Posts com Tag ‘Rúnar Rúnarsson’

pardaisSparrows (2015 – ISL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O jovem cineasta islandês Rúnar Rúnarsson novamente ganhando destaque no mundo dos festivais. Com um curta-metragem chegou ao oscar, em seu primeiro longa-metragem, o melodramático Vulcão, despertou curiosidade e adeptos em Cannes. E logo no seguinte filme, Rúnarsson já saiu vencedor no último Festival de San Sebastian. Do sentimentalismo na terceira idade, o diretor aborda agora o despertar da adolêncencia.

O primeiro plano focalizando formas geométricas, cujo movimento de câmera desvenda ser uma igreja, oferede a falsa impressão da presença do aspecto religioso na história. Não vai além do talento de Ari (Atli Oskar Fjalarsson) em participar do coral. Os temas são outros, mais precisamente todos os clichês da adolescência. Das primeiras experiências sexuais, ao confronto familiar, a dificuldade de relacionamento em grupos, o primeiro emprego. Filho de pais separados, Ari é obrigado a morar com o pai, em sua cidade-natal, distante de tudo e de todos. Pela adaptação que Rúnarsson desenvolve os dramas de Ari e registra o ritmo de vida de uma cidade interiorana na Islândia.

Enquanto trabalha com os clichês,  Rúnarsson tenta imprimir ao protagonista uma maturidade precária. É apenas no telefonema a mãe que Ari volta a agir como uma criança imatura, de resto, resguardar-se em sua timidez ou no distanciamento que a falta de convívio com familiares e amigos da região lhe permite. É pela integridade inabalável de um gesto que o filme tenta calcar o tom de beleza, além das belas imagens da natureza do local. O gesto é bonito, oferece ao filme o tom agradável que Vulcão também tinha, mas nada que signifique o destaque exagerado pelo começo de carreira deste cineasta.

Volcano / Eldfjall (2011 – ISL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Com a erupção do vulcão Eldfjall, parte da população se viu obrigada a mudar-se para a capital Reykjavik, alguns nunca mais voltaram e ali construíram suas vidas. Essa informação apenas pontua, sem relevância ao desenrolar da trama, com ou sem vulcão, esse drama familiar transcorreria normalmente. Aliás, o filme escrito e dirigido por Rúnar Rúnarsson vive do convencional, de uma história contada milhões e milhões de vezes. A de uma pessoa tocada a mudar de comportamento após um acidente, uma doença, uma mudança brusca na vida.

A passagem do sujeito mais mau-humorado do planeta (Theódór Júlíusson), a um doce de pessoa, quando a tragédia assola sua família. É história para fazer o público chorar, o tom piegas é praticamente impossível de evitar. A diferença sempre está no peso da direção, e no quanto sensacionalista se coloca um filme. E no caso, Rúnarsson vem com uma condução áustera, precisa, guardando momentos de realmente arrasar com o público (como na cena do choro no banheiro). Um filme de pequenos momentos singelos, de silêncios e atenção, de profundo amor e dedicação, de nos fazer sentir o pesar de cada um dos membros daquela família adiando um fim anunciado.