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aflordomeusegredoLa Flor de Mi Secreto (1995 – ESP) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A vida da escritora (Marisa Paredes) de livros populares, que mantém sua identidade não-revelada, usando um pseudônimo, passa por uma grave crise conjugal. O marido militar tem passado pouco tempo em casa, mas quando estão juntos o clima de guerra persiste. No lado profissional, o contrato com a editora, que lhe obriga a escrever apenas livros “açucarados”, coíbe sua liberdade criativa, a suga. Problemas com os editores, com as brigas entre sua mãe e sua irmã, e outras descobertas pouco agradáveis, tudo é motivo para que Leo Macías beba mais um copo, mas na verdade pouca importância ela dá a tudo isso, sua única preocupação é seu casamento, ou o esfacelamento notório e talvez irreversível do mesmo. O filme tenta dar enorme importância ao segredo da identidade da escritora, mais tarde revelando-se mais um daqueles alarmes falsos.

Pareceu-me um Almodóvar transitório, pontuando por lances de humor, com uma história que almeja ser mais densa, porém o resultado geral inócuo, diluído. Em seus próximos filmes ele acaba encontrando a fórmula certa, neste aqui valem as pequenas e divertidíssimas aparições de Chus Lampreave, falando rápido, reclamando de tudo, um típico estilo de mulher idosa que se encontra perdida por aí.

 

 

mulheresabeiradeumataquedenervosMujeres al Borde de un Ataque de Nervios (1988 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Com um título desses, duas conclusões são certeiras, trata-se de uma amalucada comédia e a culpa dessa histeria feminina deve s referir a algum homem. Bingo, minhas duas impressões estão corretíssimas, Pedro Almodóvar tece um emaranhado tão complexo, e tão cheio de coincidências, que fica difícil tentar separar um personagem de outro. Uma rede dos mais esquisitos tipos, dos mais diferentes desejos, se encontrando num mesmo apartamento. O filme marca o fim da fase de comédias de Almodóvar, a seguir veria sua fase mais prolífica, seus melhores dramas. Curioso como o cineasta espanhol deu essa guinada, em sua carreira, no exato momento que acertou em cheio. Até aquele momento era seu grande filme, sedimentando de vez sua carreira internacional.

Pepa (Carmen Maura) está desesperada para reencontrar seu amante que acaba de deixá-la, passa o dia entre telefonemas e visitas a possíveis paradeiros de Ivan. Sua amiga Candela se envolveu com terroristas xiitas. A ex-esposa de Ivan vive um amor obsessivo, o quer de volta a todo custo. Seu filho procura um apartamento, com sua antipática noiva. Como se pôde perceber, cada uma dessas mulheres vive conflitos amorosos. Desesperadas, perderam a noção da compostura, esqueceram a linha, movidas por seus objetivos.

É um Almodóvar completamente alucinado, reunindo tipos, aprontando mil. Uma mulher tenta pular pela janela, outra coloca fogo na própria cama, e um simples gazpacho torna-se peça chave nessa trama deliciosamente rocambolescas e com leves doses de suspense. Um roteiro genial, e delicioso, onde Almodóvar solta sua imaginação. Quando mulheres estão à beira de um ataque de nervos (Carmen Maura é a mais completa tradução desse momento), e colocam suas garras de mostra, é melhor deixar que elas se entendam.