e lutas de boxe em Pigalle. Das favelas francesas onde vivem os africanos imigrantes dos países de colonização francesa, aos becos onde confrontos entre “gangues” opostas e a própria polícia digladia-se dentro de um ar estritamente suntuoso (o filme de Bouchareb é grandioso, faz referência a uma elegância da época dentro de um clima tão violentamente disputado), o filme transcorre por essa veia política de acontecimentos fundamentais para a independência argelina. As cenas de tiroteio ou no ringue de boxe são extremamente bem filmadas, elegantes e de alto impacto, a carga política e os ideais nacionalistas estão escondidos por entre cenas clássicas e formais (principalmente na primeira metade), talvez seja o primeiro filme desse tema onde o charme seja tão importante quanto a discussão política.