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umanoitesobreaterraNight on Earth (1991 – EUA/FRA/ITA/FIN) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A noite num táxi. Nos EUA, na Europa, em qualquer canto do mundo. Taxistas são grandes protagonistas de histórias. O cineasta Jim Jarmusch vai a 5 cidades diferentes, e com humor conta 5 histórias (possíveis ou impossíveis). Do taxista estrangeiro que ainda não aprendeu a dirigir, e vai no banco do passageiro durante as corridas, ao italiano que tanto fala que nem percebe que seu passageiro morreu em silêncio. A taxista que poderia virar estrela de Hollywood, ou aquele que transforma seus passageiros em ouvintes de suas desgraças.

Jarmusch trata da imigração, religião, crises familiares, preconceito, aborda diferentes culturas (americana, europeia, latina, africana). É uma forma de condensar o mundo, numa noite, num táxi. As histórias são dinâmicas e singelas, o humor negro se mistura com a fumaça dos cigarros e dos sotaques. É puro cinema, mas também um cinema meio-moleque, meio-imaturo, de quem não tem medo de errar e acertar, mas de apenas polir sua ideia e se divertir. Los Angeles, Nova York, Roma, Paris ou Helsinque, não importa onde estejamos, há sempre um táxi, numa noite qualquer, e infinitas possibilidades que podem surgir, de uma conversa a um acidente no semáforo.

Do The Right Thing (1989 – EUA) 

O locutor de rádio (Samuel L. Jackson) desperta a população do bairro, “o dia é quente, muito quente” não cansa de repetir Love Daddy. Os termômetros chegam aos quarenta graus e as pessoas preparam-se para ir ao trabalho. E a temperatura é apenas uma das partes dessa crônica que Spike Lee lança em sua estreia no cinema. Com jeito irreverente e narrativa ágil, o cineasta parte das tensões numa rua do Brooklyn para uma contundente crítica racial e social.

A música, o jeito de andar, de falar, a forma de defender suas crenças e lutar pelas injustiças. Lee coloca a cultura negra americana em cada fotograma.  O próprio diretor assume o figura de Mookie, o entregador de pizza, enrolado entre seu jeito malandro, o relacionamento conturbado com a latina (Rosie Perez), mãe do seu filho, e os momentos em que fica perturbando a irmã. Diversos personagens orbitam à volta de Mookie, ou da pizzaria, mas é ele a cabeça pensante, explosivo quando precisa ser, contundente a cada discussão.

O calor, a incompreensão, a necessidade desse impor, ingredientes que vão direto para a panela de pressão que se torna a pizzaria dos ítalo-americanos, cheio de amor por sua cultura. Antes da explosão anunciada, pequenos tipos que formam o cotidiano, apenas recheiam a capacidade de Lee em condensar o cotidiano do bairro de minorias marginalizadas (orientais, latinos). A fúria racial oriunda de uma ideologia quase tribal. A tensão é elevada quando um negro reclama de só haver quadros de brancos enfeitando a parede da pizzaria. Neste ponto que sentimentos se revelam, personagens chegam à últimas consequências, e a violência toma conta de todos.

O racismo colocado à flor da pele, Spike Lee evoca o pior da humanidade, o descontrole injustificável e só mesmo recordar Martin Luther King e Malcom X para tentar mostrar que todos estão errados, que a forma de lutar não é esta, e que a brutalidade só traz um irreparável dano a humanidade.